





PRLOGO:

        Voc sabe o aspecto de uma fada?  J viu alguma? Harry nunca havia se
feito esse tipo de pergunta e mal sabia que estava prestes a
descobrir... h quase dois meses(em Harry Potter e a Aliana Sangrenta)
ele travou contato com vampiros, de uma forma nada divertida... Sirius
tinha um irmo vampiro, que procurara esquecer por mais de vinte anos:
Caius Black.

        Uma noite, Harry acordou de um sonho com Voldemort e o irmo de Sirius,
e pouco depois do dia das bruxas teve de ser trocado na floresta por
Willy, que tinha sido seqestrada por vampiros... a sorte de Hogwarts 
que um amigo de Sirius, trouxa e caador de vampiros,  chamado John Van
Helsing, e sua filha Sue, aportaram em Hogwarts e ajudaram a dizimar os
mais de cem vampiros que apareceram por l.. Sue era meio chata, mas
atraiu ningum mais, ningum menos que Draco Malfoy, que faria tudo, mas
tudo mesmo para poder dar um beijinho na trouxa, que o ignorou
solenemente...

        Como sempre, eu quase esqueci de dizer uma coisa: Sirius e Sheeba vo
ter um beb... menino ou menina? O que voc acha? Me conte, passe uma
coruja ( b.boop@uol.com.br) , no esquea que bruxos no tem
ultra-sonografia...

PS: Uma pequena nota: a histria da personagem Silvia Spring citada
resumidamente nesta fanfiction foi reproduzida com a expressa
autorizao de sua autora, e pode ser conferida com detalhes na fanfic
"Os amigos esquisitos de Sheeba", de Goldberry, onde se explica tambm a
origem de outros personagens que aparecem por aqui, como Beth Fall,
Hannah Summer e Liza LionHeart



 HARRY POTTER E AS FADAS ARREPIADAS

FANFIC PARA HARRY POTTER POR ALINE CARNEIRO

 CAPTULO 1  FOGACHO

        Por algum motivo misterioso, que ningum conseguiu explicar
posteriormente, a primeira resolveu aparecer justamente para o professor
Severo Snape. No que ele no merecesse, mas digamos que se existem duas
coisas no mundo que no combinam realmente so Severo Snape e fadas. Era
Domingo e ele estava aproveitando seus momentos de folga, para como todo
bom ranzinza que se preze, arrumar tudo em seu devido lugar em sua sala,
que j tinha mudado de aspecto mais ou menos doze vezes enquanto ele
fazia isso. Ele parava, olhava para a estante, depois para a
escrivaninha caprichosamente arrumada e conclua que estava tudo
pssimo. Ento, sacudia a varinha e os vidros saam voando pela sala,
rearrumando-se de outra foram completamente diferente.

        Ele finalmente decidira-se que aquela era a arrumao ideal (bem
semelhante  que ele estava usando anteriormente quando resolvera mudar
tudo) e j preparava-se para sair da sala com um sorriso de satisfao
quando ouviu uma vozinha fina chamando-o:

        - O evero!  ele voltou-se subitamente, achando que estava ouvindo
vozes, porque no havia ningum com ele ali dentro, virou a cabea em
todas as direes antes de perceber a minscula figura meio luminosa,
sentada sobre um vidro de p de ossos de drago da Macednia.

        Ela tinha pouco mais que um palmo e meio de altura, se tanto. Era uma
figurinha de aspecto humano, magrinha, com um par de asas de liblula
nas costas, vestindo um trapinho cor de rosa, seus cabelos, de um
amarelo alaranjado vivo,  eram mais arrepiados e revoltos que os de
Harry Potter. No usava sapatos, e tinha um par de olhes enormes, cor
de mel. Snape esfregou os olhos e piscou repetidamente:

        - Voc  uma fada?

        - Exataente! er que oc no eria um ouco de p de asca de
tlula ara eu azer uma oo de om humor ara oc?
        . O que voc disse? Poo de bom humor?
        . ! -  Disse a fadinha, abrindo um imenso sorriso. 
        . Eu no preciso de poo de bom humor... estou bem assim.
. endo a im... o vejo oura oluo...  a fada voou
rapidamente at ele e deu um sonoro beijo em sua bochecha. Snape sentiu
um calorzinho bom onde ela dera o beijo e abriu um sorriso besta,
olhando a figurinha parada em seu ombro. Repentinamente ele percebeu que
fora encantado pela fadinha, e sacudiu a cabea para espantar o
encantamento e voltar ao habitual mau humor. Ela sacudiu-se e ficou
flutuando no ar, olhando-o com cara de censura
. E oc recisa avar  o abelo!  aquilo era demais, um ser de
trinta centmetros de altura mandando-o lavar o cabelo! Ele sorriu
malignamente para a fadinha, que permanecia observando-o  parada no ar,
com a cara mais inocente do mundo, e abriu uma gaveta s suas costas,
tirando de dentro a rede de pegar morcegos. A fadinha sorriu  e disse:
. uito eio isso, evero!  e disparou voando, porta afora. Ele
correu atrs dela com a rede na mo, via a silhueta luminosa da fadinha
ziguezagueando na sua frente, no havia ningum no corredor, afinal era
uma tarde de Domingo. A fadinha dobrou um corredor e ele dobrou
rapidamente atrs dela, dando um encontro em Sirius Black, que vinha na
direo contrria. Os dois quase caram, e Sirius disse, olhando-o de m
vontade:
. Posso saber porque voc me atacou com uma rede de caar
morcegos, Snape?
        . Eu no te ataquei, Black, eu queria pegar a fada.
        . Fada?
. , a fada de cabelo alaranjado que apareceu na minha sala! 
foi impossvel para Sirius deixar de pensar "Snape pirou!"  Ela estava
bem  minha frente, voc no a viu?
. Snape... eu no vi fada nenhuma... alis, provavelmente fadas
nem entram em Hogwarts...
        . Voc est querendo dizer que eu estou vendo coisas?
. No. Eu estou afirmando que voc est vendo coisas, Snape, e
com todas as letras.
. E o que voc est fazendo na escola hoje, Black?  Domingo....
sua mulher deve estar sozinha em casa...  Sirius fez uma cara muito
feia para Snape:
. Ela no est sozinha em casa, Snape. Ela est aqui... viemos
dar uma olhada no nosso afilhado e eu aproveitei para pegar uma coisa na
minha sala... no esperava ser atacado no meio de um corredor.
        . Eu no te ataquei, Black
. Eu sei... atacou a fada... algumas pessoas tem problemas mais
cedo... decrepitude precoce  Sirius foi andando pelo corredor, Snape,
furioso, foi atrs dele
. Se voc pensa que eu vou aturar sua arrogncia s porque voc
 casado com uma amiga minha, Black, est muito enganado!
. timo, me ignore,  um favor que voc me faz... no fao
questo nenhuma de ter amizade com voc, se te aturo  porque somos
professores aqui e infelizmente Sheeba insiste em ser sua amiga... mas
no se esquea que foi comigo que ela casou, Snape... embora voc
estivesse a o tempo todo em que eu estive na priso!
. rigar  uito eio  Disse uma vozinha fina bem atrs de
Snape. Sirius parou olhando para ele, mudo. Ento , de trs da cabea de
Snape saiu uma figurinha esquisita, que era a mesma fada que Snape
tentara pegar  irius, iga ara ele avar o abelo!  Sirius estava em
estado de choque. Snape, olhando para a fada e para ele falou:
. Eu no te disse?  Com um estalinho a fada sumiu no ar.
Sirius, ainda meio atnito disse:
        . Ela disse que voc precisa lavar o cabelo!
        . Eu ouvi, Black!  Snape grunhiu.
. O que ela est fazendo aqui? E porque resolveu aparecer para
voc?
        . E eu que sei? Precisamos peg-la!
. No, Snape, precisamos falar com Dumbledore.. mesmo em
Hogwarts, no  comum uma fada voando pelos corredores e dando conselhos
para os outros!
. Voc est certo, mas se ela aparecer por aqui de novo, vai
acabar amassada dentro de um livro!


        Eles foram afastando-se rpido para procurar Dumbledore, observados
pela fadinha, que ria deles dentro de uma armadura prxima. E eles
achando que ela era a nica...

        Enquanto isso, no grande salo, Harry, Willy, Rony e Hermione
conversavam com Sheeba. Ela usava uma veste ampla azul beb, sua barriga
j estava comeando a aparecer. Os primeiros meses da gravidez de uma
bruxa no costumam ser muito fceis, Harry cansara de ver a madrinha
andando com uma nuvenzinha esverdeada sobre a cabea, dizendo "estou
enjoada, no liguem, j passa", inclusive nas aulas de adivinhao.
Hermione, que j estava bem avanada no seu treino de farejadora da
verdade com Sheeba, tambm acompanhara os sintomas, que agora estavam
bem melhores. No momento, quem sofria mais com ela era Sirius, que tinha
que aturar a pergunta "estou gorda?" de dez em dez minutos, e as
eventuais crises de choro quando por brincadeira ele dizia que sim.

        Naquele Domingo haviam ido a Hogwarts porque ela estava se sentindo
deprimidssima em casa, gorda e inchada como um balo (o que era um
tremendo exagero), Sirius achou que um pouco de conversa poderia
distra-la. E recomendara a Harry e aos outros que no dissessem em
momento algum que a barriga dela estava grande ou crescendo. Agora ela e
as meninas estavam muito animadas comentando as compras que fariam em
Londres no feriado de Natal, a menos de duas semanas dali. Rony e Harry
observavam entediados a conversa
. Eu acho  dizia Willy  que voc deve comprar muitas roupas em
tons neutros, como amarelo, assim se nascer menino ou menina fica tudo
mais fcil.
. Mas eu acho  interrompeu Hermione  que azul  mais
bonitinho, mesmo um quarto de menina pode ser azul... de menino tambm,
mas se nascer menino vai ser estranho se o quarto for cor de rosa.
. Eu vi um bero lindo no catlogo de Witchs Bazaar! Mas no
vou a Nova Iorque s para comprar um bero... Sirius queria comprar uma
veste completa de quadribol para o beb, agora vejam, eu no deixei,
disse a ele que no ia querer um filho meu pressionado a ser jogador s
porque o pai dele no conseguiu nunca um lugar no time da escola. 
estavam no meio desta conversa, que para Harry e Rony era to
interessante quanto uma conferncia sobre lesmas carnvoras, quando
viram Sirius e Snape passarem rumo  sala de Dumbledore, Sheeba chamou
Sirius, que disse:
        . Agora no, depois eu te explico. 


        Harry achou aquilo estranho demais, mas no disse nada, olhou para o
outro lado e viu, ou julgou ver, um facho de luz passar de um lado para
o outro no fundo de um corredor. Piscou os olhos algumas vezes, devia
ser impresso. Ele no sabia que tinha visto de relance uma fadinha
chamada Fogacho.

CAPTULO 2  FLAUTA
        . Vocs dois tem absoluta certeza do que esto me falando?
. Claro que sim, Alvo. Snape viu e eu tambm... era pequena,
parecia inofensiva... mandou Snape lavar o cabelo, at. Acho que era uma
fada conselheira...  Snape olhou insatisfeito para Sirius e disse:
        . Parecia inofensiva, Alvo.
. Severo, fadas nunca so cem por cento inofensivas, mesmo
quando bem intencionadas... elas sempre acabam fazendo alguma besteira.
Lembrem-se disso: quando se trata de fadas, pode parecer brincadeira,
mas normalmente  muito srio porque elas no vm ao nosso mundo  toa.
Vamos nos manter observando para ver se  a nica que est por aqui...
se ela no disser a que veio, chamamos alguns especialistas, se for
apenas uma fada perdida eu mesmo dou um jeito nela, s vezes um portal
para o mundo das fadas se abre e elas caem por aqui... melhor que seja
entre ns que no meio de trouxas. Por via das dvidas vou escrever a
Camorin DeLoyola, ele  especialista em confundir trouxas que viram
coisas estranhas, vou ver se algum trouxa andou vendo fadas por a
ultimamente.
. Est certo  Sirius disse.  Tem idia de que tipo de fada
seja pela descrio?
. Bem, no sou especialista em fadas, mas pelo que vocs
disseram, deve ser uma arrepiada.
        . Arrepiada?
. Exatamente... no so em nada poderosas, so fadas de
felicidade, existem para tentar levar a felicidade aos trouxas, mas nem
sempre d muito certo, s vezes acabam esmagadas pelo mata moscas de um
trouxa mais insensvel, que as confunde com algum inseto muito grande...
mas no morrem, apenas ficam meio amassadas.


---

        No dia seguinte, uma coruja vermelha deixou cair uma carta sobre Harry.
Era de Bianca Fall, que fora sua quase namorada antes dele conhecer
Willy:

         "Oi Harry!

        Como voc est? Nossa, que coisa a histria dos vampiros... ainda bem
que no aconteceu nada  sua namorada, n? Espero que ela esteja bem...
vocs ainda esto juntos?

        Eu no momento estou me preparando para os testes do meio do semestre...
eu te falei que um ex-professor seu d aula aqui? O professor Lupin, que
fala muito bem de voc... agora estamos aprendendo a conjurar patronos e
ele disse que voc aprendeu a fazer isso no terceiro ano... achei
incrvel.

        Sabia que ele est tendo um romancezinho com a tia Silvia? Ela  meio
maluca, mas no liga para o fato dele ser meio... estranho. Eu s espero
que ela no suma, mame disse que ela costuma desaparecer no mundo das
fadas de vez em quando...ia ser chato ela deixar o professor na mo, n?
Ele  to legal.

        Fiquei feliz de saber que voc ganhou o primeiro jogo de quadribol...
espero que voc consiga a taa esse ano. Se der, no Natal a gente se v
em Londres, vou estar l com meu irmo, que vem do Japo para o Natal,
vov e mame... a gente pode tomar um chocolate quente.

Um beijinho,

                Bianca Fall"

        Harry estava rindo para a carta e no percebeu que algum se
aproximava, olhando o contedo desta por cima do seu ombro.
. Quem te escreveu, Harry?  Harry deu um pulo. Atrs dele
estava Willy, com seu seburrlho (que j estava ficando bem grandinho)
saindo do bolso e uma cara nada agradvel.
        . Oi Willy!  uma carta daquela amiga minha, a Bianca...
        . Posso olhar?
        . Willy, a carta  para mim.
. Se no tem nada demais, porque eu no posso olhar, hein? Por
acaso ela est falando de alguma coisa que eu no possa saber, Harry?
. Willy, no faa escndalo, o Snape est olhando para a gente!
Ela no disse nada demais, Willy, mas acho que voc tem que confiar em
mim... eu no peo para olhar sua correspondncia. 
        . Eu no me correspondo com os garotos que j me deram beijos..
        . S eu te beijei, Willy  Harry disse triunfante
. Isso  o que voc pensa  Willy fez uma cara maliciosa e saiu,
no caminho deu um tapinha no ombro de Neville e disse oi. Harry ficou
bastante encucado.


-----

        No foi s Harry que recebeu uma carta naquele dia. Na mesa da
Sonserina a imensa coruja negra de Draco Malfoy deixou cair sobre ele um
envelope, que no tinha nada de bruxo. Ele olhou para a etiqueta
impressa em computador no envelope:

         "Draco, o mal intencionado. 

        Escola de Bruxaria de  Hogwarts, 

        em algum lugar do norte da Inglaterra que espero que essa coruja idiota
ache."

        Era uma carta de Sue, que Draco guardou no bolso da veste para ler no
intervalo, na biblioteca. Como desenvolvera o pssimo hbito de subtrair
a correspondncia alheia das mos dos incautos para xeretar na mesa do
caf da manh.. Draco resolvera ler as cartas de Sue sempre na
biblioteca, por mera precauo, afinal algum podia querer se vingar
dele lendo suas cartas. Logo depois da primeira aula, ele correu para a
Biblioteca e abriu o envelope.

        Uma coisa o desagradava imensamente nas cartas de Sue Van Helsing: ela
nunca escrevia  mo. Enquanto ele procurava esmerar-se em sua elegante
caligrafia esguia, usando pergaminho negro e tinta dourada para escrever
a Sue, esta lhe respondia em frio papel branco impresso, escrito em
computador!

No final, ela punha s uma rubrica meio garranchosa em tinta cor de
vinho: "S.A.V.H.". Isso o deixava aborrecido, e quando ele comentara
isso numa carta com ela, recebera como resposta "voc acha melhor
receber cartas impressas ou carta nenhuma?"  e achou melhor se
conformar.

        Tinha acabado de abrir o envelope e pusera os olhos na carta, que para
variar comeava com "Ento, Draco Malfoy, est se esforando em ser uma
pessoa melhor?"  quando ouviu imediatamente atrs dele uma risadinha
baixa. Olhou para trs apavorado, achando que fosse alguma garota, mas
no havia ningum. Olhou para o resto da biblioteca, deserta, a no ser
por Hermione Granger, que estudava algumas mesas  sua frente. Decidiu
por via das dvidas sair dali e ler a carta em seu dormitrio, correu
pela escada abaixo, porque sabia que o intervalo acabaria logo e ele
teria de ir para a aula do professor Snape. Atirou-se de costas  sua
cama e abriu a carta novamente.

        Estava na Segunda linha quando ouviu uma msica suave, parecia o som de
uma flauta. Por uns instantes, no pensou na carta de Sue, mas viu na
sua frente o rosto debochado da menina, rindo e piscando para ele.
Suspirou fundo, risonho. Ento, acordou desse pequeno devaneio achando
que havia algum tentando pregar-lhe uma pea, e de muito mau gosto.
Saiu novamente correndo, indo trancar-se no banheiro, antes que algum
viesse atrs dele.

        Sentou-se sobre o vaso sanitrio fechado, e comeou a ler a carta pela
terceira vez:

         "Ento, Draco Malfoy, est se esforando em ser uma pessoa melhor? A
ltima coruja que voc me mandou causou uma confuso dos diabos... ela
resolveu me entregar a sua carta bem no meio da aula de educao fsica,
eu estava  fazendo ginstica no ptio da escola... nem preciso dizer que
todas as garotas no ptio ficaram apavoradas.

        Achei aquela foto que voc me mandou meio idiota, sabe? D trabalho
inventar desculpas s minhas colegas que perguntam porque sua foto no
para de me mandar beijos e implorar por um carinho... eu disse que  uma
coisa eletrnica e elas engoliram... da prxima vez, mande uma foto
normal, de preferncia em que voc no esteja fazendo uma cara de "eu
sou o mximo."

        Aqui Draco fez uma cara de surpresa indignada, mandara a Sue a melhor
foto que tirara nas frias de vero e ela dizia que ele parecia idiota
nela!

         "Meu pai est no Norte da frica... parece que uma tribo de caadores
de cabea est tendo problemas com vampiros... quem no gostou nada
disso foi a advogada bruxa com quem ele anda namorando... parece que
eles tinham marcado um encontro em Boston e ele cancelou... acho que meu
pai no passa nem seis meses solteiro de novo... provavelmente ano que
vem terei mais um irmo, espero que ele nasa bruxo, mas um bruxo menos
arrogante que voc."

        Toda vez que Draco recebia uma carta de Sue, por causa desses
comentrios, prometia a si mesmo que no ia responder.. mas depois de
algum tempo, acabava cedendo e respondia, mandando a carta por sua
coruja .

         "Acho que se voc  o apanhador de seu time de Quadribol no faz mais
que sua obrigao ganhando... no me conte isso como se tivesse
atravessado a nado (ou voando numa vassoura) o canal da Mancha, ok? E
tudo bem que voc  sempre elogiado pelo professor de Teatro da
escola... mas acho que ele  gay, deve fazer isso por causa de seus
olhos azuis"

        "O que diabos quer dizer gay?" Draco estava se fazendo essa pergunta
quando ouviu novamente a risadinha e deu um pulo, sem que se desse
conta, alguma coisa luminosa estivera lendo a carta junto com ele,
olhando por cima do seu ombro, ele via a luz se refletindo no papel.
Tentou bater no ombro, mas errou. Quase imediatamente, uma coisa muito
estranha aconteceu.

        Na sua frente apareceu  flutuando deitada, com o rosto apoiado nos
cotovelos, uma minscula fadinha . Era gorducha e tinha os cabelos muito
arrepiados, azuis como seus olhos. Tinha asinhas de borboleta tambm
azuis nas costas e usava pantufas peludas e vestia-se com um trapinho
esquisito, ficou rindo para ele cerca de vinte segundos, quando
finalmente deu uma cambalhota, pondo se em p no ar e comeou a tocar
uma melodia em uma flautinha que tirara sabe-se l de onde.

        Draco sentiu-se levitar por um momento, e sorriu. Sentia-se to bem que
comeou a rir, sem se dar conta que estava no banheiro da escola, sendo
embalado pelo som da flauta de uma fada. Ela parou de tocar e disse:
. Felizzzz Drrrraco?  automaticamente ele despencou dos cerca
de cinqenta centmetros que levitara sobre a tampa do vaso, fazendo um
estrondo. Isso varreu qualquer resto de devaneio da sua mente, pondo-se
em p ele disse:
. O que  voc?  Estava assustado, achando que podia ser alguma
pea que algum estava pregando nele.
. Meu nome  FFFFFFlauta.... eu ssssssou uma ffffffada  ela
abriu um grande sorriso e ele arregalou os olhos, antes que pudesse
dizer qualquer coisa ela disse  dava parrrra vocccc deixxxxar eu
lerrrrr o rrrresto da carrrrta?
. Ei! Que espcie da fada  voc que xereta as cartas dos
outros?
. Eu no sssssou xxxxxereta... voccccc, ... eu ssss querrro
ajudarrrr voccc a ficarrrr com SSSSSue!  ela abriu um sorriso maior
que o anterior, mas Draco, abriu a porta do banheiro e saiu correndo por
ela. Achou que realmente estava ficando maluco e resolveu correr para
aula e esquecer o episdio da fada, que ficou para trs rindo dele. 
Hmmmm. Nemmm todossss querrrem ajuda...   ela disse, fazendo um muxoxo.


CAPTULO 3  HARMONIA

        Ningum soube do episdio com Draco,  muito menos Dumbledore, que se
tivesse conhecimento sobre isso teria imediatamente tomado alguma
providncia, afinal, se uma fada era incomum... imaginem duas... ou
melhor, no havia apenas duas.

        Alguns dias depois Hermione e Willy estavam conversando no corredor
sobre Harry e Rony,  noite. Harry estava, a despeito do frio medonho do
lado de fora, treinando quadribol com o time da Grifnria. Rony estava
na aula do grupo de teatro, que Willy abandonara logo depois de voltar
do passado com Harry. Sheeba participava da conversa das duas mesmo
estando em sua casa, pois Hermione estava usando sua jia de comunicao
com ela.
. No gosto desta histria de Harry receber cartas de Bianca
Fall  dizia Willy  eu no fico paquerando garotos de fora da escola.
. Harry no  um canalha, Willy  Sheeba dizia atravs da jia 
S que ele quer que voc confie nele... ele gosta de voc, acho que a
Bianca tambm no gosta dele, s como amiga, se pudesse conhec-la veria
que ela  uma garota adorvel.
. Sheeba  interrompeu Hermione  como Rony tem ido em suas
aulas? Eu acho que ele est se dedicando demais nesse negcio de Teatro,
eu tenho medo dele esquecer das outras matrias e se tornar relapso,
minha obrigao como monitora...
. Sua obrigao como monitora  olhar os alunos como um todo,
Mione... acho que voc se  preocupa demais com Rony... o que voc acha
de perguntar como ele vai no grupo de Teatro? Lockheart esteve falando
comigo, ele acha que Rony tem um talento excepcional para atuao...
quem sabe ele no se torna um grande ator bruxo? J imaginou ele fazendo
filmes bruxos, eu conheo um grande cineasta bruxo, Daniel Dubois...
posso apresent-lo a Rony!
. Rony um ator?  Willy interrompeu-  mas ser que o professor
Lockheart  o mais indicado para avaliar? Quer dizer... ele  to
avoado...
. Willy, se Lockheart tivesse se dedicado a ser ator bruxo em
vez de se meter a ser um grande bruxo sem talento para tanto, hoje ele
estaria bem melhor...  Nesse momento algo comeou a dar interferncia
na jia de comunicao de Hermione e as duas ficaram olhando, enquanto o
reflexo de Sheeba sofria interferncias como os de uma televiso com
problemas de sintonia. De repente, sem aviso, o reflexo se apagou
totalmente.
        . O que foi isso  Disse Hermione  ser que a jia enguiou?
        . Hermione, jias de comunicao no enguiam... deixe-me ver 


         Willy olhava para a jia quando comearam a ouvir uma musica suave
vinda de sabe-se l onde. Estavam em frente  sala de feitios, quela
hora vazia. Hermione cutucou Willy quando notou um reflexo de luz rosada
dentro da sala de aula. As duas foram andando curiosas e empurraram a
porta de leve. Ficaram maravilhadas com o que viram.

        Uma pequena fada de cerca de vinte  centmetros, de cabelos revoltos de
um lils rosado e com um corpo delicado de bailarina, vestindo um saiote
de bal e sapatilhas ambos lilases, rodopiava pelo ar ao som de uma
msica vinda sabe-se l de onde. Tinha asinhas de cigarra s costas.
Conforme rodopiava, iam caindo do teto rosas brancas, margaridas,
camlias azuis e  flores de todas as cores e tamanhos, que se acumulavam
no cho gerando uma onda suavemente perfumada. Hermione e Willy entraram
na sala e comearam a danar junto com a fadinha, rindo  toa, sentindo
que seus ps saam do cho. A fadinha dava risadinhas suaves e de
repente parou de danar. Hermione e Willy foram descendo suavemente,
ainda rindo e seus ps tocaram o cho. A fadinha olhava-as com seus
olhes cor de violeta e um sorriso imenso no rostinho mido.
. Olh! Eu xou a Harmonhiiia... como  o nhome de voxs... eu j
xei... Vox  Hemionhe... e voc.. Vilhi! 
. Voc  uma fada!  Hermione subitamente se deu conta disso  o
que est fazendo aqui?
        . Danxando, oras... vox nho  viu?
        . Mas... no pode ser...
        . Vox ext felix, Hemionhe?


        Aquela era uma pergunta terrvel para Hermione.... era para ela estar
feliz... afinal, chegara ao sexto ano em Hogwarts como primeira aluna,
com grandes possibilidades de chegar  monitora chefe no stimo ano...
mas faltava alguma coisa... no, ela ainda no era feliz. A fadinha
esperava resposta com uma interrogao nos olhos enormes.

        Naquele momento, Harry, que passava do lado de fora procurando
justamente pelas duas, viu Willy pela fresta da porta e empurrou-a
entrando na sala. Antes que ele percebesse, a fada deu um rodopio no
mesmo lugar e desapareceu, com um pop! Na mesma hora Hermione e Willy
esqueceram que a tinham visto e as flores do cho desapareceram,
deixando s um pouco de perfume no ar.
. O que vocs esto fazendo aqui? - Harry perguntou, olhando de
uma para a outra. Ele aspirou o ar por um segundo e disse  Esto
sentindo um cheiro de flor?


        As duas se entreolharam, no lembravam de nada mais.
. Ns vimos algo e entramos aqui... voc lembra do que aconteceu
depois, Willy?
        . No... acho que logo que entramos, Harry entrou atrs.
        . , acho que foi isso.


        Harry no acreditou muito, mas deixou para l.

---

        Em sua casa, Sheeba olhava atnita para a jia de comunicao, estava
sentada no sof fofo em sua sala, ladeada por dois pares de agulhas de
tric automticos, que faziam sapatinhos incessantemente, um com l
amarela e outro com l azul beb. Nesse momento Sirius veio da direo
do banheiro, acabara de tomar banho, usava um roupo felpudo e vinha
envolto numa nuvem de vapor, pois, como sempre, tomara um banho quente
de pelar os ossos. Ele atirou-se no sof, e a sensao trmica de Sheeba
aumentou uns dois ou trs graus e ele lhe disse, enxugando o cabelo que
acabara de lavar:
        . Ento, Sr Black, vamos jantar? Seu marido est morto de fome.
. Sirius... voc j viu uma jia de comunicao dar problemas? -
Ela mostrou-lhe o olho de tigre apagado, explicando que ele apagara
depois de uma interferncia. Ele olhou para a jia e disse:
. Nunca vi uma coisa dessas... ser um feitio de
interferncia?- Ele deu uma batidinha na superfcie da pedra, que
subitamente se iluminou, mostrando Hermione conversando com Willy e
Harry  veja, parece que passou, deve ter sido uma coisa boba...
. No, Sirius, eu s vi essa jia sofrer interferncia desta
forma uma vez...quando Silvia Spring tocou nela...
        . A meio-fada?
. Ela mesma... acho que temos algo por aqui, Severo viu a fada
de novo?  Sirius entortou a cara
. Sei l... uma fada que aparea para ele tem pelo menos um
pssimo gosto... eu te disse que ela mandou ele lavar o cabelo?
        . S umas oitocentas vezes...  Sirius riu:
. Pior  que ele no obedeceu... voc alguma vez na vida viu
Snape com o cabelo assim limpinho e cheiroso como o meu?  sacudiu sua
cabeleira diante do nariz dela
. J, quando voc estava em Azkaban e ele me chamou para jantar
 Sheeba riu diante da cara aborrecida dele.
        . Sem graa. Vamos jantar, est bem?
        . Sim, Sr Black, vamos jantar.


----

        Naquele momento, em seu gabinete, Alvo Dumbledore lia a carta que
receber de Camorin DeLoyola:

         "Prezado e estimadssimo Professor Alvo Dumbledore,

        Embora ultimamente tenha tido muito trabalho apagando lembranas de
trouxas que viram  algumas criaturas fantsticas tais como o velho
Nessie, que detesta ser aborrecido em seu lago e alguns Chupa Cabras na
Amrica Latina, mais notadamente no Brasil, onde tambm h rumores que
teria sido avistado  um et na cidade de Varginha, no fui chamado, assim
como nenhum de meus colegas, a desmemoriar ningum que tenha visto fadas
ou similares, mesmo as arrepiadas... enviei uma coruja para consultar
Mario Murad, que realmente detectou a abertura de um pequeno portal para
o mundo das fadas em algum lugar prximo a Hogwarts ultimamente, mas
pequeno demais para passar qualquer coisa maior que uma fada de pequeno
porte... Silvia Spring tambm me relatou que at onde saiba, no foi
contatada por nenhuma das fadas de suas relaes, portanto posso
afirmar-lhe com extrema segurana que provavelmente trata-se de um caso
isolado.

        Caso faa-se necessrio, sinta-se livre para novas consultas.

        Sem mais no momento, subscrevo-me.

Camorin DeLoyola"



        Olhando a complicadssima assinatura do bruxo e passando uma nova vista
de olhos sobre a carta, Dumbledore sentiu-se um pouco mais aliviado.
Olhou mais um segundo para o nome de Silvia Spring e deu um sorriso,
lembrando de coisas h muito tempo esquecidas.



----

        A aula de teatro do professor Lockheart estava acabando. Ele sorriu
satisfeito olhando seus "pupilos teatrais" como ele chamava e disse,
muito satisfeito:

        - Meus queridos! J temos uma pea para representar na festa de
Pscoa... obviamente trata-se de um episdio importantssimo da histria
da feitiaria, que depois de inmeras pesquisas, eu, aproveitando meu
notrio e j comprovado talento para escrever  Rony deu um suspiro
exasperado  transpus de forma ma-gis-tral para o formato de uma pea em
trs atos, de vinte e cinco minutos cada, com doze personagens
principais e alguns fantasmas figurantes... vamos representar a expulso
do Bruxo das trevas  Rubro Salmonella pelo mago  Sibelinus Zenith, o
loiro, ocorrida no ano de 1234 ao Norte do Pas de Gales... j tenho uma
idia do que cada um vai fazer... Gostaria de ser imparcial mas todos
sabem quem se destaca no grupo, no  mesmo?

        Todos deram uma olhada significativa para Rony e Draco. Realmente os
dois sempre eram muito elogiados por Lockheart Era claro que os dois iam
ser os intrpretes principais. Lockheart comeou a distribuir os papis,
at que sobraram os dois principais.



-----


. Voc vai interpretar o bruxo das trevas, Rony? -  Harry
olhava-o incrdulo  e o Malfoy vai ser o heri? Lockheart deve estar no
mnimo doido!

. Deixa de ser bobo, Harry, pense nas possibilidades...
interpretar o vilo  sempre mais interessante... e o tal do Zenith nem
 to legal... perfeito para a canastrice do Malfoy. E o meu personagem
tem um monlogo timo no meio da pea, quando ele explica que foi levado
a fazer o que fez pelo amor  de uma mulher?

        . E foi?

. No, isso  inveno do Lockheart, ele diz que  "licena
potica"... mas o texto  muito bom de qualquer forma!

. Eu nunca ia imaginar que voc ia acabar gostando tanto de
teatro!

. Nem eu... quando voc foi reprovado eu quase sa, mas fui
achando divertido... agora eu acho que est tudo timo... eu vou ter at
uma cena de beijo com a Padma!  Hermione, que estivera assistindo
calada  conversa arregalou os olhos:

        . Beijo? Como assim beijo?

. O que  um beijo, Hermione? Oras, ela  meu par romntico na
pea, Lockheart disse que tem que ter beijo... O Malfoy vai beijar a
mocinha, quem vai fazer  a Lil, isso no tem nada demais.

. Como no tem nada demais, Rony? Isso ... imoral! No 
decente!

.  arte, Hermione... teatro, s isso  Hermione levantou-se
insatisfeita e foi dormir  Harry olhou para Rony e comeou a rir

        . Acho que ela ficou com cimes.

. Problema dela, quando eu quis namor-la ela ficou "indecisa"
achando que eu no era bom o suficiente para a grande monitora... quando
eu for um ator famoso vo chover bruxinhas querendo me namorar, e ela
vai se arrepender de no ter ficado comigo quando teve oportunidade .


        Harry ficou calado. Acima deles, escondida no lustre, a fadinha de nome
Harmonia olhava Rony com cara de censura. 



CAPTULO 4  ASSOBIO



        Harry e Willy tinham se encontrado, vestindo suas capas de
invisibilidade,  na sala de transformao aquela noite para namorar.
Willy no levava seu seburrlho que estava ficando grande a barulhento
demais, guinchando sempre quando eles se beijavam, o que podia atrair a
ateno de Filch ou de Madame Norrra.


        . Harry... eu acho que tive um sonho com fadas.

        . Fadas?

.  fadas... mas no lembro direito quando foi... s lembrei
dele ainda h pouco, acho que Hermione estava nele tambm.

        . Como ser que  uma fada, Willy?

. Sei l... acho que elas so grandes, lindas, louras... mas
devem ser perigosas.

        . No, Willy, essas so suas tias malucas...

. Kakaka! Voc no tem jeito! Falando srio, eu queria saber
porque as fadas foram embora...

        . Voc podia perguntar  Silvia Spring.

        . Quem  Silvia Spring?

. Uma amiga da Sheeba... ela est namorando o professor Lupin,
Bianca me contou.  Harry disse sem sentir

        . Quem  te contou?

. Bianca, aquela amiga minha me disse numa carta... ela estuda
em High Hill, voc sabe, na Esccia... Lupin est dando aulas por l
agora que j tinha dito a besteira, achou melhor parecer natural.

        . Sei, sei... e o que faz essa tal de Silvia Spring?

. Sei l, ela  muito esquisita... da primeira para a segunda
vez que eu a vi ela encolheu, olha s, e emagreceu  bea... Bianca
disse que ela some no mundo das fadas, eu no entendi muito bem... mas
ela com certeza j viu uma fada, isso viu...

. Mudando de assunto... Harry, voc acha que eu devo cortar o
cabelo?

        . Sei l, Willy... para mim voc  linda de qualquer jeito. 

        . Eu no sei... no gosto de viver prendendo meu cabelo.

. Seu cabelo pelo jeito tambm no gosta de ser preso, vive se
soltando

. Kakaka! Voc  muito engraado, Harry Potter.  Harry deu um
beijo nela, sem saber que era observado por uma pequenina fada verde,
que alm de invisvel, conseguia ver por trs de capas de invisibilidade




----



        Dias depois, Neville Longbotton estava na biblioteca estudando,
tentando pr na sua cabea a ordem correta dos ingredientes da poo
corta fogo que Snape ensinara, mas sua mente parecia fechada como uma
noz... tirando Herbologia, em que era muito bom realmente, Neville nunca
tirara um 10 na vida. Em poes era particularmente ruim, e sentia que
Snape se divertia secretamente torturando-o por ser um pssimo aluno...
por uns instantes parou para respirar e abriu um outro livro, deixando
cair de dentro uma fotografia, que o fez sorrir.

        Gina Weasley brincava alegremente olhando para o outro lado na foto,
acariciando um gato amarelo muito feio, o gato de Hermione. Ele lembrava
de quando Colin Creevey tirara aquela foto no fim do semestre anterior,
Gina tinha achado o Bichento brincando no gramado e o pegara.
Secretamente ele pedira para Colin tirar a fotografia e depois pedira a
ele uma cpia, sem que Gina soubesse.

        At entrar em Hogwarts, a nica garota que Neville conhecera fora
Willy, eles se encontravam regularmente no Hospital St Mungos onde seus
pais e a tia dela estavam internados, todos h muito tempo. Eles
brincavam muito quando eram menores. Depois, sentiu-se surpreso ao v-la
em Hogwarts, mas como ela fora selecionada para a Sonserina, no travara
uma amizade muito forte com ela, achou bom que Harry tivesse comeado a
namor-la.

        Ele lembrou-se da poca em que era apaixonado por Hermione... ele
achava que ela era a nica garota no mundo que ele poderia amar... ela
era linda, mesmo quando tinha um dente da frente muito grande e no
sabia pentear o cabelo cheio muito bem... mas para ele ela era a nica
menina no mundo. Ento, no quarto ano, apareceu aquele tal Victor Krum,
e ele achou que realmente nunca teria chances com Hermione... um jogador
profissional de Quadribol! Resolveu esquec-la, e acabou chamando Gina
para acompanh-lo a um baile... conversaram a noite toda, ento ficaram
muito amigos.

        O chato  que Gina gostava de Harry. Neville sabia disso, e nunca
precisara perguntar a ela... ele viu a decepo nos olhos dela quando
ele comeou namorar Willy: interiormente ela se convencera que Harry no
gostava dela porque ela era nova demais... agora, ela sabia que no era
isso... Willy tinha a mesma idade que Gina. Ele ento guardou a foto e
voltou para a poo corta fogo.

        Sacudia a cabea em negao pela vigsima vez quando percebeu que
algum o observava. Ele deu uma olhada em volta e ento viu. Uma fadinha
minscula, de no mximo dez centmetros de altura, de corpo atltico e
com uma cabea meio grande, ligeiramente desproporcional, cabelos e
olhos de um verde limo muito vivo e asinhas verdes de gafanhoto nas
costas o olhava, com as mos na cintura e uma cara zangadssima. Seu
queixo caiu at o peito e ele ficou uns dois ou trs minutos nesta
posio. A fada comeou a falar:


. Muitobemnevillelongbotton... querdizerquevocachaquenobomosu
ficienteemanada, ne?

        . Q-q-quem  voc?  Neville conseguiu gaguejar, finalmente

. Muitoprazereusouafadassobio- disse e deu um assobio baixinho 
Esperoquevocnoestejacomemedodemimporqueeuestouaquiparateajudar  a
fadinha parou para respirar e disse  Agorasevoceficarcalmo

. Eu estou calmo... s no estou entendendo direito o que voc
est dizendo.

. Ahisso?  A fada parou de falar e Neville sentiu que um outro
pensamento entrava em sua cabea e no era o dele... era como ouvir uma
voz bem fina, que pertencia  fadinha, que no entanto no movia os
lbios:   bem mais fcil para mim entrar no pensamento... por isso eu
e minhas irms falamos to enrolado... eu estava lendo seus
pensamentos... voc  muito bobo... no tem que achar que no  bom em
nada.

. Mas eu...  Neville ia comear a falar quando sentiu o
pensamento da fadinha o avisando : "S pense." Ento ele pensou  Eu no
sou bom em  nada mesmo... acho que eu sou um grande fracasso...meus pais
no teriam orgulho de mim se me vissem...ainda bem que eles no podem 
a fadinha o olhava com uma cara de to grave censura que seus olhos se
arregalaram  eles no podem... podem?

. Do jeito que voc est pensando, no. Mas eles se orgulhariam
de voc por muita coisa... voc  realmente muito bom.

        . Sou?

        . Sem dvida. 

        . Ningum acha...

. Ningum conhece voc... e Harry Potter te acha um bom goleiro,
Madame Sprout gosta de seu desempenho nas aulas....

        . ... mas o Professor Snape...

. Deixa o Severo com a Fogacho... garanto que ela vai dar um
jeito nele...

        . Quem  fogacho?

        . Uma das minhas irms... eu vou te ajudar.

        . Me ajudar?

. ! Voc quer namorar Gina Weasley?  Neville deixou escapar
uma exclamao de surpresa.- No fale! Eu disse para voc s pensar! Eu
quero ver voc feliz!

        .  para isso que voc est aqui?

        . Sim e no...

        . Como assim?

. Eu estou aqui por causa de outra coisa... mas voc precisa da
minha ajuda... ento por isso eu vou te ajudar.

        . E porque ento voc est aqui?

        . Por causa de Harry Potter. Mas ele no pode saber disso.


        Neville no sabia o que dizer, melhor o que pensar. L na frente, a
bibliotecria j desistira de entender porque o menino comeara de
repente a falar sozinho e agora estava de boca aberta olhando para lugar
nenhum. Ela no podia ver a fadinha.



CAPTULO 5  A SEMANA ANTES DO FERIADO.



        Depois que vira a fada na sua sala, Snape passara a ficar sobressaltado
dia e noite, achando que ela ia aparecer de novo... por via das dvidas
ele armou com um sorriso maligno nos lbios algumas ratoeiras pelo lugar
e espalhou por toda sua sala (principalmente em cima do vidro do p de
casca de btula) uma grossa camada de p-de-pega-intruso, que era um p
invisvel que apitava quando algum, que no era quem o espalhara, se
aproximava de onde estava, alm  claro de grudar-se ao intruso
fazendo-o coar-se intensamente. Por infelicidade ele esquecera disso no
dia em que madame Pomfrey pedira um pouco de um p qualquer e mandara
que ela entrasse sem conjurar o feitio protetor contra o p...  o
resultado foi que madame Pomfrey, coando-se intensamente e com uma
ratoeira pregada no nariz, o intimara a tomar uma poo anti-parania.
Ele no sabia o quanto a fadinha rira neste dia.



-----



        Draco estava no dormitrio  noite, faltava exatamente uma semana para
o feriado de Natal que ele ia passar com os pais... no que os seus pais
comemorassem o Natal, que eles chamavam de "festa de trouxa".. Claro que
Draco sempre ganhava vistosos presentes, cada um maior que o outro, para
depois exibir na escola desde que se entendia por gente. Agora ele
achava isso meio idiota, ningum mais ligava para o que ele ganhava de
Natal. Draco fora alfabetizado numa escola comum, mas de gente muito
rica, porm, nunca tivera um nico amigo trouxa. Nem bem tirava o nariz
da sala de aula, l estava sua me o esperando, pronta para p-lo no
grande carro e carreg-lo para casa, uma casa muito grande nos arredores
de Londres.

        Naquele momento ele olhava a fotografia de Sue Van Helsing, que ele
encantara para brilhar no escuro. Ela era sem dvida a primeira garota
de quem gostava. No que no tivesse tido uma certa paixonite por alguma
menina antes, mas ela era a primeira que ele queria namorar, quase a um
nvel obsessivo. Se seu pai soubesse, estava perdido... Draco sabia que
seu pai combinara um casamento para ele, talvez mesmo antes dele
nascer... todos na sua famlia casavam atravs de combinaes, havia
sculos talvez, e sempre com algum com pelo menos 200 anos de sangue
bruxo comprovado... seus pais eram primos e ele no sabia como com
tantos casamentos entre primos no havia ningum com duas cabeas na
famlia.

        Suspirou... no sabia como ia fazer para encontrar-se com Sue em
Londres, ela ia estar l no Natal, na casa de uma prima mais velha. Mas
tinha que dar um jeito de se livrar dos pais e escapar na vspera de
Natal para encontr-la no beco diagonal. Era ridculo, mas aos dezesseis
anos, Draco no saa sozinho, seus pais no queriam que ele fosse parar
em algum "lugar de trouxas".

        Essa coisa que seu pai tinha contra trouxas tinha deixado de ser
divertida talvez h uns dois anos, depois que seu pai comeara a
gaguejar quando falava no tal "mestre".  Draco no podia acreditar que o
tal cara que fizera a cicatriz no Potter simplesmente "revivera"... e
que seu pai vivia puxando o saco dele. No ano anterior, quando o
padrinho do Potter havia sido absolvido, Draco pde notar quando chegou
em casa para as frias que seu pai vivia com uma cara crispada de
raiva... dizia pelos cantos que aquilo era bem feito para o
mestre...confiar na besta do Wormtail, agora aquele maldito estava solto
e dera tanto trabalho incrimin-lo... no podia deixar de achar pattico
o fato que seu pai queria tanto a ateno do tal Lord Voldemort.

        Se perguntassem quem era a pessoa no mundo que Draco mais admirava, com
certeza ele diria: Severo Snape. O professor de poes era exatamente o
que ele queria ser: duro, firme, no fazia concesses para quem tinha
cara de bonzinho por causa disso. T, s vezes ele puxava um pouco a
brasa  para a sardinha dos alunos da Sonserina, mas isso no fim no
fazia a menor diferena, no  mesmo? Quando entrara para escola seu pai
insistira que ele se aproximasse do professor... Snape e seu pai no
eram mais exatamente amigos, mas mesmo assim o professor tinha muita
considerao com Draco, e no cansava de adverti-lo contra as foras das
trevas, o que ele prudentemente no relatava ao pai. Depois de uma
conversa franca que Snape tivera com ele no ano anterior, ele descobrira
porque o pai queria tanto que ele se tornasse amigo de Snape.

        Quando Snape pertencera ao grupo que cultuava as foras das trevas,
para grande raiva de seu pai, fora o favorito do Lord das Trevas...
ento, acontecera alguma coisa que o fizera mudar de lado... e essa
coisa tinha algo a ver com o diretor da escola, mas Snape no lhe
contara o que era. Ele lembrava perfeitamente do dia em que o professor
dissera-lhe: "Por mais que parea sedutor, Draco, no se iluda, o poder
das trevas  transitrio... eu sei que seu pai no esqueceu. Eu sei que
secretamente ele quer te levar para o lado das trevas... mas no v, ou
voc vai se arrepender, como eu me arrependi." Desde ento ele procurava
no pensar muito nessa conversa.

        Olhou de novo a foto de Sue e notou que um brilho azulado aparecera
sobre ela, com o canto do olho pde ver um ser minsculo deitado de lado
sobre o seu travesseiro, encarando-o com aqueles olhes azuis enormes.
Antes que pudesse gritar ou fazer qualquer coisa, um pensamento sob a
forma de uma voz fina como o de uma criana invadiu sua mente: "Por
favor, Draco, deixe-me ajud-lo"



----



        Desde que Hermione soubera que Rony ia ser o vilo da pea da escola,
seu comportamento mudara para muito pior em relao aos amigos... ia
para casa no Natal, e comunicara isso a Rony e Harry, que protestaram,
afinal haviam combinado com Sirius e Sheeba...  ela disse que se
encontrariam em Londres, mas que iria de qualquer forma ficar com os
pais, achava melhor, afinal, h dois anos passava sempre o Natal na
escola, estava na hora de ficar um pouco com os pais, que j estavam
ficando chateados com ela. Quando Willy parou-a num corredor e em seu
jeitinho contestador e nada sutil acusou-a de estar com cime de Rony,
Hermione ficou quase histrica e mandou-a se meter com a prpria vida,
afinal de contas no era ela que tinha um namorado que se correspondia
com uma bruxinha em High Hill!

        O que a mantinha menos enraivecida eram as tarefas da monitoria, ela
procurava ser a melhor monitora da escola e era to rgida que algum
lhe dera o apelido de "Mini-Minerva", que ela odiara e que pegara entre
os alunos como uma gripe... estava comeando a ser odiada pelos do
primeiro ano, principalmente, porque era sobre eles que descontava a
raiva que sentia de algo que no sabia bem dizer o que era.

        Uma noite estava voltando da sala dos professores, onde fora entregar
algo  professora Minerva quando ouviu uma coisa dentro da sua cabea
dizendo que virasse  esquerda, ela virou sem pensar, depois comandada
pela mesma voz virou  direita, seguiu por um corredor e empurrou uma
porta.

        Entrara numa sala mal iluminada, a no ser por uma luz azulada em forma
de foco l na frente... demorou alguns minutos para notar que era a sala
de Teatro... ficou parada no fundo e ouviu  a voz do professor Lockheart
dizer:

        - Agora, Rony, entre no foco,  a sua deixa.  Rony apareceu
subitamente sob a luz azulada do foco.

        Era Rony? Era o menino alto e desengonado com quem brigara durante
praticamente todos os dias desde que entrara em Hogwarts? O Rony que
pedira para namor-la no fim do ano anterior e que ela dispensara
achando que afinal no passava de um criano? Era Rony mesmo aquele? O
mesmo Rony que ela afinal achava que no era to bom como bruxo porque
sempre demorava muito mais que ela para executar uma coisa to banal
como uma simples transfigurao? Se era, no parecia.

        Seus cabelos ruivos sob a luz azulada estavam escuros, um brilho de
cobre que ela nunca notara aparecia... seus olhos estavam na penumbra
por causa da franja, e as inmeras sardas que cobriam-lhe o rosto,
fazendo que ele parecesse sempre algum que pegou sol demais, no
apareciam direito... ela podia ver s a expresso do rosto dele. Achou-o
bonito pela primeira vez na vida. E ele estava dizendo coisas lindas
sobre o amor de uma mulher... algum por quem se perderia, por quem ele
faria qualquer coisa, inclusive por aos ps dela o mundo... 

        - Agora, Padma, voc!  ecoou a voz do professor Lockheart

        Padma Patil entrou no foco junto de Rony... eles se olharam por um
segundo ento, ele a tomou nos braos e beijou-a . Hermione gritou.

        A sala iluminou-se na mesma hora. Rony e Padma pararam de se beijar.
Rony olhou para de onde viera o grito e para sua grande surpresa, l
estava uma embaraada e constrangida Hermione, com as duas mos nos
lbios sem saber o que dizer, como a querer fazer voltar para a garganta
o grito que dera sem notar. O professor Lockheart veio at ela:


        . Hermione, minha querida... aconteceu alguma coisa?

. E Eu... acho que foi o Pirraa... eu entrei aqui para
a-assistir o ensaio e uma coisa gelada me pegou... foi o Pirraa...
desculpe, com licena.  Saiu disparada pelo corredor.


        No palco, Padma olhou entediada para Rony e disse:


        . Que saco, vamos ter que fazer de novo.

. ...  ele concordou, olhando intrigado para a porta, por onde
Hermione sara


        Hermione sara correndo pelos corredores da escola, as lgrimas se
formando nos seus olhos,  grossas e insistentes. Ela deu a senha 
mulher gorda olhando para o outro lado, disparou pela sala comunal da
Grifnria  Harry a chamou, mas ela ignorou-o e continuou at o banheiro
do dormitrio, onde se trancou chorando alto. Ela tinha que falar com
algum... Sheeba! Olhou a jia de comunicao e viu Sheeba em sua casa
sempre ladeada pelas agulhas automticas de tric e por Smiley, que
insistia em tricotar sapatinhos tambm. Ia cham-la quando a jia
apagou-se e ela ficou murmurando, tentando faz-la funcionar. Uma luz
arroxeada surgiu na sua frente e transformou-se primeiro em um sorriso
depois numa pequena fada. Hermione abriu a boca mas no saiu nada.  Um
pensamento invadiu sua cabea: "Deixe-me ajud-la, Hermione."
Repentinamente, uma cena sobre danas com fadas voltou  sua lembrana.



----



        Na sala comunal, Harry estranhou ver Hermione correndo feito doida
daquela forma... que idia a dela. Era impresso dele ou ela estava
chorando? Olhou para o outro lado, tirando por uns minutos a ateno do
livro que estava lendo e viu Neville, sacudindo a cabea como quem
recebe instrues, era a mesma expresso que ele usava quando estava
ouvindo as prelees no campo de Quadribol. Harry ficou prestando
ateno nele.

        A fada assobio estava ao lado de Neville, invisvel para todos os
outros, explicando detalhadamente o que ele deveria fazer para que ela o
ajudasse com Gina Weasley, que lia um livro e tomava um chocolate quente
no lado oposto da sala. O livro era sobre as fadas e a autora era Silvia
Spring. Era cheio de figuras de fadas lindssimas, todas da corte das
fadas boas de Seelie. No final havia uma nota sobre as fadas no to
boas que podiam ser conhecidas lendo-se "As fadas de Unseelie" , da
mesma autora e com ilustraes da prpria.. De vez em quando Gina
passava a mo sobre a figura de uma fada, que ria, sentindo ccegas.
Gina Sorria de volta. Neville levantou-se de um salto e andou at ela.

        Gina olhou para ele quando ele comeou a gaguejar. A fadinha em seu
pensamento naquele momento mais atrapalhava que ajudava:


. Gi-gina.... e-Eu  "Neville, no gagueje, seja firme"  No
gagueje, seja firme  - "No, Neville"  No Neville!  "Espera o que eu
vou dizer!!!"  espera o que eu vou dizer!

. Neville... voc est bem?  Gina o olhava espantada. Ser que
ele estava sob algum feitio? Ela olhou em volta para ver se algum
pregava uma pea nele e ele olhou para o livro dela, vendo quase que
imediatamente a ilustrao que mostrava a mesma fadinha que
desastradamente tentava faz-lo convid-la para se encontrarem no
feriado de Natal. No livro a fada o olhava com cara de censura.

. Assobio! - Ele disse, apontando a fada  como ela est a? 
"Neville, fique quieto, disfarce"  Finalmente se tocando que no era
para repetir as palavras da fada ele sorriu para Gina, que sorriu de
volta, olhando para a fada no livro e disse:

. Realmente... aqui diz que o nome dela  Assobio... voc a
conhece?  Um chute da fada no lbulo da orelha de Neville fez com que
ele soltasse um "ai" seguido de um no.  eu j li esse livro  Neville
improvisou olhando feio para a fada.

        . Quer v-lo comigo?

. Lgico! Ela abriu um espao na poltrona e ele sentou-se
satisfeito. Nesse momento a fadinha discretamente jogou um feiticinho de
carisma leve sobre Neville, que fez uma discreto brilho traspassar seu
corpo. Gina olhou para ele e sorriu. Ele apontou uma fada no livro e
disse qualquer coisa.


        De longe, Harry acompanhara toda essa cena, espantando-se quando viu o
ligeiro brilho passar por Neville, coisa que s ele notou... "Tem alguma
coisa estranha aqui."  ele pensou, quase no mesmo instante que voltou a
ler.



 

CAPTULO 6  ENFIM  NATAL!



 

        Antes de ir para a casa de Sheeba e Sirius, Harry e Rony foram tomar um
ch com Hagrid. Hermione j fora embora, mas eles encontraram Willy l,
desolada. Siegmund pegara um resfriado de seburrlho. Hagrid gritou que
eles no entrassem por causa disso, enquanto levava Siegmund para o
viveiro de tratamento. Willy saiu da cabana chateada, tirando a mscara
cirrgica. Rony deu um passo atrs:


        . No estou nem um pouco a fim de pegar essa coisa de novo!

. No se preocupe, Rony- Hagrid saiu de trs da casa, j pusera
o seburrlho no viveiro  S se pega este resfriado uma vez... voc est
imunizado!

. Estou? Que bom... posso pegar qualquer seburrlho doente...
isto deve ter uma utilidade, no sei qual, mas deve...

. Hehe  Hagrid respondeu  para mim teve muita utilidade... eu
peguei quando ainda era estudante, agora posso tratar deles a vontade...
No se preocupe, Willy, vou cuidar bem do seu Siegmund... quando voc
ver que no ele vai estar fuando tudo por a.

. , mas eu queria comprar uma coleira para ele em Londres...
Como vou poder saber se ele gosta dela se ele no for comigo?

. Willy, voc no existe mesmo  Harry a abraou, depois de
olhar disfaradamente se Snape no estava em nenhum lugar num raio de
cem metros. Hagrid os olhou, rindo:

. Parece que foi ontem que eu vi os pais de vocs namorando
nessa escola... Cansei de entregar bilhetes de Atlantis para Nuhra, sem
que suas tias vissem  Willy deu um sorriso triste. No gostava de
pensar na me.  Vocs dois esto tendo juzo, no esto mais se
agarrando pelos cantos na frente de todo mundo, no ?

. Bem, ns tomamos bastante cuidado... O Snape pega muito no
nosso p!  Disse Harry. Agora ns podemos entrar, est um bocado frio
aqui fora...


        Passaram a tarde na cabana com Hagrid, Harry deu um presentinho para
ele, um jogo novo de xcaras de ch porque as dele estavam muito
lascadas, Rony deu um cachecol do tamanho de um lenol que sua me
fizera e Willy uma de suas muitas invenes: sapatos levita-neve (como
ela conseguira sapatos do tamanho de Hagrid  que fora um mistrio) era
s pisar sobre neve e voc levitava... bem til para quem tinha de
cruzar o terreno de Hogwarts no inverno.

         noite foram com Sirius para a casa de Hogsmeade , sempre sob as
inmeras recomendaes dele que no falassem em hiptese alguma que
Sheeba estava gorda ou barriguda.

        Sheeba os recebeu felicssima. Agora as agulhas automticas estavam
tricotando casaquinhos. Sirius olhou desconfiado para um par que
tricotava  em l cor de rosa:


        . Se for menino ele no vai usar isso, no  mesmo?

. Se for menino eu transfiguro em azul, Sirius  Ele saiu,
sorrindo satisfeito. Ela olhou para os meninos e disse:

. Se for menina eu vou ter muito mais trabalho para tornar esse
mundo de roupa rosa... que tal estou, - disse, empinando a barriga para
eles, que no sabiam exatamente o que dizer.

. Grvida!-  Disse Willy alegremente,  procurando no usar a
palavra barriga  est muito bonita assim.

. Oh, que bom!  Sheeba saiu cantarolando atrs de Sirius, que
sumira na cozinha, procurando algo para comer  Nem pense em comer algo
antes do jantar, Sr. Black!  Eles olharam-se rindo e espalharam-se nos
estofados da sala. A casa estava com a decorao favorita de Sirius, em
estilo gtico, com vitrais. Rony comentou:

        . Essa decorao parece o cenrio da pea!

        . E como est a pea, Rony?

. Ah, estamos indo bem... eu fui o primeiro a decorar todas as
falas! Acredita que a Padma ainda precisa fazer o papel ficar levitando
na frente dela  enquanto atua? Ela  bonitinha, mas no tem talento
nenhum... e o babaca do Malfoy? Eu nunca vi um sujeito to canastro,
gente, ele  muito ruim, nossa. Sorte dele que o Lockheart adora uma
atuao exagerada...

. Rony, onde voc arrumou tanto talento, hein?  Harry riu 
Outro dia eu fui l e dei uma olhada... realmente voc  muito bom
nisso.

. , eu no te vi, o Lockheart tem essa mania de ambientao
real, tudo escuro... Hermione tambm foi l outro dia... mas acho que
ela no viu muita coisa, de repente ela deu um grito e o ensaio parou,
ela disse que o Pirraa  tinha feito alguma coisa... bem na hora da cena
do beijo.

. Na hora da cena do beijo?  Willy riu  Rony, voc  tapado ou
o que? Ela ficou com cimes!

. Cimes? No, Willy... ela no gosta de mim, acha que eu no
sou bom o suficiente. Em pensar que eu li aquela porcaria de livro por
causa dela...

        . Que livro?

        . Hogwarts, uma histria.

        . Voc leu?

. Li, qual o problema? Eu queria surpreend-la com isso, mas
nunca surgiu uma oportunidade.




        Na vspera de Natal, foram a Londres, onde encontraram Hermione. Era
impressionante a quantidade de desejos que Sheeba tinha, fazendo Sirius
sair igual um maluco pegar os mais estranhos doces dentro de lojas de
trouxas, o que ele odiava, pois se embolava no dinheiro deles. At que
Hermione e Harry se ofereceram para fazer isso. Compraram toneladas de
presentes e coisas para o beb. Em pouco tempo Sirius estava atolado de
pacotes, resmungando porque afinal no trouxera Smiley, que naquela
ocasio ia ser muito til. Iam passar a noite num hotel de  trouxas e
voltar no dia seguinte. Quando chegaram ao hotel, Sheeba foi logo para o
quarto despachar com feitios os pacotes direto para sua casa. Depois
pendurou-se em Sirius com um olhar suplicante, ao que ele respondeu:


. Nem vem que no tem, no vou me enfiar no metr mundial hoje
para ir a Nova Iorque comprar um bero... o beb vai nascer depois da
Pscoa, Sheeba, temos muito tempo.  Ela fez um muxoxo.




        Estavam tomando chocolate quente no salo de ch do hotel quando Harry
viu surgir algumas figuras, engolindo em seco. Pelo saguo entravam Beth
e Bianca Fall, seguidos de um menino de seus dez ou onze anos e uma
senhora baixinha, que parecia uma ndia sul americana.


. Sheeba!!!!!!  Beth Fall gritou fazendo o salo de ch em peso
olhar para ela. Bianca baixou a cabea.

. Beeeeth!!!!!!  Sheeba respondeu. Desta vez foi Sirius que
baixou a cabea.  Voc veio para c! Que maravilha! Ol, Bianca!
Bernardo! Nara! H quanto tempo eu no a vejo!


        Ao ouvir o nome Bianca, Willy fez a cara mais feia da face da Terra.
Harry disfarou, olhando para Rony e comentando algo imbecil como "que
lustre bonito, no?". Para sua infelicidade, Sheeba convidou todos para
sentarem-se  mesa com eles. Bianca sentou-se sorrindo ao lado de
Hermione e bem  sua frente:


. Ol, Harry! Voc deve ser Willy!  Alguma coisa na forma que
ela pronunciou  o nome de Willy fez nascer um brilho selvagem e
assassino nos olhos da menina, que respondeu:

. Oi! Voc deve ser a bruxinha da Esccia...  Riu mostrando os
dentes, Hermione podia jurar que ouvira um rugido. Ela estivera at
ento bem calada, ento disse:

. Como esto as coisas, o que eles estudam l em High Hill? 
sorria amarelo para Bianca, sem perceber que Bernardo, que apesar da
cara de inocente fazia os gmeos Weasley na pior fase da vida parecerem
anjinhos  barrocos, enfiara por dentro de seu cabelo algo grande e cheio
de patas. Quem viu foi Rony, que segurando seu asco por aranhas, enfiou
a mo por dentro do cabelo dela e retirou uma grande tarntula, para
horror dos presentes. Jogou-a discretamente ao cho e pisou-a olhando
bem feio para o garoto, mas sem dizer uma palavra

        . Era meu bicho de estimao  ainda protestou o garoto.

. Voc disse bem, era  Disse Rony. Hermione, olhava atnita
para a enorme aranha que ele matara, sabendo que ele detestava aranhas e
olhou-o agradecida. Ele piscou um olho e disse:

. No precisa agradecer.  Isso chamou a ateno de Beth Fall,
que at ento estava entretida numa conversa animadssima com Sheeba.

. Bernardo Fall DAnime ... voc no ousou trazer aquela coisa
nojenta para c, ousou ? Diante do olhar severo da me Bernardo
encolhera uns dez centmetros, afundando atrs da mesa.

. Ela s vezes se solta  ele fez a cara mais inocente do mundo
 ou melhor, se soltava  ele olhou feio para Rony, que retribuiu com a
mesma intensidade  porque esse cara matou ela.

. "Esse cara"  convidado de Sirius e Sheeba... e ele me fez um
favor, eu odiava esse bicho asqueroso que seu pai te deu. Obrigada, meu
querido  a bruxa sorriu para Rony e olhou glacialmente  para o filho,
que encolheu mais um pouco  em casa conversamos.


        Durante todo esse todo dilogo, Willy e Bianca trocaram olhares
hostis... pobre Harry.



        Em sua casa, Draco imaginava um jeito de escapar... ainda no sabia
aparatar, e no saa de casa pelo menos sem um elfo domstico (haviam
uns vinte na casa) para vigi-lo e ele sabia como era chato se livrar de
um elfo domstico. O horrio que combinara com Sue ia chegando e ele no
sabia o que fazer. Subitamente teve uma idia. Vestiu sua melhor roupa
de trouxa de sair, olhando-a desconfiado,  ser que ainda estava na
moda? Por cima, ps uma veste de bruxo normal e disse ao pai:


        . Pai, posso ir ao beco diagonal comprar umas coisas?

. O que voc quer comprar? Eu mando um criado l  Lucio Malfoy
respondeu sem desviar os olhos do "Profeta Vespertino"  - Aquele cretino
do Weasley conseguiu aprovar outra lei pr trouxas! Esse Fudge  um
banana mesmo

.  que eu queria ir sozinho, pai... j tenho dezesseis anos 
Lucio finalmente olhou o filho

        . Acha que j  homem?

. No  isso... No sou mais criana! Posso escolher uma veste
nova sozinho, no acha?  O pai hesitou por um minuto ento disse:

. Est bem... voc vai com o nosso motorista.  Mande ele esperar
por perto e no demore uma eternidade  Draco ia saindo feliz quando
ouviu  e leve um elfo junto.


        Pronto, tudo estragado... como ia sair com Sue e um elfo domstico a
tiracolo? No importava, s de no ter nem o pai nem a me por perto j
era um tremendo triunfo...  qualquer coisa ele dava um jeito...



        O que Draco Malfoy no sabia, e no havia meio dele saber, porque a
fada que se propusera a ajud-lo ficara em Hogwarts, de onde no podia
sair, era que Sue Van Helsing quela altura estava to apaixonada por
ele quanto ele estava por ela, embora ela no fosse admitir isso nem sob
a pior tortura que um death eater pudesse imaginar.

        Comeara de mansinho, na alegria dela quando uma coruja amanheceu
pousada na janela do seu  dormitrio na escola na Itlia... metade das
garotas acordara gritando... a coruja chegou um dia apenas depois que
ela chegara  escola. Quando abriu o envelope e viu o papel negro e a
caligrafia fina e desenhada escrita em tinta dourada, ela ficou
simplesmente maravilhada. Olhava a letra dele com um sorriso besta nos
lbios, cheirou, virou e revirou a carta, o papel tinha o mesmo cheiro
dele... Draco lhe escrevera, o seu Draco... ento de dentro do envelope
caiu uma fotografia, e Sue deu um grito. Nela Draco parecia vivo!  

        E olhava para ela com o mesmo sorriso debochado que ela estava
comeando a sentir saudades! Ia escrever uma carta para ele quando
lembrou-se que sua letra era horrvel! Ento, comeou a imaginar o que
Draco faria se soubesse o quanto ela ficara feliz ao receber a carta.
Tendo sido criada numa escola americana at os treze anos, uma coisa que
ela sabia reconhecer quando via era um faroleiro... e Draco era um
tremendo faroleiro, ela sabia disso. Se ela escrevesse juras de amor,
ele ia se encher de si mesmo, e adeus gentileza... ento, decidiu que
iria dar uma de durona... mas no sabia at quando. Sentou na frente do
computador, e como se apenas respondesse um e-mail, escreveu a carta
mais debochada e sarcstica que podia imaginar, rindo de mansinho
imaginando a cara de decepo dele quando lesse. Foi assim at que
combinaram de encontrar-se em Londres pelo Natal.

        Fora um tremendo sacrifcio convencer sua prima Annie a deix-la ficar
em seu apartamento enquanto ela estava na Rssia. Como toda Van Helsing
de primeiro time, Annie era mdica e tinha um mau humor constante,
porque trabalhava muito mais como mdica que como caadora de vampiros.
Estava sempre com um par de olheiras pretas a adornar-lhe a face
cansada. Mas se havia por perto algum vampiro, se transformava da gua
para o vinho, pois ca-los era divertido. E Annie tinha partido junto
com seu pai Steve para matar uns vampiros na Rssia. "Que bom!" Pensou
Sue, olhando-se no espelho. Vestia uma saia preta longa e um casaco
preto sobre um suter cor de rosa, alm de luvas de l pois estava muito
frio. "Espero que Draco goste"  ela disse para si mesma e saiu.



 

 

CAPTULO 7 -  O QUEIXO PARTIDO



 

        No saguo do Hotel onde Harry estava, comeava a ficar bem ruim o clima
entre Bianca e Willy, que j estavam quase a ponto de se xingar de tanto
que discordavam uma da outra. Se alguma dizia algo, a outra tinha o
prazer de faz-la parecer uma idiota completa. Harry pedia socorro com
os olhos para Sirius, que dava de ombros "Deixa pra l, coisa de
mulher... depois ela esquece". Sheeba finalmente percebeu o clima.
Estava  to entretida conversando com Beth (que se tivesse percebido
teria feito Bianca encolher tanto quanto Bernardo na hora da aranha),
que foi preciso Willy fazer um comentrio muito sarcstico para que ela
notasse a guerra fria das duas. Props alegremente ao marido:

        - Que tal voltarmos ao beco diagonal? Acabo de lembrar que no comprei
um presentinho para o Professor Dumbledore.  Sirius revirou os olhos,
exasperado.



        Draco entrava no beco Diagonal escoltado por Trix, um elfo domstico
fmea de olhos azuis e chata como uma bala grudada no dente. Ele j
sabia o que ia fazer para se livrar dela. Chamou-a a um canto e tirou a
veste de bruxo, ficando com a roupa de trouxa que usava por baixo.


        . Toma, Trix, voc est livre!

        . Mestre Draco no satisfeito com pequena Trix?

. No, no  isso... acho que voc  um elfo timo, bom demais
para viver engraxando os sapatos do meu pai... agora some, t?  Draco
detestava elfos domsticos, achava-os burros e chatos, se no arrumassem
a casa to bem poderiam ser extintos.


        Havia agora um problema. Estava muito frio. Calculara mal o casaco que
pusera e estava quase batendo os dentes. Foi andando at onde marcara
com Sue e em pouco tempo seus lbios estavam roxos. Ento ele a viu, e
valeu a pena bater os dentes.

        Sue estava parada na frente da loja de varinhas mgicas, olhando para
dentro maravilhada. Ela adoraria entrar e conversar horas e horas com o
dono da loja que parecia to interessante. Draco aproximou-se de
mansinho e disse, pondo a cabea por cima do ombro dela:


. Quem sabe voc no tem algum talento tardio, trouxa?  Ela deu
um pulo e olhou-o zangada. 

        . Oi Draco. Voc est com os lbios roxos.

        . Alguma sugesto para esquent-los?

. Sem graa... que tal um cachecol? Voc no sabe escolher um
casaco? Est nevando!

. Diante de sua insistncia... acho melhor comprar algo antes
que eu vire um picol - foram andando at uma loja onde Draco comprou
uma capa preta meio imponente que ela ficou olhando desconfiada

        . No est um pouco grande para voc?

. Eu ainda pretendo crescer um pouco. Vamos andando?  Agora
surgia um problema operacional... eles no tinham combinado nada. Seu
pai enchera seu bolso de galees como sempre, adorava v-lo esbanjando
dinheiro, mas se quisessem ir a um lugar de trouxas estaria perdido, nem
sabia como usar dinheiro de trouxas... e ele no queria ficar dando sopa
com uma trouxa no beco diagonal.

        . Eu queria ver um filme.  ela disse

        . Tem cinema aqui.

        . Tem?

. Tem... mas s passa filmes bruxos, se quiser ver um filme de
trouxa, vamos ter que sair daqui  era o que ele mais queria.

. timo, tem um filme que eu quero ver passando num cinema aqui
perto...

        . Eu vou ter que passar no banco. 

        . Banco?

. Para trocar meus galees por dinheiro de trouxas  Foram ao
Gringotes e sem noo de quanto custava uma sesso de cinema para dois
ele acabou trocando todos os galees por uma montanha de notas. Ela
ficou olhando espantada e ele pediu: - Por favor, guarde isso para
mim... nunca aprendi a mexer com esse dinheiro.


        Quando saram do Banco, Draco no gostou do que viu... o motorista de
seu pai estava procurando-o, era um sujeito de seus dois metros e meio,
Draco achava que ele era filho de trasgo com gente, de to feio, mau e
burro que era. Draco disse a ela:


. Vamos ter que sair pelo outro lado...  puxou-a para os lados
da Travessa do Tranco, ela ficou meio assustada com a aparncia do
lugar:

        . Como voc conhece isso aqui?

. Nunca vim aqui sozinho, meu pai  que costuma freqentar esse
lugar... mas sei onde  a sada. Saram por uma barbearia imunda do lado
de uma lixeira. Era num dos piores pedaos de Londres. Um homem saiu de
um beco, atirando-se sobre ele:

. Me d um trocado...  Sue gritou, pois viu que na verdade o
mendigo era um ladro com uma faca, Draco a puxou e sem querer tocou
fogo nas calas do ladro (foi uma pequena emisso mgica involuntria).
Correram por trs quarteires, at que chegaram a uma rua principal. Sue
encostou-se num poste, ofegando. Draco olhou em volta, era a primeira
vez na vida que estava sozinho em um legtimo lugar de trouxas, no
podia deixar de estar curioso e ficou olhando para todos os lados. Um
grupo de adolescentes punks passou por ele, que perguntou:

        . Que raa de criaturas  essa?

. So punks, seu bobo... gente comum que quer parecer
diferente...

        . Voc est me dizendo que aquelas coisas  so trouxas?

        . Exatamente  - ela riu  voc nunca saiu sozinho, Draco?

. No. - Ele disse naturalmente e ela o olhou espantado. Draco
era uma espcie de trouxa ao contrrio: no sabia nada, mas nada mesmo
sobre o mundo no mgico

        . Draco, eu no posso acreditar...

. Vamos ao cinema? No quero falar sobre isso  se tinha uma
coisa que ele no gostava era de parecer "por fora" de alguma coisa. Ela
o levou para um cinema que estava passando um filme de terror, sobre
vampiros, e ele perguntou.    alguma espcie de fixao mrbida?

. Para mim funciona como uma espcie de comdia, voc vai
entender porque.


        Realmente, ele entendeu. Diante das coisas que haviam visto e
enfrentado na floresta proibida, os vampiros do filme pareciam sados do
Jardim de Infncia. Ele comeou a rir com ela, e em pouco tempo, estavam
gargalhando tanto que chegaram a passar mal, sendo olhados com cara de
censura por todo cinema, enquanto faziam comentrios do tipo : "Olha que
ridculo, esse morceguinho subnutrido" "Voc viu as presas dele? No
pode ser, eles no imaginam como sejam presas de vampiros reais" Ento o
filme acabou e ela o arrastou para fora do cinema.


        . Vamos ver de novo!

. Draco, no seja ridculo... no vamos ver o mesmo filme duas
vezes.

. Porque no? Eu assisti "Feitio Fatal" seis vezes no mesmo
dia... e a segunda histria era a melhor.

        . Como assim, filmes de bruxo contam vrias histrias?

. Uma de cada vez, claro, cada vez que passa  diferente... voc
no viu um filme bruxo se ainda no o assistiu trs vezes... Filmes de
trouxa contam sempre a mesma histria?

        . Lgico!

. Lgico, lgico? Porque tem que ser lgico?  Ele parou e olhou
para ela. Estava escurecendo, um vento mortalmente gelado passou por
eles e ela disse:

. Me abrace, Draco.  Ele a abraou, calado. Ela sorria, no
podia acreditar que ela estava sorrindo. Eles se beijaram. O vento os
envolvia numa onda gelada, mas Draco s sentia Sue quentinha nos seus
braos, e sua boca macia, e de vez em quando a ponta do nariz dela, que
estava gelada, roava nele e ele sentia ccegas... era muito bom mesmo.
Mas a festa dos dois estava para terminar


        Eles no sabiam, mas estavam a poucos metros da entrada do beco
diagonal. O motorista de Draco, depois de meia hora procurando-o, fora
avisar Lcio Malfoy, que aparatara naquele momento no meio do beco. Sem
saber disso, quando foram andando de mos dadas pela rua e deram com "O
Caldeiro Furado", Draco sugeriu que eles entrassem , porque afinal era
um lugar que ele conhecia (ainda tinha alguns sicles no bolso,  dava
para tomar pelo menos uma cerveja amanteigada). Eles estavam sentados
muito juntos quando Draco viu Harry e sua turma, que saa do beco
diagonal. Fez uma cara pssima, mas no pde deixar de rir vendo o
professor de defesa contra artes das trevas passar atolado de pacotes.
Rony os viu e acenou para Sue, que acenou de volta. Draco no gostou, e
virou-se para beij-la, queria que Weasley o visse. Mas a cor fugiu
nesse instante do rosto dele.

        Parado no arco do beco diagonal, com a cara mais glida que sabia
fazer, estava Lcio Malfoy. Draco podia ver o msculo do queixo dele se
crispando de raiva. Ele aproximou-se e disse diretamente para Draco,
ignorando Sue:


. Namorando uma trouxa, filho? Para isso eu te criei, garoto?
Para arrumar uma trouxa?  aqui Lcio j gritava e Sirius acabava de
notar, olhando por trs da pilha de pacotes que carregava  Uma trouxa
imunda, uma vagabunda!

. Pai, ela no  vagabunda...  o senhor no a conhece.  Draco
disse de cabea baixa.

. Cala a boca, garoto! Eu devia quebrar a tua cara agora. E a
dessa trouxa nojenta tambm.  Sirius, vendo isso, deixou a pilha de
caixas flutuando no ar e veio at eles, tocando de leve no ombro de
Lcio, pois acabara de reconhecer Sue, que afinal merecia ser defendida.

. Retire o que disse, Malfoy, eu conheo a garota, ela no vai
fazer mal nenhum a seu filho.  Lcio voltou-se, encarando Sirius, que
era maior e mais forte que ele. Talvez tenha sido pelo efeito da raiva
que abandonou a habitual covardia e disse:

. Ora, cale a boca, seu condenado da Azkaban amaldioado pelos
vampiros!  Era abusar da pequena pacincia de Sirius Black. Antes que
Lcio Malfoy pudesse dizer "ai" um soco forte e bem direcionado o
atingiu diretamente no queixo. Ele levantou alguns centmetros no ar e
deu para ouvir nitidamente o "Crack!" do osso do maxilar dele se
partindo. Caiu no cho inconsciente, Sirius ficou olhando-o. Ento disse
para Draco:

        . Sinto muito, seu pai abusou. 

. Tudo bem... sou obrigado a concordar. Sue, voc pode ir embora
com eles?  Draco estava muito chateado  Eu acho que tenho que levar
meu pai para o hospital.

        . Voc vai saber se virar?

        . Eu dou um jeito. Tchau Sue.  evitou beij-la.


        Sue seguiu os outros constrangida, o bar todo olhava para ela. Ela
sentia-se pssima de pensar o que aconteceria com Draco quando seu pai
acordasse. Draco esperou que eles estivessem longe para tentar acordar o
pai. Sabia que seu Natal acabara ali.



CAPTULO 8  XERETAS E ABUSADOS 



        Dias depois, num tarde pouco antes de acabar o feriado de Natal, Sheeba
pediu a Harry que acordasse Sirius, que estava dormindo no segundo
andar, no quarto do casal. Harry subiu as escadas, j olhando
contrariado para o monte de portas que via do corredor. Tirando a
cozinha, o sto, a garagem e a sala de estudos, todos os cmodos da
casa viviam mudando de lugar conforme a decorao que Sheeba escolhia...
como Sheeba e Sirius adoravam mudar a decorao da casa, era freqente
voc de manh sair de seu quarto achando que estava no primeiro andar e
quase cair, pois estava de frente para a escada, ou pior, cair dentro da
piscina. Muitas vezes, Sheeba acordava de manh (sempre primeiro que
Sirius) e colocava a casa em decorao japonesa, toda satisfeita, indo
para a cozinha preparar o caf. Quando voltava, Sirius estava risonho no
centro da sala, que se transformara num salo de bilhar dos anos vinte
(que ele acrescentara  decorao). Por isso era difcil para Harry
achar onde afinal Sirius estava dormindo.

        Ele tentou a primeira porta e deu com o quarto das garotas... a segunda
ele achava que era o quarto dele, mas estava enganado, era um armrio de
vassouras, de onde caram vrias em cima dele. Ento, empurrou outra
porta e entrou numa saleta estreita com duas poltronas de leitura e uma
estante de livros. Aquela sala ele no conhecia. Ele ficou curioso e
olhou os ttulos da estante: Havia desde livros como "Conhecendo as
Fadas" de Silvia Spring (exemplar autografado!) at os livros de
Lockheart, Sheeba devia ter sido uma das poucas pessoas que no os
devolvera, devia ter ficado com pena dele. Haviam tambm alguns livros
de trouxas, romances, histrias, teorias criminais e fora isso tinha
ainda um livro fantasma: "Biografia pstuma de Sobrenatural de Almeida,
por ele mesmo". Era interessante... ele se virou e viu uma coisa atrs
das poltronas que o fez parar. Havia dois pensieves pequenos atrs
delas, sobre um mvel encostado  parede.

        Olhou o primeiro e reconheceu que devia ser de Sirius, pois logo de
cara viu a figura horrvel de um dementador, achou melhor nem olhar
muito... afinal, era errado xeretar. Ento olhou para dentro do outro e
viu uma cena estranha... Sheeba e Silvia Spring conversando no Noitibus
Andante. Ele ardeu de curiosidade. Ultimamente parecia que coisas
ligadas a Silvia Spring vinham atravessando o seu caminho, e ele sentia
uma curiosidade cada vez maior sobre a bruxa meio fada. Se aproximou
para tentar ouvir a conversa das duas. E caiu no pensieve.

        Agora estava dentro do Noitibus, Sheeba devia ser bem mais nova, pois
usava o cabelo como na fotografia de seu batizado, um corte reto, com
uma franja cobrindo a testa. Silvia Spring  que no mudara muito,
parecia ter mais ou menos a mesma idade da ltima vez que o vira, e a
mesma aparncia, inclusive o cabelo mais bonito que ele j vira, no
estava grande e gorda como quando a conhecera, no casamento de Sheeba e
Sirius. Ficou meio decepcionado com a conversa das duas, que era sobre
cabelos. Mas mesmo assim sentou-se atrs das duas e ficou escutando
atentamente.


. Sheeba, porque voc usa o cabelo assim? Deixe-o crescer se
acha o meu assim to bonito.

. Voc no entende, Silvia... eu sempre usei franja para
esconder esse maldito sinal... odeio esse dom, ele foi a minha desgraa.
Se no fosse o dom eu no estaria nessa encrenca.

        . Mas tambm no teria ido a Hogwarts nem conhecido Sirius...

. No me fale nele... di em mim saber que ele est naquele
lugar horrvel e eu no posso fazer nada. E ele  inocente, Silvia.

        . Voc acredita nisso?

        . Eu no apenas acredito, eu sei que ele  inocente. 

        . Ento espere-o.

        . Eu no posso apenas esperar.

. Escute, Sheeba, h momentos em que no h nada na vida a fazer
seno esperar. Eu j passei por isso. Quando eu conheci Alvo, ele tinha
onze anos, e eu quinze... mas eu o adorava, e sabia que ele tambm.
Ento eu esperei at que ele tivesse dezoito e eu dezessete...

. Mas Silvia... se ele tinha dezoito... voc tinha que ter vinte
e dois.

. Neste mundo, Sheeba... Na verdade eu no sei mais quantos anos
eu tenho neste mundo. At os onze, eu entrei e sa do mundo das fadas
tantas vezes que no sei quanto tempo passou.... eu devo ter tido pais,
mas no me lembro deles. O lugar onde eu nasci no existe mais,
Aristteles Hemerinos me ajudou muito, foi como um pai. Ele me pegou
quando sa do portal com idade para ir para Hogwarts. Eu demorei quinze
anos para concluir a escola, porque eu sempre abria um portal e
entrava.... queria passar uns dias, mas acabava passando uns meses...

        . E no nosso mundo eram cinco, seis anos... 

. Exato. Ento conheci Alvo e no queria mais voltar, queria
ficar por aqui.

        . E porque voc e ele se separaram?

. Foi um acidente. Eu ca em um lago, um portal se abriu e se
fechou, logo atrs de mim. Fiquei presa em Unseelie, para mim foram
cinco anos, mas para o mundo trinta. E Alvo ainda me esperava. Ele
estava to lindo quanto trinta anos antes... alis ele ainda  lindo,
mesmo tendo ficado com as barbas brancas... Eu ainda me lembro da
primeira vez que nos beijamos, foi uma coisa meio boba, numa sala vazia
em Hogwarts, samos correndo escondidos porque o beijo fizera um lustre
cantar... emisso mgica, voc sabe.

        . , eu sei.

. Pois ento, eu voltei numa m hora... ele estava combatendo um
bruxo das trevas. No podia me dar ateno, eu queria ajud-lo, mas ele
teve medo de eu me ferir, ento, abriu um portal e me atirou l dentro.

        . Assim?

. , assim. Quando eu voltei para fazer de tudo para leva-lo
comigo ele me disse que no podia mais. Agora era tarde. Ele resistiu ao
meu feitio de glamour .... mas desta vez eu vou ficar e vou convenc-lo
a ir comigo... vamos mudar de assunto? No admire tanto o meu cabelo, 
mais coisa de fadas... para elas o cabelo  muito importante. Eu tenho
muito das fadas em mim.

        . Assim como essa coisa de voc no podar usar varinhas?

. Exato... fiquei tanto tempo entre elas que a magia delas me
"contaminou". Nunca d uma varinha a uma fada.

        . O que acontece?

        . Um desastre

. Muito bem, meu rapaz,  hora de descer deste nibus, voc j
xeretou demais a vida alheia   Harry gelou ao ouvir a voz de Sirius bem
do lado dele.. O padrinho o olhava com a cara de quem vai dar uma grande
bronca. Resolveu sair do pensieve junto com ele.

        . Er... Eu no, bem, sabe...

        . No venha com esse papo que no sabia o que era...

        . Eu fiquei curioso  com a histria da Silvia Spring... 

. Todo mundo fica curioso com a histria dela... isso no 
crime, mas fuar o pensieve alheio  muito feio... porque voc no fuou
o meu?

        . No gostei do que vi nele  Sirius deu uma gargalhada

. Harry, eu s pus l o que eu quero esquecer, voc pelo menos
foi sensato.

        . Sirius, voc sabia essa histria da Silvia Spring?

. Sheeba me contou durante a lua de mel da gente... tem muito
mais detalhes que ela sabe.

        . Esse Alvo,  o Professor Dumbledore?

        . Ele mesmo.

        . Ela ento  mais velha que ele?

. No exatamente, Harry. Ela nasceu primeiro, mas no envelheceu
na mesma velocidade, porque estava em outro mundo onde o tempo passa
diferente, no  fcil para ela entender isso tambm. Entender porque
Dumbledore teve que desistir dela.

        . Puxa... mas ento ela tambm desistiu dele?

        . No exatamente. "Desistiram" por ela...

        . Desistiram?

. Dumbledore no podia ir atrs dela... j estava muito
comprometido com Hogwarts. Voc imagina ele deixando a escola por causa
de uma mulher? Bem, ele pediu a uma pessoa que conjurasse uma poo para
que ela superasse tudo. Demorou um tempo, mas ela superou. Agora parece
que ela gosta do Lupin, e ele dela, pelo que eu sei. No v contar a
Sheeba que andou xeretando o pensieve dela, ela no vai gostar!

        . , eu sei... mas, Sirius, como Sheeba sabe tanto sobre Silvia?

        . Ela xeretou no pensieve de Dumbledore.




----- 



        Enquanto Harry tinha um timo feriado na companhia de seus padrinhos e
amigos,  Draco e Sue passavam os dias mais miserveis da sua vida at
ento. Sue sofria porque no podia sequer saber o que acontecera a
Draco, no tinha como se comunicar com ele, no sabia onde ele morava...
pensou em ir ao beco diagonal e tentar passar uma coruja para ele, mas
a lembrou-se que ele estava em casa, e se seu pai era aquilo que ela
vira no Caldeiro Furado, muito provavelmente a carta nunca chegaria s
mos dele. O pior  que estava com todo aquele dinheiro que ele pedira
que ela guardasse, e ela sentia-se pssima por isso, o que ia fazer com
o dinheiro? Como devolver a ele? Teve ento uma idia.

        Draco por sua vez, era lembrado constantemente pelo pai, cujo maxilar
no pudera ser consertado por um feitio comum e precisara de um
tratamento com poes especiais, dada a gravidade do ferimento, que se
ficasse com o queixo torto poderia agradecer pelo resto da vida ao filho
por isso, a sorte  que pelo menos ele poderia processar aquele canalha
do Black por injria fsica.

        Mas para Lcio no bastava processar Sirius. Aquele soco lembrava-lhe
uma surra que ele recebera de Sirius ainda em Hogwarts quando estavam no
primeiro ano, to ou mais humilhante. Foi por causa desta surra que quis
namorar Sheeba Amapoulos, mesmo sabendo que seu amigo Severo gostava
dela. Os nicos momentos que lembrava com satisfao deste namoro eram
aqueles em que ele via a cara que Black fazia... mas no adiantou muito,
ele agora estava por a de novo, casado com ela, feliz, pronto a achatar
o maxilar de qualquer um que cruzasse seu caminho.

        Descontava a raiva da surra (surra de um soco!!!) que tomara em Draco,
aproveitando-se do fato de passar os dias em casa, afastado do trabalho
 frente da Malfoy & Malfoy feitios e companhia, enquanto usava as
bandagens roxas e feias para tentar pr o queixo pontudo de volta no
lugar.  Passava os dias mugindo de dor na frente do filho, vendo a culpa
estampar-se no rosto do rapaz.  Aproveitava para lembrar a ele que
tinham precisado de carona para o hospital, uma vez que ele tinha dado
quela trouxa ladrona a quantia absurda de TREZE galees, ainda gastando
os ltimos sicles pagando a maldita cerveja amanteigada para a garota!
Draco teria que justificar este ano o investimento que ele fazia nele,
sendo pelo menos o campeo de quadribol. Isso era dito a ele
incessantemente, sem descanso.

        Draco chegara a concluso j h algum tempo que no tinha talento para
ser apanhador de quadribol, se ficava no time era porque o pai vivia
jogando na cara que comprara seis vassouras de corrida para "financiar"
a entrada dele no time, porque afinal ele quisera. Ele no queria ser
melhor que o Potter?  Que fosse ento, vassoura para isso, tinha....
todos os anos quando voltava para casa sem o ttulo era uma humilhao,
da sair correndo logo depois de cada vitria do time para mandar uma
coruja para casa dizendo que ganhara.

        Lcio Malfoy teve mais dois motivos para gritar de raiva pouco antes do
feriado de Natal acabar: primeiro foi a carta-resposta da advogada bruxa
Marsha Cage-Fish, dizendo que se ele processasse seu cliente, Sirius
Black, por injria fsica, este teria provas de sobra para justificar
como legtima defesa contra injria moral, uma vez que testemunhas
idneas presenciaram quando Lcio ofendera moralmente com acusaes
falsas e injuriosas o seu cliente.  Ele bufou e esperneou, mas sabia que
no podia fazer nada.

        No dia seguinte uma coruja minscula veio endereada diretamente a ele,
era uma coruja dos servio postal do beco diagonal, trazia um recibo de
depsito no banco de Gringotes no valor de treze galees e uma cartinha
anexada:

          "Senhor Malfoy

        Seu filho levou-me a um cinema, e como o senhor o criou dentro de um
aqurio sem ver trouxas asquerosos como eu, ele no fazia a mnima idia
de quanto valia o dinheiro que me dera para guardar. Como eu sou antes
de tudo uma Van Helsing, e o senhor j deve ter ouvido falar na
irmandade a qual perteno, famosa por sua retido de carter, depositei
em seu cofre no banco Gringotes a quantia integral que ele me confiou,
sem descontar valor que ele gastou comigo, pois eu no quero que o
senhor diga que pagou cinema para uma trouxa. 

        Espero realmente de todo corao que seu queixo fique torto para
sempre.

        Cordialmente,

        S.A .V.H."

         - Mas isso, isso, isso  um ABUSO!

        Draco ouviu o grito do pai no escritrio e depois ele sair furioso para
socar um elfo domstico. Entrou sorrateiramente l e viu a carta de Sue.
Riu e no pde deixar de pensar: "Essa  a minha garota!"



 

 

CAPTULO 9  A REUNIO DAS FADAS.



 

        Imaginem um ser cabeudo de dez centmetros de altura, com o mau humor
do professor Snape e o pavio curto de Rbeo Hagrid, juntem a isso o fato
de ser uma fada 200 anos mais velha que as outras que estavam em
Hogwarts, o que lhe dava um senso de responsabilidade sobre elas, a quem
tratava com severidade militar. Complementem esta receita com um jeito
ligeiramente desastrado, uma certa propenso a causar acidentes e um par
de asas de gafanhoto nas costas e vocs tero a exata idia de como era
a fada Assobio.

        Era ela que se encarregava de reunir as outras, para saber se elas
estavam bem at o momento em que iam ser realmente necessrias naquele
castelo. E ela fazia isso justificando seu nome. Na tarde imediatamente
antes da volta dos alunos do feriado de Natal, ela ps os dois dedos na
boca e deu o seu famoso assobio.

        Um tremor sacudiu ligeiramente o castelo, mas ningum o percebeu,
apenas o professor Dumbledore, que levantou os olhos de uma carta que
estava escrevendo e prestou ateno. O assobio da fadinha era numa
freqncia to alta que era inaudvel, mesmo para ouvidos de bruxos.

        Fogacho que estava num lustre admirando Severo Snape enquanto ele
passava a limpo seus programas de aula, disparou por dentro de uma
torneira, atravessando as paredes atravs do encanamento at o lugar de
onde viera o assobio. Flauta, que estava no corujal conversando com as
corujas para saber como ia o tempo na Cornualha, voou escada abaixo,
espalhando um brilho azulado atrs de si, Harmonia, que dava piruetas,
invisvel sobre a superfcie do grande lago de Hogwarts,  atravessou uma
janela quebrando o vidro, o que a fez atrasar-se, pois teve de voltar
para consert-lo. Assobio j esperava as trs de cara feia, mesmo sem
saber o que haviam aprontado.


. Muito bem, - disse em pensamento s outras  o que vocs andam
fazendo?

. Bem, eu ando bem ocupada...  comeou fogacho  eu no estou
conseguindo fazer Severo progredir...

. Severo  zangado demais! Porque voc escolhe sempre casos to
difceis?... pelo menos eu espero que dessa vez voc no tenha  Assobio
viu a cara que a outra fada fazia e olhou feio para ela  Fogacho, voc
no se apaixonou pelo Severo tambm, no  mesmo?

        . Ah, ele  to bonito...

. Fogacho, ele nem lava o cabelo! E ns no podemos, voc
sabe... somos seres fantsticos, estamos aqui para ajudar os humanos no
para ficarmos suspirando por eles... e francamente, Severo  to mau
humorado que se voc conseguir fazer com que ele d pelo menos um
sorriso j est muito bom...Voc lembra que da ltima vez que se
apaixonou por um humano...

        . Eu sei, passei trinta anos aqui amassada dentro de um livro...

        . Harmonia, o que voc tem feito?

. No posso sair daqui e Hermione est longe... mas ela j
aceita minha presena,  o prximo passo vai ser ela admitir que gosta do
Rony...

        . E voc j se certificou que ele tambm gosta dela?

        . Isso eu tenho certeza!!!!

. Melhor que Fogacho, que  to grande e no consegue fazer nada
direito  Fogacho abaixou a cabea, evitando o olhar da irm mais velha.
 e voc Flauta?

. Aiaiai... Draco no quer saber muito da minha ajuda... ele tem
medo de mim.

. Claro, voc escolheu um pupilo que foi criado no meio de
coisas feias... no sabe reconhecer a beleza da magia de uma fada...
melhor continuar tentando... e vale a pena perguntar... nenhuma de
vocs...

        . No, nem pensamos em chegar perto do Harry Potter.

. timo, s eu tenho essa autorizao, vocs sabem disso! Fim da
reunio...

. E voc, Assobio? No vai nos contar como anda com Neville? Ele
j melhorou seu problema de autoconfiana?  Fogacho apertava os olhes
na direo dela

. Para sua informao, por minha causa ele j folheou um livro
ao lado de Gina... e eu no perdi a oportunidade de lanar meu feitio
de carisma nele... no perco tempo esperando que nem vocs...

. Mas voc escolheu algum que adoraria ser ajudado  Flauta fez
um muxoxo

        . No importa! Mais uma coisa...

. J sabemos, nenhuma de ns pode usar o feitio de Glamour , s
voc... Para de repetir o que a gente j sabe.

. Muito bem  um pensamento sob a forma de uma voz masculina
muito suave e potente invadiu o pensamento de todas as fadinhas ao mesmo
tempo  Elas levantaram os rostinhos e deram com a face de Alvo
Dumbledore, que olhava para dentro da gaveta vazia onde elas se
escondiam  Eu agora quero saber o que as senhoritas esto fazendo
aqui...


        Assobio ento passou a explicar em pensamentos uma histria longa e
complicadssima a Dumbledore, de vez em quando olhando com o rabo do
olho a face imprescrutvel do bruxo que a escutava completamente calado,
temendo que ele fizesse alguma coisa que as mandasse de volta antes de
concluir a misso... da cabea dele no parecia vir nem um
pensamentozinho escutvel.... Ento ela concluiu:


. E foi por isso, Mestre Alvo, que viemos para c.... concorda
que  muito grave?

. Se vocs esto me contando tudo que sabem, e eu sei que fadas
no mentem, realmente  muito grave... no deveria deix-las soltas por
Hogwarts, e ainda no consigo entender porque vieram com tanta
antecedncia... mas no vou prend-las em gaiolas, porque acho que vocs
querem ajudar pessoas que precisam de ajuda...contanto que tomem
cuidado... mas se vocs fizerem alguma besteira, prometo que chamo
Silvia

. Silvia! Silvia!  As fadinhas ficaram numa alegria
indescritvel

        . Sim, prometo que chamo Silvia e as despacho por um portal.

        . No faa isso, mestre.. no faa...

. No farei, por enquanto... e Fogacho, eu tenho uma sugesto
para te dar sobre Severo...




----



        Naquela noite, Snape estava em sua sala ainda, procurando elaborar o
teste mais difcil possvel para aplicar aos pobres alunos que viriam
com a cabea vazia do feriado de Natal, quando a vela que ele usava
comeou a oscilar. Ele olhou a vela, depois em volta, procurando a
corrente de ar que fazia com que ela se agitasse, ento, ouviu uma
risadinha infantil... sorriu maldosamente e disse:

        - Ento, a fadinha voltou, no  mesmo?  olhava desconfiado, j
preparando a rede de caar morcegos e um grande livro para prender a
fadinha quando na parede  frente dele, uma imagem apareceu. Severo
olhou espantado.

        Como se projetada, apareceu uma figura, a caricatura de Lcio Malfoy,
como ele era na poca de estudante em Hogwarts, chorando de raiva porque
levara uma surra. Snape sorriu ligeiramente, ento a figura trocou, nela
aparecia Harry Potter mostrando a ele um caldeiro derretido como sempre
acontecia com Neville Longbotton. Snape sorriu mais um pouco e a figura
mudou, nela a professora Minerva McGonnagal apareceu beijando um grande
sapo que tinha a cara de Rbeo Hagrid. Snape fez um "hehehe". A figura
seguinte mostrava o professou Dumbledore com a barba e os bigodes muito
sujos de chocolate, como ele vira uma vez h um tempo atrs, e ele riu.
Quando a figura seguinte apareceu ele deu uma gargalhada! Madame Pomfrey
aparecia se coando e com a ratoeira que ele armara pendurada na ponta
do nariz, inchado e vermelho, dizendo: "Snape, voc  um paranico". Mas
nada o preparou para a ltima figura.

        Era uma figura animada. Nela, Sheeba brigava com Sirius, chamando-o de
grande besta idiota, ele gaguejava desculpas e ela rapidamente dizia:
"Vire-se" ele se virava e ela aplicava-lhe um sonoro pontap na bunda, e
Sirius caa de cara no cho. A figura ento voltava o ponto de partida,
e quanto mais via Sheeba chutando a bunda de Sirius Black, mais Snape
ria. J estava se engasgando na prpria risada, ele, que h pelo menos
vinte anos no sabia o que era rir de verdade, rir no porque se est
satisfeito com o resultado de uma poo, e sim porque realmente em
certas horas a vida pode e deve sim, ser muito, muito engraada! Ento a
figura sumiu e a fadinha apareceu na frente dele, exultante. O
pensamento dela invadiu a sua cabea no exato instante em que ele catava
a rede de morcegos, tentando lutar contra os reflexos do riso:


. Foi engraado, Severo?  Snape parou. Olhou para a fadinha que
ria e sorriu de volta.




----

        No dia seguinte, os alunos que voltavam do feriado no puderam
acreditar quando viram o professor Snape: Pela primeira vez em anos seus
cabelos no pareciam ensebados! Ele no estava com uma cara muito melhor
que a habitual, mas pelo menos no parecia prestes a pular no pescoo do
primeiro aluno que lhe desse motivo. Interiormente, ele ria-se disso.
Mais tarde, a fadinha Fogacho disse em pensamento ao professor
Dumbledore:


        . Obrigada, professor, seus desenhos foram muito teis!




 

CAPTULO 10  DE COMO DRACO SEPAROU HARRY E WILLY



 

        Duas semanas depois dos feriados, comearam os treinos do Quadribol.
Harry recebeu uma nova carta de Bianca Fall, e essa ele realmente tinha
motivos para esconder de Willy:



        "Harry,

        Como uma pessoa to sensvel como voc pode namorar uma garota to
antiptica, que alm de tudo se veste como um elfo domstico e anda com
aquele penteado deprimente? Tia Liza se a visse daria gargalhadas! No
que ela seja realmente feia, mas acho que voc mereceria coisa melhor...
e algum que no te questionasse tanto, como voc agenta isso? Ela
parece que no combina em nada contigo, Harry... eu sei que o amor 
cego, mas pense... eu sou sua amiga, estou falando para seu bem.

        Eu acho que ela ficou com cimes de mim... mas tambm, se voc fosse
meu namorado eu tambm teria cimes, no  todo mundo que pode namorar o
apanhador do melhor time da escola..

        Aqui Harry deu um sorriso envaidecido.

         Espero realmente que ela melhore seu temperamento  e no atrapalhe
minha amizade contigo...

        (Mais tarde, quando Rony leu essa carta disse: "Aqui ela est dizendo
na verdade: espero que ela saia da sua vida e deixe o caminho livre para
mim")

         Boa sorte no jogo contra a Sonserina...

        Um beijinho,

                        Bianca Fall"



        Harry escondeu muito bem essa carta no meio de suas coisas, mas ficou
pensando se realmente Willy o questionava demais. 



----



        Quando voltou de casa, Draco, pela primeira vez desde que entrara em
Hogwarts, evitou aproximar-se de Harry ou de Rony para implicar com
eles... a vergonha pelo que seu pai fizera e as conseqncias disso
ainda estavam vvidas demais na cabea dele... no tinha como fazer
farol para eles depois que eles tinham visto Sirius partir o queixo de
seu pai.

        Para completar, Lcio o proibira de levar sua coruja para Hogwarts, e
ele viu-se na incmoda situao de no poder mandar cartas para Sue, uma
vez que seu pai tinha mandado uma carta ao professor Dumbledore dizendo
que ele no estava autorizado a usar nenhuma  coruja do corujal da
escola para postar cartas, pois estava de castigo em relao a isso. Era
humilhao demais, tambm.

        Draco ento, comeou desesperado a pedir aos amigos da Sonserina que
lhe emprestassem uma coruja pois ele precisava muito mandar uma carta,
muito mesmo.  nessas horas que se descobre realmente quem  nosso
amigo... todos os seus colegas eram filhos de pessoas que tinham
relaes com seu pai... e as relaes de seu pai eram sempre baseadas em
medo. Lcio Malfoy no tinha amigos a quem tratasse de igual para igual,
usava sempre seu dinheiro, influncia e posio para desenvolver
"amigos" submissos... fora assim que seu filho tivera dois brutamontes
como guarda costas desde que entrara em Hogwarts. E o pai de Draco
avisara a todos os amigos que no gostaria de saber que seu filho usara
a coruja de um deles emprestada. E para cada coruja que pediu, Draco
ouviu um sonoro "no".

        O que o pai de Draco no sabia era que medo na verdade  uma das
manifestaes mais vivas de dio... o dio que o inferior sente de sua
posio. Draco a vida inteira sentira medo do pai, e ele nunca precisara
apanhar para isso... a sucesso de humilhaes que vivera desde a mais
tenra idade se encarregara de incutir dentro dele um medo enorme e um
dio surdo pela figura de seu pai. Aos dezesseis anos, finalmente Draco
Malfoy descobriu o quanto odiava seu pai. E esse dio comeou a
atrapalh-lo. Bem que a fadinha Flauta tentava ajud-lo, mas Draco era
refratrio a ela, achava que ela no podia ajud-lo em nada.

        Estava no ensaio do grupo de Teatro, e simplesmente no conseguia se
concentrar. Normalmente, era normal para ele distender o peito
imponentemente e se tornar Sibelinus Zenith, o mago orgulhoso e herico
que expulsara Rubro Salmonella, levando o bruxo das trevas a atirar-se
num abismo... mas a ltima coisa que ele se sentia ultimamente era um
heri, estava sentindo-se impotente, pattico, ridculo. Um verdadeiro
lixo. Foi com esse sentimento que foi refugiar-se na coxia da sala de
teatro, baixando a cabea e tirando do rosto os fios  de cabelo que
caam sobre sua testa. Rony Weasley o seguiu:


. Olha aqui, Malfoy, se voc perdeu a vontade de fazer o papel
avisa, no fica dando uma de babaca e ...

        . Cai fora, Weasley, me deixa sozinho, t?

. Voc  um cretino mesmo, aposto que entrou nessa s para se
exibir e agora que no agenta o tranco...  Draco Malfoy levantou-se de
um salto, um dio descontrolado o impeliu a pegar Rony pela gola da
veste e empurr-lo contra a parede, os dentes trincados.

. Eu disse que eu quero ficar sozinho, voc ficou surdo?  Rony
arregalou os olhos, encarando Malfoy: eles j haviam brigado muitas
vezes, eram semelhantes em fsico e altura, mas Rony sempre achara que
Draco no era o tipo do sujeito que se descontrola e parte para a briga,
mas que simplesmente provoca a briga para depois se aproveitar disso,
normalmente de forma covarde. Olhou-o e disse:

. Eu detesto voc,  mas quero muito que essa pea d certo,
Malfoy.... sem voc isso fica impossvel. Pode me dizer o que est
impedindo de ter uma atuao normal?  Rony olhou-o com um interesse
sincero. Draco o encarou. No, eles no eram amigos, mas para falar a
verdade, nenhum dos seus amigos at agora sequer notara que ele no
estava bem, achou ento que podia falar com algum que no era amigo
mesmo.

. Voc lembra daquele dia em Londres  Draco olhou srio para
Rony, antes que ele risse de seu pai, e Rony continuou srio, mesmo
sentindo a satisfao de recordar Lcio Malfoy de queixo partido  Eu
estava com ela, voc viu, no viu?

. Vi, voc estava com Sue, meus parabns, voc ganhou, meu
chapa...  Rony disse amargurado.

. Ah, para com isso , Weasley, ela no quer nada contigo... e o
seu negcio  a Mini-Minerva, que eu sei...

        . Voltando ao seu, assunto, Malfoy...

. Meu pai no podia saber... ele no podia, no d, ele no
entende...

. Ele odeia trouxas, mesmo que eles tenham salvo o pescoo de
seu filho de ser mordido por uma vampira, eu sei...

. Pois bem... ele descobriu e me ferrou... agora eu no  posso
mandar cartas para ela... 

        . Como assim?

. Ele trancou minha coruja em casa, as que vm de casa para mim
so encantadas... s vem de casa para c e daqui para casa... ele mandou
uma carta para Dumbledore dizendo que eu estou proibido de usar as
corujas do corujal da escola...

. Ningum pode te emprestar uma? Seu pai no pode ter encantado
as corujas de todos os seus amigos...

. Quase isso... todos os meus amigos me negaram corujas... acho
que todo mundo tem medo de meu pai

. Eu conheo uma pessoa que daria um chute na bunda de seu pai
com prazer, e que vai te emprestar uma coruja para escrever para Sue...

        . Quem?

. Venha comigo  Rony saiu e ele foi atrs, pediram licena a
Lockheart e Draco viu que Rony tomava a direo do corujal, ele no
sabia que Weasley tinha alguma coruja, sempre achara que ele era pobre
demais para isso. Chegaram ao corujal, e Rony assobiou, olhando para os
lados. Uma coruja minscula bateu no rosto de Draco e pousou no ombro de
Rony, bicando-lhe o pescoo com carinho.

. Pchi, Malfoy, Malfoy, Pchi.  Rony pegou a coruja com uma
mo e estendeu para Draco  Minha coruja, pode usar. Ela pode parecer
pequena demais mas no se engane... voar daqui  Itlia para ela 
moleza... O bom  que  to pequena que ningum vai te dedurar por v-la
contigo Draco olhava para Rony atnito... em outros tempos teria
caoado da corujinha, mas agora era o que tinha, e para quem estava se
sentindo um lixo at meia hora atrs, aquilo era timo. Quase sentiu
vontade de abraar Rony, quase.

        . Eu no sei como agradecer, Weasley!

. Agradea voltando a ser gente na pea... eu no fao isso por
voc, mas por amor a arte...e no roube minha coruja, no tenho dinheiro
para comprar outra.- Rony deu-lhe as costas e desceu a escada


        Draco pela primeira vez se envergonhou de ter zombado da pobreza dos
Weasleys.



----



         "Sue.

        No estranhe esta coruja... foi a melhor que pude arranjar. Mau pai me
proibiu de escrever para voc, mas eu consegui essa coruja emprestada
com um colega, que foi muito legal comigo.

        Sinto muito pelo que meu pai disse a voc. Eu gostaria de ter tido
coragem de partir eu mesmo o queixo dele, mas ele  meu pai e eu no
posso fazer nada quanto a isso. Me perdoe. Obrigada por ter devolvido o
dinheiro. Isso realmente quase matou meu pai de raiva.

        Eu sinto falta de voc, passei contigo a melhor tarde da minha vida,
espero poder te ver de novo, dane-se o que meu pai disser, mas eu gosto
de voc, Sue, eu gosto de estar com voc. Queria que voc gostasse de
mim assim tambm,  possvel?

        Responda minha carta pela mesma coruja, no sei quanto tempo eu vou
levar para te escrever de novo, meu colega pode precisar dela. 

        Com carinho, 

                Draco Malfoy"



        Draco olhou a carta satisfeito... j podia escrever a Sue, seu pai no
podia fazer nada quanto a isso. E j sabia como se vingar de seu pai.
Flauta o olhava, e antes que pudesse dizer-lhe alguma coisa, ele pensou:
"No enche, Flauta!"



------



. Qu? Malfoy saiu do time? O que aconteceu? Falta uma semana
para o jogo!  Harry olhava incrdulo para Hermione, que lhe dera a
notcia.  Ns vamos arras-los!

. O time j tem uma apanhadora nova, Harry.  Harry arregalou os
olhos, lembrando-se subitamente de uma coisa.

        . Willy?  Hermione assentiu e ele engoliu em seco.




-----



        . Harry, qual o problema de me enfrentar no Quadribol?

        . Willy, ns somos namorados... no  certo.

        . Se no  certo, porque ento voc no desiste?


        Harry e Willy estavam discutindo  beira do campo de Quadribol, ela
arrastava Sieglinda atrs de si e ele tinha a Firebolt ao ombro, no cu
os times das duas casas treinavam, prestando ateno disfaradamente na
discusso dos dois.


        . Eu sou apanhador h mais tempo que voc!

        .  Mais um motivo para voc no ter medo de me enfrentar!

        . Willy, eu no tenho medo de voc!

. Ento porque voc quer que eu desista? Vamos, Harry Potter,
jogue contra mim, me vena, se  assim to importante para voc!

        . Porque  to importante para voc?

. No  importante assim, mas eu no posso deixar o time na mo,
Harry!

        . Eu no quero brigar com voc por causa disso!

        . Mas j est brigando, Harry!

        . Willy, desista!

. Harry, v catar besouros!  E Willy subiu na sua vassoura,
cortando o ar.        


        Naquele momento, Harry odiou Draco Malfoy mais que nunca em sua vida.



 

 

----

        No terminaram o namoro, mas as coisas entre eles ficaram complicadas,
se encontraram na sala de transformao  noite na antevspera do jogo e
Harry pediu desculpas a ela.... porm meia hora depois j estava de novo
tentando dissuadi-la a desistir do jogo.  No conseguiu e fingiu
desistir, mas dentro dele, continuava achando que ela no tinha o
direito de fazer isso com ele...

        No dia da partida, ainda foi at ela na hora do caf. Willy j estava
vestida com a roupa do time, e olhou para ele tranqilamente, dizendo,
com um sorriso:


        . Boa sorte, meu amor...

        . Willy, eu...

. Harry, eu no vou desistir... o que h com voc?  o melhor
apanhador da escola... eu acho que no sou to boa quanto voc! Porque
voc no quer me enfrentar?

        . No  isso, eu no quero que voc me enfrente...

        . O qu? Harry, voc bebeu gua da privada?

. Voc me enfrenta, Willy, o tempo todo... gosta de me
enfrentar.

        . Quem te disse isso, Harry?

        . Ningum.

. No, at pouco tempo voc no ligava para isso... quer saber,
Harry, acho que afinal, voc no est to certo assim se gosta de mim...
eu te enfrento, essa  boa.

        . Eu no queria brigar com voc por causa disso...

.  mas est brigando... Quer saber, Harry, eu vou entrar l, e
se eu ganhar, espero que voc ainda goste de mim, porque eu vou jogar
como se voc fosse um outro jogador qualquer... faa o mesmo comigo.


        Falar  muito fcil. Quando o jogo comeou e Harry viu Willy pequenina,
entrando em suas vestes verdes, como sempre grandes demais para ela, ele
sentiu uma coisa dentro do peito, um frio na barriga. No queria perder,
mas tambm no queria ganhar e comemorar uma vitria sobre a sua
namorada. Subiu para o cu,  olhando em busca do pomo, queria realmente
peg-lo primeiro, mas s para mostrar alguma coisa a ela, que no valia
a pena ela question-lo...

        J jogavam a meia hora e a Grifnria perdia por dez pontos quando ele e
Willy viram o pomo ao mesmo tempo, Harry disparou, sentindo um certo
desespero ao notar que Willy estava exatamente emparelhada com ele, iam
na mesma velocidade na direo do pomo, Harry pensando: "Eu tenho que
pegar, tenho que pegar, tenho que pegar!"

        Pegou e virou-se na direo que ela estava e para sua surpresa, Willy
parara um metro  frente dele, passara do pomo e o deixara para ele, mas
fingira que se desequilibrara e no conseguira peg-lo. Ele olhou-a e ia
dizer alguma coisa, quando ela disparou para o cho, olhando-o magoada e
saiu do campo. No teve muita graa ser carregado pelo time e festejado
pela escola toda depois disso, mas ele no conseguia fugir deles.
Encontrou-a finalmente depois de horas, trancada no banheiro da Murta.


        . Willy, eu quero falar com voc!

. V embora, Harry  Willy falou de dentro do box, onde estava
chorando.

        . Me perdoe.

        . Voc no fez nada. S ganhou.

        . Mas eu no mereci... voc deixou que eu pegasse.

        . Deixei. 

. Willy, porque voc fez isso?  Ela abriu a porta do banheiro,
e olhou-o .

. Porque para mim voc  mais importante que um jogo idiota.
Tome  deu-lha a pulseira que ele lhe dera de aniversrio  acabou.


        Voltou para dentro do box e o trancou, deixando do lado de fora o que
sobrou dele em p, com a cara mais idiota do mundo. Grifnria ganhara,
estava na frente no Quadribol e no campeonato de casas e, pela primeira
vez desde que entrara em Hogwarts, isso no tinha a mnima graa. 



 

CAPTULO 11  A NOVA WILLY E A NOVA HERMIONE



        Comeou muito lentamente, como toda mudana irreversvel. Primeiro foi
a Sieglinda, que agora ficava muito bem guardada dentro do ba dela, s
saindo nos dias do treino de quadribol. A mudana seguinte, foi um
tiquinho mais significativa. Willy olhou uma manh para a velha veste de
Hogwarts que pertencera a seu pai, grande demais para a sua silhueta de
garota baixinha e magrinha, e, como quem diz adeus a um velho amigo
dobrou-a e colocou-a dentro do malo.  Sobre sua cama, no dormitrio da
Sonserina estava uma veste nova em folha, que seu pai tinha mandado pela
coruja... era uma veste de estudante quase igual as outras... quase.

        Seu pai estivera no Norte da frica junto com John Van Helsing. No
abandonara a Fundao, o lugar onde estudara e fora criado, onde
trabalhara durante anos com Aristteles Hemerinos. Mas simplesmente ele
resolvera fazer mais pesquisa de campo e quando John o chamou para matar
uma meia dzia dos legtimos e perigosssimos vampiros marroquinos, um
tipo raro de criatura que ele sempre quisera estudar, Atlantis fora num
piscar de olhos, pedindo licena ao seu atual chefe. Foi l que numa
banca de tecidos viu um corte de tecido negro e frio, meio brilhoso e
acetinado, e imaginou como a filha ficaria bonita numa veste feita com
aquele tecido. Nem bem chegou de volta  fundao e pediu  Silvia
Spring, que tinha muito jeito para costura e era amiga de longa data de
Atlantis, que fizesse uma veste de estudante com aquele tecido. Silvia
caprichou bastante e conjurou um escudo de Hogwarts meio brilhoso ao
peito.

        Quando vestiu por cima da cabea a veste e ela assentou-lhe ao corpo,
Willy conteve uma exclamao de surpresa. Sim, ela ainda era pequena e
magra demais... mas diante do espelho despontava, fina porm curvilnea,
a figura muito bonita de uma adolescente de quinze anos. A veste
ajustara-se sozinha na cintura, e como tudo que Silvia Spring fazia com
suas mos de fada, era muito bem feita. No peito, o escudo de Hogwarts
com o texugo, a guia, o leo e a cobra parecia cintilar ligeiramente.

        No primeiro dia que usou a veste, sentiu alguns pares de olhos
cravando-se sobre ela. Willy, o elfo domstico, morrera de vez,
desmanchara-se em cinzas... agora, como uma fnix, dessas cinzas de seu
namoro com Harry Potter, ressurgia na forma de Willy, a linda menina que
em pouco tempo, metade da escola ia querer namorar. Quando Rony a viu de
longe naquele dia, deu um cutuco to forte em Harry que esse quase caiu
com a cara dentro do prato de mingau. Quando finalmente descobriu do que
se tratava, Harry sentiu seu peito apertar de remorso e arrependimento.
E ele no calculava que a mudana apenas comeava.

        O passo seguinte foi dado sobre sapatos abotinados com saltos com 4 cm
de altura, que ela usou durante dias  noite escondida andando pelos
corredores de Hogwarts usando sua capa de invisibilidade, para no cair
quando os usasse durante o dia. Willy sempre usara botinas meio
desconjuntadas, que algumas garotas gostavam de chamar de "sapatos de
ano", com solados grossos de borracha e cadaros que viviam
desamarrando e fazendo-a tropear pelo corredor. Quando finalmente
sentiu-se segura sobre os sapatos novos, ela os usou para assistir s
aulas. Andar sobre saltinhos requer disciplina e ateno, quando ela
passou, reta e ligeiramente mais alta por Harry, fazendo questo de
dizer a ele "Bom dia, Harry", este sentiu-se realmente o mais idiota dos
bruxos sobre a terra. "S falta agora ela namorar o Malfoy" , ele
pensou.

        Draco percebeu a mudana em Willy, claro que percebeu, e no perdeu a
oportunidade de dizer em voz alta perto de Harry: 


. Vejam s, agora que ela dispensou o Potter est virando uma
bruxa bonitinha... ficar do lado dele faz muito mal, no  mesmo? S
no caoou mais porque Rony fez a ele um sinal inconfundvel que dizia
que ou ele parava com isso ou esquecia a corujinha que pegara emprestada
com Rony. E ele parou.


        Mas foi a ltima mudana que realmente fez com que Harry se sentisse um
trapo miservel largado em um canto. Numa manh, Willy trancou-se no
banheiro e olhou-se no espelho. Seu cabelo, pouco acima dos ombros e
cheio de pontas, caa-lhe num corte esquisito, a franja picotada e
irregular num comprimento meio estranho. Quando solto, irritava-lhe pois
caa sobre os olhos, e quando preso, ficava  se soltando, fazendo uma
nuvem de fios viver balanando-se sobre sua cabea. Ela sorriu para o
espelho, agora estava pronta... era esperta e prestara ateno em como
Hermione fizera isso nela h um tempo atrs, e como era to inteligente
quanto ela, depois de algumas consultas a livros mais avanados de
transfigurao, sentia-se apta a tentar.

        Fechou os olhos. Apontou  a varinha para os prprios cabelos e se
concentrou, imaginando-os a carem sedosos sobre seus ombros, na mesma
cor castanho dourada que tinham, e sentiu que eles cresciam-lhe at o
meio das costas. Abriu os olhos e conteve um grito. Maravilhada passou
as mos pelos prprios cabelos, que agora estavam exatamente do jeito
que imaginara, emoldurando-lhe com perfeio o rosto, harmonizados com
seus olhos castanhos claros e sua pele de um tom creme dourado. Agora
podia-se dizer que Wilhemina Fischer estava realmente linda. A franja
repicada fora-se e ela jogou uma mecha de cabelo por cima da cabea,
sentindo-se feliz e poderosa ao fazer isso. Triunfante, seguiu para
tomar o caf da manh.

        Um mar de cabeas virava-se  sua passagem. " Willy?" "No pode ser"
"mas ela est to diferente!"  Ela sentou-se sorridente entre suas
colegas de turma que a olharam de cara feia, mortas de inveja. Deu um
sorriso para elas e disse que estava muito bem disposta aquela manh. A
coruja de Harry veio voando e jogou sobre ela um bilhete curto, uma
palavra s: "Perdoe-me!" Ela olhou o bilhete e murmurou: "Ainda no".
Levantou os olhos e olhou severamente para Harry, balanando a cabea em
negao. Ele afundou na cadeira deprimido. Disfaradamente, ela viu
Hermione fazer um sinal que dizia: " isso a, garota!" e sorriu.



        Digamos que  Hermione tenha sido uma espcie de cmplice na
transformao de Willy. No dia em que ela terminou o namoro com Harry,
Hermione o viu com a pulseira na mo e foi procurar Willy. Na verdade
ela se preocupara muito com a menina, pois vendo a barra da veste de
Harry molhada, conclura que ele encontrara Willy no banheiro da Murta,
e conhecendo esta e suas tendncias depressivas e suicidas, achou que
ela no era a melhor companhia para Willy naquele momento.

        A fadinha Harmonia seguia-lhe invisvel, perguntando se queria ajuda,
se ia ser bom que ela desse uma mozinha a Willy, afinal, ela tambm
gostara muito da menina, no tinha nada demais ela ajudar. Hermione
pensou, espantando a fadinha "Depois, Harmonia... agora ela precisa de
algum como eu". Entrou no banheiro e gritou por Willy,  Ouviu o "splot"
que a Murta fazia ao mergulhar no vaso e bateu no box, dizendo:


. Eu sei que voc est a, Willy... saia, precisamos conversar.
 Ouviu um "cleck!" e Willy saiu de dentro do box, a cara amassada, os
olhos injetados de tanto chorar. Hermione balanou a cabea tristemente
e disse: - O que a Murta estava te dizendo? Algo me diz que no melhorou
em nada seu estado.

. Ela estava chamando o Harry de canalha  Willy ento ps a mo
no rosto, chorando como uma criana, Hermione abraou-a e disse, meio
sem graa:

        . No chore, Willy... ele gosta de voc... vai passar

. No vai no... ele no gosta de mim Hermione... no como eu
gosto dele.

. Escute, Willy... eu preciso te dizer uma coisa, lembra aquela
histria maluca que voc me contou e eu no acreditei sobre o dia que
vocs comearam a namorar?

        . Quando a gente viajou no tempo?

. , isso mesmo... eu estudei sobre emisso mgica involuntria
 Willy deu um sorriso, lembrar do beijo era bom  Willy, pode
acontecer, eu li, mas com a fora que aconteceu com vocs...  s se for
um encontro de almas, sabe?

        . Encontro de almas?

. , como Sirius e Sheeba, como os pais de Harry, os seus
pais... Willy, vocs foram feitos um para o outro...

        . Porque voc leu sobre isso, Hermione?

. Eu queria... saber alguma coisa sobre isso.. no  coisa que
os professores ensinem, entende?

. Hermione...  por causa de Rony?  Hermione no respondeu 
Pois eu acho que vocs dois foram feitos muito mais um para o outro que
eu e Harry...

        . , mas quando a gente se beijava, nada acontecia...

. E da, s mostra como isso  uma tremenda baboseira...
encontro de almas..., t!

. Willy... eu queria te contar uma coisa  Hermione contou a
Willy o dia em que vira Rony ensaiando e tudo que sentira.. Willy
olhava-a incrdula. Finalmente, disse:

        . Hermione... acho que voc tem que falar com ele.

        . Mas eu no posso!

. Willy, ele gosta de voc! Sabia que ele leu Hogwarts, uma
histria por sua causa?

        . Sheeba me contou...

. E que ele tomou poo de ps inquietos para danar contigo 
noite toda no casamento de Sirius e Sheeba?

        . Sim... mas eu at h muito pouco tempo tinha... vergonha dele.

        . Vergonha?

        . ... eu achava que no podia, sabe... que ele no era...

        . Bom o suficiente para voc?  isso?

        .   Suspirou Hermione

. Hermione... sabe o que eu acho? Que no era ele que era
infantil apenas... voc tambm. J reparou como para voc no ser a
primeira em tudo  o fim do mundo?

        . No  verdade!

        .  verdade! Voc no... no... no relaxa!

        . No relaxo?

. . Vive tensa... que nem a professora Minerva, por isso que te
chamam de Mini-Minerva!

        . Eu detesto esse apelido!

        . Ento aprenda a relaxar!

. Nixo eu poxo ajudar! Poxo ajudar ax duax  uma voz fininha fez
Willy voltar a cabea. Ela arregalou os olhos ao ver Harmonia e
automaticamente lembrou da dana na sala de feitios. Um pensamento
entrou em sua cabea, e foi como se ela ouvisse: "eu tenho um plano, me
escutem"




-----



        Ao mesmo tempo que Willy operou uma transformao fsica em si mesma,
Hermione lentamente foi lutando contra sua tendncia a levar tudo 
ferro e fogo... primeiro foi quando dois alunos do primeiro ano estavam
correndo por um corredor e pararam assustados quando a viram... em vez
de ralhar ela disse simplesmente, numa voz cordial:

        - Eu sei que s vezes a gente no agenta, mas tentem no correr no
horrio das aulas. Eu no gostaria de surpreend-los de novo e precisar
descontar pontos por isso  disse e saiu sorrindo, sentindo-se melhor ao
ver que no haviam olhares assassinos cravados em suas costas.

        Uns dias depois, foi com Rony que ela foi diferente. Ela aproximou-se
dele sorrindo e disse: 


. Eu e Willy assistimos o ensaio ontem, Rony. Voc est muito
bem... e o melhor do elenco, muito melhor que o Malfoy.  Ela omitiu
prudentemente o fato que segurara os braos da cadeira cravando as unhas
neles quando ele beijara Padma Patil em cena.

. Puxa, obrigado, Hermione... voc acha que tem alguma coisa que
eu possa... melhorar?

. No, Rony, voc est perfeito  ela sorriu para ele e ele
ficou muito feliz.


        Dias depois, ela estava lendo um livro de Silvia Spring, o mesmo que
Gina lera e ela se interessara, justamente porque reconhecera Harmonia
numa das figuras. Quando Rony se aproximou, perguntando de que se
tratava o livro, ela mostrou a capa e conversaram brevemente, at que
ele finalmente disse:


. A autora  Silvia Spring? Voc sabia que ela est em Hogwarts,
uma histria?

        . Acho que eu li algo sobre isso!

. , ela  a garota que teve uma cama na Corvinal durante quinze
anos!

        . Isso mesmo! Rony, voc leu Hogwarts, uma histria?

        .  li...  ele s pensou "por sua causa!" 


        Lendo esse pensamento, Harmonia que rondava o lugar, sorriu satisfeita:
"Acho que junto esses dois at o fim do meu prazo!" O prazo terminava na
Pscoa. Ela tinha um ms.



 

 

 

CAPTULO 12  O CENRIO DA HANNAH SUMMER E O FIGURINO DE LIZA LIONHEART



        Conforme ia chegando o dia da estria da pea, a excitao do professor
Lockheart ia aumentando... seriam emitidos convites e inmeras
personalidades do mundo da magia compareceriam   estria da pea...
depois haveria um grande baile, por sugesto do professor Dumbledore,
que adorava um motivo para ouvir boa msica e danar. As coisas iam
crescendo de proporo, vagarosamente, e agora, faltando pouco menos que
um ms para o grande dia, realmente ele acreditava que precisavam de um
pouco mais de recursos do que a escola podia oferecer, e andava atrs de
Sheeba de um lado para o outro, perguntando a opinio dela sobre as
coisas, e principalmente, pedindo que ela tocasse tudo e todos para
saber se correria tudo bem...


        . Sheeba, voc sabe,  muito importante para mim...

. Eu sei, Lockheart,  sua reentrada no mundo da magia, tem que
se recuperar da vergonha  os ltimos meses da gravidez de Sheeba,
passados dentro de uma veste ampla azul-cerleo , eram acompanhados de
um mau humor indizvel. Ela faria qualquer coisa, QUALQUER COISA MESMO,
para se livrar do mala que era Lockheart.

        . Quem sabe se algum realmente importante  visse a pea...

. Eu j te disse que Daniel Dubois vem, Lockheart... No conheo
ningum nesse cenrio mais importante que ele...

. Por falar em cenrio... eu sei que sou muito talentoso, mas a
escola no tem muitos recursos, sabe  Sheeba olhou-o mau humorada, isso
sim era uma grande piada... eles podiam fazer qualquer coisa,  qualquer
coisa que quisessem em Hogwarts! Recursos no faltavam! O talento dele
como cengrafo  que era realmente limitado...

. Lockheart... se a escola contratar um cengrafo profissional,
o ministrio da Magia demite todos ns... no h verba para isso. 

        .  uma pena... no existem cengrafos generosos...

. Espere um momento... como eu no pensei nisso antes! No
precisamos contratar ningum... conheo uma pessoa que faria de graa...
ela faria qualquer coisa para conhecer Hogwarts, afinal o marido dela
estudou aqui e ela vive falando nisso. Vou chamar Hannah Summer!

. Hannah Summer!  Lockheart deu um gritinho excitado  mas ela
sabe fazer cenrios?

. Ela  a bruxa mais criativa que eu j conheci... Hannah faz
qualquer coisa.

. Oh! Que maravilha... mas...  o sorriso brilhante de Lockheart
morreu nos lbios.  Com esse cenrio to maravilhoso, bem, nosso
figurino vai parecer to... to pobre...

. Ah, Lockheart, o que mais voc quer que eu faa? Eu no tenho
o mnimo jeito para costura... nisso eu no posso... espere... Liza est
em Londres! Ela  minha amiga! Pode vir aqui dar uma forcinha! 

. Liza? Liza LionHeart?  "pof!" Esse foi o som de Gilderoy
Lockheart desmaiando.




----

        A primeira a chegar foi Hannah Summer. Era uma bruxa brasileira,
morena, magra e ansiosa, que usava os cabelos pretos muito curtos e
falava alto, com uma ligeira tendncia ao escndalo... Sheeba costumava
dizer que ela era o "elfo" que dera certo pois nascera mulher(em tempo,
"elfo", para um bruxo era mais ou menos o que "gay"  para ns). Hannah
vinha numa vistosa veste amarelo mostarda, com uma valise pequena de
design  antigo, com grandes fechos que se algum tentasse arromb-los
mordiam os dedos do ladro. Veio acompanhada de uma bruxa alta e de
olhar fatal, em vestes pretas exuberantes, metade do colo de fora. Era
Alexandra Wolf.


. Hannah, que idia maluca foi essa de trazer a Alexandra? 
Sheeba disse  bruxa

. Ah, ela estava l em casa passando uns dias... no consegui me
livrar dela...

        . Aiaiai... h quanto tempo ela est sozinha?

        . Dois meses... eu acho.

. Dois meses? Voc sabe como ela fica perigosa quando fica dois
meses sozinha?  Sheeba virou-se para a outra bruxa e disse:

. Alexandra, estamos numa escola, todos os rapazes que esto
aqui so menores de idade....LEMBRE-SE DISSO, ENTENDEU?

. Calma, Sheeba... eu nem estava pensando nisso... quem  o
bonito loiro?

. Lockheart? Ah, minha querida, esquece, ele  totalmente
"lfico"

        . Que pena... E aquele outro, de cabelo preto, meio magrinho?

. Severo? Eu acho melhor voc ficar longe dele, se no quiser
acabar encolhida por uma poo...




        Metade da escola estava curiosa para ver os cenrios que Hannah Summer
ia conjurar. Quando ela dirigiu-se  sala de teatro, onde faria uma
verso menor do cenrio, que no dia da estria teria de ser aumentada
at a proporo do palco a ser instalado no grande salo, um monte de
olhos curiosos a seguiu. Ela deu um toque em sua valise, que se
transformou numa prancheta de esboos, com vrios blocos de papel
arrumados e lpis de todas as cores, ela olhou o roteiro da pea
rapidamente e comeou a rabiscar febrilmente nas folhas. Apenas os
alunos do curso de teatro poderiam ver a bruxa trabalhando. Rony pediu a
Sheeba e ela permitiu que Harry, Willy e Hermione vissem a criao do
cenrio tambm. Sirius veio dar uma espiadela e saiu rapidamente ao ver
Alexandra Wolf no recinto. Snape estava por ali para ajudar, se
precisassem de alguma poo de tingimento.

        Hannah estava trabalhando h meia hora quando a porta da sala de teatro
abriu-se com um estrondo. Liza LionHeart entrou, seguida por um elfo
domstico que vinha carregado com uma pilha de tecidos brilhantes e
coloridos, mais alguns acessrios de desenho e algumas pastas de
croquis. Ela no era to bonita,  mas parecia uma bruxa preparada para
ofuscar todas as outras num raio de quinhentos metros com suas roupas.
Usava uma veste preta, tomara-que-caia, brilhosa e cintilante, seus
cabelos longos e ruivos desciam em cascata encaracolados at abaixo da
cintura, seu queixo ligeiramente protuberante apontava para o alto e o
elfo domstico esforava-se para segu-la de perto sem pisar na capa
negra e  difana que  se arrastava alguns metros atrs da bruxa. Ela
usava saltos agulha altssimos e sorriu ao ver Sheeba:


. Nossa, Sheeba... como sua barriga est... grande!   Sheeba
fuzilou-a com um olhar e disse:

. Poderia dizer a mesma coisa, se voc j tivesse tido a coragem
de estragar sua cinturinha com uma bela ninhada, no  mesmo, querida?

. Ah, voc est parecendo a Beth, dizendo procriem, procriem! 
Liza olhou para a outra bruxa e disse: Ah, Hannah... voc deixou para
fazer os croquis aqui? Eu j trouxe tudo pronto... comecei a trabalhar
assim que Sheeba me chamou...  A outra bruxa levantou os olhos do
desenho que fazia e deu um olhar assassino para ela, sorriu de forma
quase selvagem e disse:

. Pois , eu sei que voc trabalha bem mais devagar que eu,
Liza.




        Enquanto as bruxas trocavam veneno e Alexandra Wolf tentava
aproximar-se de Snape, que dava dois passos na direo oposta cada vez
que ela dava um na direo dele, Harry olhava Willy com o rabo do olho,
em p ao lado de Rony:


        . Quem sabe se voc falasse com ela?  Rony disse baixo para ele

. Agora que ela virou a musa da Sonserina? Nem pensar, ela me
trata como se eu fosse uma ratazana, no vou me humilhar pela terceira
vez...

. Ah, Harry, ela gosta de voc e voc dela, seu panaca... ou
voc acha que ele se tornou esse pituzinho para impressionar o babaca
do Malfoy?

. Eu ouvi isso, Weasley...  Draco falou atrs de Rony. Harry
estranhou o comentrio no ser seguido pela habitual tentativa de
humilhao, e olhou para Rony, que no disse nada, voltando a olhar para
as bruxas que trabalhavam.

. No importa... se ela quiser ficar comigo, vai ter que descer
desse pedestal!

. Te garanto que ela no vai voltar a ser um elfo domstico por
sua causa, Harry. Quando uma garota experimenta ser um pouquinho bonita,
nunca mais vai querer ser feia... veja Hermione... reparou como ela
mudou depois que encolheu aquele dente?

        . Voc notou como ela mudou, Rony? Est to simptica...


        Neste momento, Hannah Summer chamou Rony, para explicar-lhe algumas
coisas que ele teria de fazer, sua interao com o cenrio da pea. Ele
foi seguindo-a, enquanto ela gesticulava e falava sem parar, de vez em
quando o queixo de Rony caa, em pouco tempo ele veio para junto de
Harry e a bruxa chamou Draco. Rony disse:

        - Cara, voc no perde por esperar esta pea... essa mulher teve idias
que Lockheart nem poderia sonhar.. e vou ter que ficar craque em alguns
feitios para poder trabalhar tranqilamente.  Nem bem terminou de
dizer isso, Liza LionHeart o convocou, e ele andou at ela.

        No meio tempo em que estivera conversando com Rony, Harry no notara
que Liza praticamente executara quase todo figurino da pea... at a
Murta, mesmo sendo figurante, ganhara uma roupa de poca feita em tecido
ectoplsmico! Alguns jovens do elenco haviam sofrido transfiguraes de
imagem pessoal, Colin Creevey por exemplo ostentava agora um cabelo
crespo e duas costeletas, e Padma Patil e Lil Brown  ganharam cabelos
abaixo da cintura, arrumados em longas tranas. Harry ficou observando
enquanto Liza avaliava Rony:

        - Eu fiz uma pesquisa, meu rapaz e posso afirmar que voc praticamente
 Rubro Salmonella! Veja  mostrou a ele a figura de um bruxo de olhar
maligno e cabelos ruivos como os dele, mas um tanto mais branco e menos
sardento. Ele usava um chapu cnico grande de abas largas e meio
desabadas e uma capa negra enorme, com mangas e cheia de bolsos
internos. Liza olhou para ele e disse: - Fique exatamente onde est!

        Ela espalhou alguns tecidos, linhas e agulhas no cho, e de dentro de
uma caixa tirou um chapu que em nada parecia com o do bruxo da figura.
Ela apontou a varinha para os tecidos e disse:

        - Indumenta!   Uma fita mtrica surgida sabia-se l de onde, tirou
medidas de Rony. Um dos tecidos do cho o envolveu, como se estivesse
pensando na melhor forma de vest-lo. Ento, depois de alguns barulhos
de tecido sendo cortado, Rony viu uma veste negra meio grossa ser
costurada sobre seu corpo. A seguir, uma grande pea de camura
ergueu-se do cho e enrolou-se nele, em segundos transformou-se numa
capa cheia de bolsos, que se mexia como se em cada bolso houvesse uma
doninha louca para sair. Na gola surgiu um arremate em pelo negro de
arminho.


        . O que  isso?  Perguntou Rony assustado

.  s uma simulao, no se assuste, quando voc tir-la ela
para de se mexer...  uma imitao da capa viva de Rubro Salmonella.
Agora s falta uma coisa!  Ela atirou o chapu na direo de Rony e
quando ele tocou seus cabelos, ficou perfeitamente igual ao da figura.


         Ele virou-se para Harry, que olhou-o aplaudindo febrilmente, depois
para Willy e Hermione, que faziam o mesmo. Ento,  curvou-se numa
reverncia elegante, tirando o chapu como quem cumprimenta o pblico. 

        - Terminei com voc!  Sorriu satisfeita Liza LionHeart- S falta agora
o outro protagonista!  Draco veio andando na direo dela com cara de
tdio. Ela avaliou-o com um olhar e disse: - Voc vai ter sofrer uma
grande transfigurao pessoal... no se assuste, est bem? Temos que
fazer com certa antecedncia para que voc se acostume, no vou poder
desfaze-la depois da prova de figurino porque voc vai precisar ensaiar
com ela... feche os olhos, por favor.  Draco fechou os olhos no
gostando muito desta idia, pensando o que afinal a bruxa tinha em
mente... Comeou a ouvir gargalhadas pelo salo e abriu os olhos, seu
queixo caiu.

        Liza LionHeart fizera com que seus cabelos crescessem at a cintura...
ouvia risos de mofa pelo salo, enquanto alguns garotos  rolavam de rir
chamando-o de elfo e de fadinha. Ele olhou bem zangado para a bruxa:


        . Posso ensaiar com uma peruca... por favor, desfaa essa coisa!

. Quem disse que eu terminei, garoto?  Liza olhou-o com
rispidez  Voc provavelmente vai gostar tanto da segunda parte que vai
querer ficar assim para sempre... agora, feche os olhos!


        Ele fechou os olhos novamente. Repentinamente sentiu um aperto no peito
e sua roupa comeou a sufoc-lo, ele ouviu a veste se rasgar nos
braos... agora no se ouvia mais nenhum riso pelo salo. A veste se
rasgou nas costas e ele se preocupou, pensando na cor da cueca que
usava. Quase automaticamente, sentiu que calas surgiam debaixo das
vestes e respirou aliviado. Ento sentiu que sua veste de estudante se
partia e caa a seus ps. Ele abriu os olhos. Todos os rostos olhavam
para ele atnitos.

        Draco estava de p no meio da sala de teatro. Agora usava botas de
couro grossas e uma cala preta, olhou para suas pernas e viu que elas
deviam estar pelo menos dez centmetros mais grossas, passou a mo pelo
peito nu e descobriu que ele agora estava com todos os msculos do corpo
desenvolvidos como se fizesse musculao h algum tempo. Sentiu-se meio
ridculo at que viu como uma menina o olhava e gostou bastante da
sensao. Estava musculoso, mas no um monstro, seu corpo meio magricela
simplesmente se tornara atltico. E com aquele cabelo longo, era
impossvel no not-lo. Draco Malfoy agora finalmente parecia um heri.
Ento Liza LionHeart conjurou uma veste curta e uma capa negra sem
mangas, uma bainha de espada, onde se encaixou suavemente uma espada
falsa prateada e disse:


        . Terminei, darling... me diga agora se voc no gostou...




 

CAPTULO 13   GLAMOUR E POPULARIDADE



        Enquanto a escola se preparava numa excitao contida para a festa da
Pscoa, a fada Assobio e suas irms procuravam deixar seus pupilos o
mais prximos o possvel daquilo que elas concebiam como felicidade...

        Fogacho finalmente convencera-se que Severo no nascera para ser
exatamente uma pessoa feliz, nem mesmo alegre demais... talvez um pouco
contente de vez em quando e j se dera satisfeita com os resultados. Ele
desistira de prender a fadinha em um livro, e se preocupou quando ela,
contrariando a regra n 1 que Assobio estabelecera, contou a ele o
verdadeiro motivo das presena das fadas em Hogwarts, e aproveitou para
dizer a ela que ajudaria no que pudesse.

        Flauta quase abandonara Draco quando este se tornou aquela espcie de
Viking, tamanha a arrogncia que ele desenvolvera por causa disso.
Estava cansada de levar petelecos dele.

        Harmonia estava superconfiante em relao s irms, a ajuda que dera a
Willy e Hermione, sendo que o fato desta ltima estar agora bem mais
afvel, fazia com que ela achasse que cumpria muito bem o seu papel.

        Assobio continuava a no dizer muita coisa sobre Neville... porque este
quase no progredira. Depois daquele comeo animador na sala comunal da
Grifnria, ele simplesmente no conseguia mais progredir com Gina... e
apesar de Snape ter melhorado um pouquinho seu humor, isso no
significava necessariamente que ele tivesse melhorado o conceito que
tinha de alguns alunos... Ela deveria deixar de trabalhar com ele uma
semana antes da Pscoa, quando comearia junto com as irms  a conjurar
uma magia fortssima, que era o verdadeiro motivo delas estarem ali.
Realmente, no havia mais tempo... era hora de apelar... chamou Neville
e explicou-lhe o plano... ele no acreditou muito nela.


        . Eu vou ficar irresistvel ?

. Qual o problema disso?  Voc no quer namorar Gina? Quanto 
sua nota com Severo, eu j fiz o que podia...

. Bem, h seis semanas que eu no derreto nenhum caldeiro 
Neville pensou sorridente  e depois que voc me ensinou a cantar
musiquinhas para decorar as poes ficou mais fcil, acho que vai dar
para pelo menos eu tirar a nota mnima e no depender tanto da mdia de
Herbologia... mas ainda acho que no vou nunca ficar irresistvel.

. Bem, voc j sabe o que tem que fazer, certo? Agora
encontre-a.


        O mais difcil para Neville seria conseguir ficar  ss com Gina... era
um Domingo o inverno j acabara, a neve l fora comeava a se derreter e
alguns alunos finalmente se animavam a sair da escola, onde Gina poderia
estar? Era mais difcil acha-la do que ao seu sapo, quando este sumia...
voltou desanimado para o salo da Grifnria, ento deu de cara com Gina,
que agora lia o volume sobre as fadas no to boas da corte de Unseelie.
Ele se aproximou meio gaguejante como sempre:


        . Gina, eu, eu...

        . Neville, voc quer sentar-se para ler comigo?

        . Na  verdade, bem, no...

        . No?  Gina pareceu decepcionada

. Eu queria te mostrar uma... uma coisa... se voc pudesse vir
comigo... no  nada demais, mas eu queria que voc visse. L na sala de
feitios.




Enquanto isso, Assobio esperava ansiosa na sala de feitios, repetindo
mentalmente a conjurao do feitio de Glamour, que tornava cada pessoa
que o usava irresistvel. A porta comeou a se abrir e ela lanou o
feitio, sem perceber que quem entrara na verdade fora o professor
Flitchwick, que viera buscar uma coisinha em sua sala. Ele mesmo no
percebeu o lindo halo azulado que o envolveu, tornando-o um ser
fantstico aos olhos de qualquer ser que no fosse um elfo ou uma
fada... Assobio ficou um instante parada, pensando: "Essa no, o que eu
fiz... se a rainha souber eu perco a autorizao que demorei oitocentos
anos para conseguir e nunca mais vo me deixar fazer nem um feiticinho
de carisma, quanto mais um de Glamour!" O professor saiu da sala e ela o
seguiu, esquecendo-se inclusive que no estava mais invisvel...



----

        Minutos depois, Neville chegou com Gina. Ele pensou: "muito bem,
Assobio, faa a sua parte" ento, olhou sorridente para Gina e disse:


        . Ento?

        . O que  que voc queria me mostrar, Neville?

. Oras, voc no est vendo?  Neville comeara a ficar
preocupado, pensando "Assobio, pelo amor de Deus, faa!"

. Eu no estou vendo nada  Gina sorriu  Neville, voc quer me
dizer alguma coisa?  Neville pensou ento: "est comeando a
funcionar!" e disse:

. Gina, voc gosta de mim?  "Nossa que feitio fantstico! No
acredito que perguntei a ela se ela gosta de mim!"  Gina sorriu de
novo:

        . Era isso, Neville? 

. Era, Gina. Eu perguntei porque eu gosto de voc... h muito
tempo, desde o quarto ano...   Gina arregalou os olhos, surpresa:

        . Voc no gosta mais da Hermione?

. No, desde o quarto ano eu gosto de voc, Gina.  Gina corou e
baixou os olhos. Depois tornou a ergu-los e sorriu:

        . E como voc gosta de mim?

. Do jeito de quem acredita que no existe garota mais legal no
mundo...  "uau! Esse feitio  o mximo!"  Eu morro de vontade de dar
um beijo em voc, mas sempre achei que voc gostasse do Harry!

. No gosto mais... s como amigo. Neville, no d para perceber
que agora eu gosto de voc?


        "BANG!" A porta escancarou-se e tornou a fechar. Assobio segurava-a to
excitada que nem conseguia pensar, mas falou:


. Puxavidaquasequemeviramaindabemqueeuconseguitirarofeitiodele
 Ah!  A fada deu um gritinho  Neville!- Neville arregalou os olhos:
se ela no estava l, ento ele dissera tudo aquilo para Gina sem
feitio nenhum? Suas pernas comearam a tremer e Gina olhou-o espantado,
depois olhou para a fadinha e de novo para ele, como a pedir uma
explicao. A fada achou que devia pelo menos tentar ajudar e disse a
Gina em pensamento:

. Ele queria me mostrar a voc...  Sorriu amarelo, pensou em
jogar o feitio em Neville, mas achou mais prudente ficar quieta.

        . Neville!  uma fada!

. . Ela  minha amiga  ele disse  com um fio de voz  - ela ia
me ajudar a dizer que gosto de voc  Gina sorriu:

        . Mas no precisou... voc disse!

. Ela disse que eu ia ficar irresistvel.. tinha medo de voc
rir de mim  ele olhava para o cho, muito chateado.  Gina deu um passo
na direo dele e Assobio disse:

        . Tchauzinho  rodopiou no ar e sumiu.

. Gina olhou o lugar para onde a fada tinha sumido e olhou de
volta para Neville:

        . Porque eu ia rir de voc, Neville?

. Porque eu sou esquecido, eu no sou popular, que nem o Harry,
no sou esperto que nem o Rony... eu acho que dei uma de bobo.

. No, no deu no... eu tambm achava que voc ia rir se
soubesse que eu gosto de voc. Mas eu gosto, mesmo.

        . Gosta?

. Hum-hum.  Os dois olhavam para o cho, um de frente para o
outro.  Gina levantou um pouco os olhos, Neville era mais alto que ela
uns quinze centmetros. Ficaram se olhando em silncio por quase um
minuto, ento, seus rostos foram se aproximando e eles se beijaram.
Neville podia jurar que ouvira um assobio feliz.




-----



        Enquanto isso, Draco Malfoy aproveitava seus msculos e sua recm
adquirida popularidade com as garotas.  Todos os dias era possvel v-lo
andando de brao dado com uma garota diferente. Chegou a aproximar-se de
Willy, que disse:


. Cai fora, sem crebro! Ser que o feitio que aumentou seus
msculos atrofiou seus miolos?

. Tudo bem, anzinha...  existem mil garotas nesta escola
querendo andar ao meu lado...

. E uma fora desta escola que adoraria saber que seu namoradinho
anda se exibindo como um palhao...  Willy saiu rindo e ele ficou
sentindo-se culpado pensando em Sue, mas afinal, o que os olhos no vem
o corao no sente... esperava que pelo menos aquela corujinha idiota
voltasse logo com a resposta da carta que ele lhe escrevera.


        Nenhuma veste de estudante antiga cabia mais nele, mas ele guardara-as
porque Liza LionHeart advertira-o que seu corpo voltaria ao normal em
seis meses se ele no fizesse exerccios todos os dias. Ele bem que
tentara fazer alguma ginstica, mas em menos de meia hora estava to
entediado que procurava outra coisa para fazer... "em seis meses eu
conjuro novos msculos", pensava. Agora era obrigado a usar uma veste
sem manga e a capa muito grande que comprara em Londres. Os cabelos
viviam presos em um rabo de cavalo. Estava bem mais arrogante,  agora
at sua atuao na pea decara ,de tanto que ele fazia pose para
mostrar o quanto estava forte, e um dia no ensaio, Rony disse:


. Malfoy, todos esto vendo que voc est parecendo um modelo da
"Bruxo Elegante", no precisa ficar se exibindo, eu sei que  demais
para voc, mas... tente atuar, sim?

. Voc est com um bocado de inveja porque no conjuraram
msculos em voc...

. Eu ficaria mais feliz com um cabelinho "lfico" destes... j
te disseram que voc est parecendo uma veela que fez muito exerccio?

. Vou partir a sua cara, Weasley  Draco avanou para ele, que
disse:

. Surre-me, e no me esquea de devolver minha coruja quando
acabar, ok?  Draco parou por um instante e baixou a cabea. - Eu sei,
Malfoy, que a vida inteira voc quis ser o bonito... ter a popularidade
de um certo colega com um carisma especial, uma cicatriz esquisita e uma
capa de invisibilidade, que sempre acaba sendo o centro das atenes,
mas tente no ser to babaca, ou quando estes msculos sumirem voc vai
se sentir um lixo.

        . Desculpe, Weasley.

        . No pea desculpas, atue!




        A carta de Sue foi um novo balde de gua fria... dera um dinheiro para
o garoto da Grifnria que adorava tirar fotos bater meia dzia de fotos
dele sem camisa, mesmo estando um dia gelado e mandara uma para Sue. A
resposta no podia ser mais cruel:



        "Draco, meu mal intencionado....

        Nunca ri tanto quanto quando vi aquelas fotos... voc est parecendo o
cruzamento de um halterofilista com uma Barbie... acho que nunca vou
mostrar as fotos para minhas amigas... E as poses? Nossa Draco, que
coisa cafona! Em pensar que um dia eu pensei seriamente em namorar
voc...

        Ento, voc tem saudades de mim... Eu tambm tenho saudades de voc,
mas no desta coisa que voc se tornou, sinto falta do garoto debochado
meio magricela que nunca tinha sado sozinho na rua... se quiser ficar
comigo, Draco, vai ter que voltar a ser gente... eu j te disse, no me
impressiono  toa!

        Ah! Seu convite para a pea chegou atrasado... O professor Dumbledore
j tinha mandado um para mim, que chegou dois dias atrs... eu vou com
meu pai. No espere que eu te pea um autgrafo...

        At a Pscoa, 

                        S.A.V.H."



 

        Draco ficou muito chateado com a carta. Flauta o olhava apreensivo e
ele disse:


        . O que eu fao, Flauta?  o pesamento da fadinha invadiu o seu:

. Faa apenas o que ela pede sempre, Draco... tente ser uma
pessoa melhor.


        Draco sentiu-se mais chateado... e se tentando ser uma pessoa melhor
ele acabasse ficando igual ao seu pai?



        Draco no sabia que Sue passava horas admirando sua foto. Que todas as
amigas queriam saber quem era aquele modelo de revista (j no ligavam
tanto para a foto se mover), ao que ela respondia: "Meu namorado, oras."
No sabia que a crueldade calculada de Sue era uma tentativa de salv-lo
de si mesmo...  Um dia, quando ele merecesse, ela mostraria a ele todo
seu amor. Ele no sabia quanto doa nela trat-lo assim, mas o que os
olhos no vem, o corao no sente.

-----------



        Duas semanas antes da Pscoa, num dia de visita a Hogsmeade, as
fadinhas esperavam invisveis que Harry Potter voltasse para comearem o
seu trabalho. Seguiram-no por toda parte quando ele chegou, ficaram
flutuando sobre sua cabea enquanto ele lia na sala comunal da
Grifnria, esperaram do lado de fora como mocinhas educadas enquanto ele
ia ao banheiro, e finalmente, quando ele deitou-se e dormiu, elas
inclinaram-se sobre seu peito e comearam seu trabalho.


. Firmes, garotas... quando ela chegar estaremos prontas.  A
fada Assobio disse em pensamento s outras.




 

CAPTULO 14  O GRANDE EVENTO DO ANO



        O convite da pea dizia o seguinte: 

"A escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts

tem o grande prazer de apresentar a fantstica obra Teatral de Gilderoy
Lockheart, em sua estria triunfal na dramaturgia como autor, diretor,
roteirista, iluminador e consultor de magia:

" A EXPULSO DE SALMONELLA"

Com a participao do Grupo Teatral dos Alunos de Hogwarts e  do Grupo
de Expresso Artstica Fantasma "A Morte no  o fim", dirigido pelo
Venervel Fantasma do Baro Sangrento. 

Cenrios: Hannah Summer, Figurinos: Liza LionHeart (prmio Bruxa
Estilista 4 anos seguidos)

No Sbado da Pscoa, s 19:00,.

Aps a encenao, a escola oferecer um banquete em homenagem ao
renascimento da Arte em Hogwarts promovido por Gilderoy Lockheart.
Traje: Veste de Gala.



        Harry acordou cedo naquele dia, pois precisava ajudar Rony em algumas
coisas, para sua grande estria. Passou o dia muito feliz, afinal pela
primeira vez o amigo podia se sentir o centro das atenes e ele estava
ali, na sombra dele. Sentia-se satisfeito ao ver a alegria de Rony. Mas
uma coisa o incomodava. H alguns dias, Harry vinha se sentindo
estranho, como se algo ou algum estivesse seguindo-o por toda a
parte... s vezes em sua cabea julgava ouvir conjuraes mgicas em uma
lngua esquisita bem baixinho... pensara em perguntar a Sirius e at ao
professor Dumbledore, mas depois achara melhor deixar para l... e havia
Snape.        

        H quase quinze dias, Harry tinha a exata sensao que Snape estava
vigiando-o. Parecia que o professor tentava fazer isso bem
discretamente, mas Harry no era bobo, e embora Snape no o olhasse de
forma feroz como sempre, ele sabia que estava havendo alguma coisa
ali... Na hora do almoo estava ao lado de Rony na mesa quando sentiu
que sua mo formigava de leve, depois sentiu uma dor no pulso e contraiu
o brao. Em segundos a dor passou. Harry olhou para a mesa dos
professores e viu que Snape vigiava-o. Achou que o professor podia ter
algo a ver com aquilo.

        J estava usando sua veste de gala quando foi ajudar Rony a vestir-se.
Nem bem a capa tocou o corpo de Rony, comeou a mexer-se freneticamente.
Harry perguntou:


        .  assim o tempo todo?

. Voc no viu nada... tem que ver o que o cenrio faz... 
Draco passou por ele, j pronto e maquiado para a pea. Harry ia rir
quando Rony disse:

. Por favor, no ria... minha maquiagem  to ridcula quanto a
dele... mas no palco fica muito legal.


        Quem estava fazendo a maquiagem era Willy. Ela estava com sua varinha
apontada naquele momento para o rosto de Padma Patil, fazendo a menina
parecer mais bonita que de costume.  Harry olhou em volta e viu que at
a Murta estava maquiada. Ento, ficou olhando um instante para Willy,
que acabara de maquiar Padma e agora maquiava Colin Creevey. Ela
terminou por Rony e Harry pde ver que ela retirara algumas sardas,
pusera-o mais plido e fizera nele duas olheiras meio fundas e escuras:


. Que tal estou?  Rony disse pondo o grande chapu de Rubro
Salmonella

        . Muito malvado! Harry riu, boa sorte!

. No  isso que se diz! -Rony ento disse um palavro para ele
e riu.  Essa  a saudao universal do teatro...uma das poucas coisas
que so iguais entre bruxos e trouxas.


        Harry saiu da coxia seguido por Willy. Subitamente virou-se e disse a
ela:


        . Sente-se do meu lado, por favor!

. Est bem, Harry  ela sorriu.  Mas Hermione vai estar ao
nosso lado, no tente nenhuma gracinha... ela detesta segurar vela.


        A pea seria encenada no grande salo, que estava preparado com duas
mil cadeiras, como um grande auditrio. L em cima o teto parecia um cu
estrelado, como sempre, mas  frente, onde ficava normalmente a
escadaria, surgira um grande palco, fechado por cortinas vermelhas. 

        Eles sentaram-se ao lado de Hermione, o teatro j estava comeando a
ficar cheio. Ele viu uma sucesso de bruxos conhecidos chegando: Liza
LionHeart e Hannah Summer com seus maridos, Mario Murad, com uma bruxa
que Harry calculou ser muito mais jovem que ele, Camorin de Doyola,
sempre discutindo com Daniel Dubois, Os pais de Rony, a quem
cumprimentou de longe, acompanhados dos gmeos e de Percy, com sua agora
noiva, Penlope Clearwater, Beth e Bianca Fall, que ele cumprimentou
discretamente, Sirius e Sheeba, que agora andava com muito cuidado,
parecia que ia estourar, ao lado deles vinham o Professor Lupin e Silvia
Spring. Esta olhou em direo a Harry e soltou uma exclamao de
surpresa.

---


        . Sheeba! Sheeba!

. Que foi Silvia? Sheeba olhou a amiga, esticando a cabea 
frente com dificuldade

        . Convidaram fadas para ver a pea?

. Fadas? No, que eu saiba no...  Sirius prestou ateno
porque lembrou-se da fada que vira com Snape

. Pois tem quatro fadas perto do seu afilhado... e acho que elas
esto fazendo alguma coisa importante... mas nem pense em contar a
ele... se  o que eu estou pensando, ele no pode nem sonhar com o que
elas esto fazendo.


        Sheeba e Sirius olharam-se intrigados. Remo Lupin ficou quieto, j
estava ficando acostumado s coisas que Silvia dizia...mas prestou
bastante ateno, sabia que quando ela abandonava o habitual ar
distrado, era porque alguma coisa sria estava acontecendo.

----

        Harry no prestou muita ateno  Silvia Spring, porque naquele
momento, John Van Helsing chegava, escoltado por uma bruxa de cabelos
longos, de um tom louro escuro, era Marsha Cage-Fish. Sue vinha logo
atrs, conversando com Atlantis, ela estava lindssima num vestido de
noite cor de pssego, ela e John, que usava um smoking, destoavam
totalmente do resto dos convidados, alguns os olhavam assustados. Por
azar, quem entrava no mesmo momento que eles eram os pais de Draco.  Ao
ver Sue, Lcio Malfoy fez uma cara feia, passando instintivamente a mo
pelo queixo que ficara ligeiramente assimtrico. Ia dizer alguma coisa
quando Atlantis disse:

        - Eu sei o que Sirius fez a voc a ltima vez que voc ofendeu essa
moa, Lcio. Diga alguma coisa e eu fao o outro lado ficar igual.  na
voz gutural da garganta ferida de Atlantis Fischer aquela ameaa parecia
ainda mais real, e Lcio foi procurar um lugar bem longe deles. Atlantis
conduziu-os para perto de onde estavam Sirius e Sheeba. Ele aproximou-se
de Silvia, que disse algo em voz baixa e olhou para Harry. Ele retribuiu
o olhar e assentiu com a cabea. Nesse momento, um sinal sonoro avisou
que a pea comearia. As luzes se apagaram e Harry, tomando rapidamente
a mo de Willy enfiou nela a pulseira que lhe dera de aniversrio. No
escuro, murmurou em seu ouvido:


        . Me perde!  Um silncio seguiu-se e ela finalmente respondeu:

        . Depois da pea eu respondo. 




        As cortinas se abriram e o pblico recuou na cadeira, um gigantesco
drago dominava o cenrio em chamas, um drago negro de aparncia muito
feroz. Harry arregalou os olhos quando o drago transformou-se em Rony.
Salmonella fora um animago negro, capaz de se transformar em uma
criatura mgica.  Na verdade o que ocorrera fora uma iluso, uma spcie
de efeito especial, Rony apenas conjurara uma imagem de Drago,
dissipara-a e sara de trs dela, o que j era bastante impressionante
para um aluno do sexto ano. A sr Weasley chorava na platia, cutucando
todos e dizendo: " meu filho! Meu Rony!". E isso fora s a primeira
cena!

        Ser um ator bruxo requer no s talento teatral, mas talento como
bruxo, no meio deste monlogo inicial, em que Salmonella contava a
histria de sua infncia, Rony ia formando imagens com a participao
dos fantasmas, que apareciam no cenrio difano que Rony conjurava sobre
sua cabea, mostrando como fora abandonado pelos pais ainda criana para
morrer devorado pelos abutres, sendo encontrado por uma velha bruxa e
como mais tarde se vingara deles (isso no parece familiar?), como aos
dez anos se descobrira bruxo e estivera em Hogwarts, onde fora um grande
aluno... como seu maior rival, Sibelinus Zenith recebera a espada mgica
de Falkor Lun, que Rubro agora iria usurpar. 

        Um estrondo no fundo do salo fez que todos olhassem, Draco entrava
voando por trs da plateia numa vassoura antiga, na pele de Sibelinius
Zenith, ao sobrevoar o palco pulou e sacou uma espada prateada,
desafiando Rony a lutar com ele, seguiu-se uma luta muito bem encenada,
eles disparavam fascas coloridas que apenas faziam ccegas um no outro,
mas tinham a aparncia exata de feitios poderosssimos, e com a atuao
convincente de Rony, qualquer um podia jurar que ele sofria naquele
momento um terrvel feitio de impedimento. Ele caiu de costas, fazendo
a platia levantar ligeiramente da cadeira. Com um volteio de capa e uma
ameaa, Draco saiu de cena. 

        Padma Patil entrava, na pele de uma donzela bruxa, Ivana Swann, que o
salvava da morte com o feitio do beijo da vida... na hora de simular o
feitio deu para ver que Padma, muito nervosa, errara na conjurao, e
nada acontecera, ela seguiu mesmo sem a luz na ponta da Varinha. Rony a
abraou e as cortinas se fecharam.

        A cena  seguinte mostrava a aldeia de Sibelinus Zenith, onde ele casava
com a jovem Camila LaBelle, interpretada por Lil Brown. O resto do
elenco estava em cena, menos os fantasmas, Padma e Rony. Nesta cena,
Zenith prometia a todos da aldeia que faria tudo para expulsar a ameaa
de Salmonella, nem que para isso precisasse perder a vida. As cortinas
se fecharam e foi o fim do primeiro ato.

        Num pequeno intervalo, Harry no se animou a sair da cadeira, olho para
Willy que disse:


. Eu nunca imaginaria a coisa do Drago... Essa Hannah Summer
tem talento.

. E Rony tambm  Hermione disse orgulhosa  vocs sabem como 
difcil criar aquelas imagens? Porque ele no veio me pedir ajuda?

        . Talvez ele quisesse te preservar para a surpresa.


        Atrs do palco Rony se preocupava  com a ltima cena, o efeito especial
era muito complicado e Lockheart insistia em faz-lo sozinho. O sinal
sonoro tocou e ele preparou-se para voltar a cena... vale a pena
reproduzir o seu pequeno monlogo inicial:

        - De todas as luzes que um homem pode ter para iluminar a sua vida, a
da mulher amada  a mais importante  Rony fez surgir um grande cisne e
dele saiu Padma  a mulher que eu amo, a quem eu devo a vida, estar
comigo todos os dias de minha vida... a mulher que eu amo, h de
entender minhas conquistas e apreciar os meus feitos... h de saber que
quando se trata de conquistar no h volta, no h possibilidade de
piedade com o inimigo. A mulher que eu amo sabe que eu no poderei fazer
concesses... e a mulher que eu amo sabe que quando eu conquistar o
mundo h de ser para deposit-lo aos seus ps...  Padma se aproximou e
eles beijaram-se. Na platia Hermione cravou as unhas na cadeira.

        No palco, a ao voltou a ocorrer ininterrupta, para mostrar as
conquistas de Salmonella e seus asseclas, interpretados por Colin
Creevey e Justino Filch-Fletcher, onde eles simulavam batalhas
sangrentas... Harry teve a impresso que algumas pessoas do elenco
"morreram" vrias vezes, disfarados em transfiguraes de imagem
pessoal. Finalmente, ladeado por Justino e Colin, Rony disse:

        - Agora, estou de volta ao poder, e meus inimigos sentiro o peso de
minha vingana (novamente eu pergunto... no parece familiar?)

        A aldeia de Zenith passou a ser o foco de ateno, mostrando como o
bruxo mesmo poderoso era justo e bondoso (imaginem Draco Malfoy tentando
parecer justo e bondoso, vamos, vocs conseguem...), como em pouco tempo
as terras frteis do vale estavam repletas de plantaes e como o povo
amava o seu governante bruxo. Ento, houve uma potica cena entre Draco
e Lil, que terminava com ele dizendo como nada poderia atrapalhar sua
felicidade e novamente, as cortinas se fecharam... fim do segundo ato.

        Harry levantou-se um instante e Willy perguntou-lhe onde ia. Ele disse
que ia ver os Weasleys e ela ficou disfaradamente olhando para ver se
ele fazia isso mesmo... pouco tempo depois, quando ele j voltava, foi
interpelado por Bianca Fall, que perguntou como ele estava... ele
mostrou a ela onde estava sentado, sentindo-se intimamente orgulhoso
quando ela reconheceu Willy. Despediram-se cordialmente e ele sentou-se
calado ao lado de Willy, que o olhava desconfiado.

        O terceiro ato comeou... a aldeia de Zenith parecia tranqila, ento,
um gigantesco Drago passou voando sobre a platia e pousou em cena,
transformando-se em Rony. Na verdade era outra iluso que ele conjurara,
j estava no centro do palco usando a capa de invisibilidade que Harry
lhe emprestara, conjurou rapidamente a imagem do Drago, Virou-se de
costas e quando ela se desfez, deixou a capa cair dos ombros. E pareceu
surgir por encanto em cena... Comeou a grande batalha, os cenrios iam
mudando, sempre em cenas de guerras... Em cena, Rony tentava intimamente
convencer-se em confiar em Lockheart, que faria o ltimo efeito
especial... o fim da pea se aproximava, a batalha final entre Zenith e
Salmonella, travada  beira de um grande abismo.

        Mais tarde ningum soube como Hannah Summer conseguira conjurar aquele
cenrio... para a platia, parecia que eles estavam suspensos a muitos
ps de altura, flutuando sobre um grande abismo. Ento, Draco e Rony,
sozinhos em cena, comearam outra sucesso, mais espetacular que a
primeira, de simulaes de feitios. Neste momento, Padma entrou em cena
como Ivana Swann, implorando a seu amado que esquecesse tudo... Ivana
fora uma vidente como Sheeba, tinha o toque de Prometeu. Algo
surpreendente aconteceu em cena: Salmonella atirou um Avada Kedavra em
Zenith (deu muito trabalho fazer o feitio simulado... na verdade Rony
no dizia nada, a platia apenas pensava que ele dizia, pois atrs do
cenrio, um contra regra soltava a voz dele, guardada dentro de uma
caixa... a luz verde que saa da varinha era inofensiva) Zenith,
empunhando sua espada, conseguiu com o reflexo da lmina desviar o
feitio que atingiu Ivana na barriga.


. No! No! O que fiz!  Rony tomou Padma nos braos e comeou a
chorar, lgrimas sentidas saam de seus olhos (poo de lgrimas de
crocodilo, que ele implorara ao professor Snape), ele abraava Padma,
numa cena comovente, gritando que ela acordasse. Draco ento, parado ao
seu lado disse:

. Rubro, sua ambio a matou. Suas iluses de poder terminaram,
voc est derrotado.  Rony levantou-se, exalando dio:

. Nunca, Zenith, nunca voc vai me alcanar...  Rony apontou
para uma pedra grande no cenrio e transfigurou-a num cavalo (na verdade
quem fez isso foi a Prof Mc Gonnagal) ele montou e disse a Draco: -
Adeus, Zenith. Fique com a sua vida que eu fico com a minha morte.


        Era a hora que Rony mais temia: deveria abrir-se o fundo do cenrio e
ele subiria pela escada a cavalo, ento, desceria a escadaria correndo e
se atiraria com cavalo e tudo sobre a platia, sendo transportado pelo
professor Lockheart em segurana atravs de um feitio de teleportao
para a sala de teatro... ele tinha ou no motivo para ficar preocupado? 

        O cavalo tomou impulso escada acima, ele sentindo-se mortalmente
preocupado com o resultado das patas daquele cavalo sobre as pessoas na
platia se o feitio desse errado. Tomou a deciso na ltima hora... j
transportara coisas pequenas de um lugar para o outro, nunca a um cavalo
e a si mesmo, mas no era to complicado quanto aparatar... se sentisse
que Lockheart no conseguira, ele mesmo faria o feitio. Chegou ao topo
da escada e comeou a descer, a beirada do palco se aproximou e ele
saltou. Ouviu quando Lockheart disse a  palavra e nada aconteceu, ento,
tocou cavalo com a varinha e disse:

        - Caminus Aeros  !  Sentiu uma luz o envolver e as patas do cavalo
bateram pesadamente no cho da sala de teatro. Suspirou aliviado,
sentindo o corao batendo descompassado no peito. Ouviu o rugido a
platia l embaixo, e, sem desmontar do cavalo, seguiu pelo corredor e
desceu novamente a escada , chegando ao ltimo degrau no exato instante
em que todos levantavam-se para aplaudi-lo



 

CAPTULO 15  O BAILE



        Harry aplaudia o amigo freneticamente, deu uma discreta olhada em
Hermione e viu que ela estava chorando. No palco, o professor Lockheart,
enfiado entre Rony e Draco, dava as mos aos dois, desmanchando-se em
meneios e reverncias exageradas. Finalmente, depois de muitos minutos
de aplauso, o professor Dumbledore entrou em cena, dizendo:

        - Eu gostaria de agradecer ao professor Lockheart por seu belo trabalho
e pelo empenho destes jovens talentosos que fizeram desta escola esta
noite um teatro, nos trazendo uma das mais belas pginas da histria da
magia... mas antes de tudo, foi prometido um baile esta noite... os
jovens querem ser festejados e abraados por seu trabalho  Dumbledore
fez um gesto, e num segundo as cadeiras desapareceram, dando lugar a
mesas e a uma pista de Dana... havia muitas pessoas e Harry julgou que
o salo fora alargado alguns metros. O palco foi esvaziado para a
orquestra e os atores apareceram no salo, vrias pessoas cercavam o
elenco, principalmente Rony que era muito festejado e elogiado por sua
atuao.

        Harry puxou Willy e Hermione para que eles falassem com Rony, abrindo
caminho pela multido. Este, desvencilhando-se da multido, corria para
abraar sua me, que se debulhava em lgrimas, seguida pelo Sr. Weasley,
que parecia orgulhoso e comovido. Foi neste instante que um bruxo
corpulento abriu caminho e entregou a Rony um carto de visitas, era
Daniel Dubois, o grande gnio do cinema bruxo:


. Me-Meu Jovem  Daniel era ligeiramente gago  Voc tem muito
talento. N-No vero eu vou rodar um filme... quero voc no e-elenco...
no  um papel principal, ma-mas isso  uma questo de tempo. Mande-me
uma coruja para acertar os detalhes  Rony estava estupefacto. Ia
trabalhar num filme bruxo! Quando finalmente conseguiu aproximar-se para
abraar o amigo, Harry ouviu a histria toda e um comentrio:

        . Vou perder as frias...

        . E isso importa? Rony, voc vai ficar famoso!

        . Tanto quanto voc?

. Espero que mais!  Hermione olhava-o um pouco trs de Harry,
quando este se afastou ela parou diante de Rony, sem saber o que dizer.
A orquestra comeou a tocar e Rony disse-lhe:

. Bem na hora... quer danar comigo?  Hermione apenas baixou os
olhos e estendeu sua mo, para que ele pegasse. Rony comeou a
conduzi-la pelo salo graciosamente, sendo olhado por todos.  Comearam
a danar no centro da pista e foram aplaudidos. Hermione estava muito
vermelha, mas Rony parecia tranqilo:

        . Ento... gostou da pea?

        . Foi maravilhoso... Rony, porque voc nunca me disse?

        . O qu?

. Que voc sabia fazer to bem tantas coisas... tantos feitios
complexos...

. Tenho que confessar que no sei transfigurar uma pedra em
cavalo... precisei de ajuda da professora Minerva nessa parte. Mas s
nesta parte  Ele sorriu para ela, que devolveu o sorriso timidamente..

        . Me desculpe, Rony...

        . Porqu? Voc no me fez nenhum mal...

        . Eu te julguei errado durante seis anos.

. Eu tambm no me esforcei em subir no seu conceito nestes seis
anos...  estavam agora prximos da entrada do jardim, Rony a puxou para
fora e disse-lhe: - Hermione... essa noite no tomei poo de ps
inquietos, creio que no vou conseguir danar a noite toda com voc... 
ela levantou os olhos para ele, que a olhava  Vamos tentar de novo,
Hermione? Eu prometo no sentir cimes do seu gato...

. Se voc no sentir cimes dele... eu prometo que esqueo os
cimes que senti de Padma  Rony acariciava seu rosto, e ela abraou-o
com fora. Seus lbios se tocaram, em poucos minutos, Hermione sentiu um
perfume bom de rosas, mas era natural, afinal estavam do lado de uma
grande roseira, mas ela no se lembrava de rosas... quando abriram os
olhos, viram que a roseira ao lado deles estava coberta de rosas grandes
como repolhos, que soltavam uma nuvem de perfume suave, enchendo o ar.

. Ora, ora, - disse Rony  no  que tivemos uma emisso mgica
involuntria? No to forte a ponto de fazer cair um raio, mas acho que
isso  porque no somos to explosivos quanto Sirius e Sheeba .

. Um encontro de almas!  murmurou Hermione, notando maravilhada
que no apenas aquela, mas todas as roseiras do jardim estavam cobertas
de flores. A primavera chegava de vez a Hogwarts.




----



        Distante dali, Draco Malfoy encontrava seus pais. Sua me ainda tentou
elogi-lo, mas foi seu pai que o interpelou, rspido:

        - Voc no tem vergonha?  Em sculos de histria nenhum Malfoy
participou de nada deste tipo... uma encenao... e como um pattico
heri de cabelos compridos... e voc largou o quadribol por causa desta
droga, vou acabar com esta histria idiota! E eu no vou permitir que
voc seja ator... vou te tirar daqui e conseguir uma vaga em
Durmstrang... l eles vo te ensinar a ser homem

        Draco olhava o pai atnito, nunca imaginava que ele fosse capaz de
tanta crueldade, o xito do filho na pea em nada o comovia:


. Pai...  apenas uma pea de colgio. Eu nem sei se quero ser
ator bruxo.

. E  bom que no queira! Eu no te sustentei todos estes anos
para v-lo se comportar como um idiota, com estes estpidos cabelos de
fadinha... se voc insistir nesta baboseira, eu fecho esta escola, no
sou  mais membro da diretoria, mas a escola ainda depende das minhas
doaes... juro que fecho Hogwarts se voc insistir!

. Antes, Lcio, voc vai ter que passar por cima de doze
assinaturas, inclusive a do ministro da magia  a voz potente do
Professor Dumbledore soou atrs dele, que virou-se enfurecido, para dar
de cara com um pergaminho cheio de assinaturas  Todos os membros esto
aqui esta noite, Lcio. E todos eles assinaram este documento aprovando
o incentivo cultural do grupo de Teatro, independente de suas doaes.

. Dumbledore, voc reuniu as assinaturas para me prejudicar,
voc sabia que eu no aprovaria isso!

.  No Lcio, eu imaginei que voc se orgulhasse de ter um filho
com talento, mas me enganei. Agora, tente demover o conselho da idia. A
escola pode sobreviver sem suas doaes, voc pode perfeitamente ser
considerado indesejvel  Lcio se assustou, sabia que aquilo seria um
grande arranho na sua imagem proba e ntegra, uma imagem falsa que
mantinha os olhos do ministrio da magia fechados para suas bvias
ligaes com o lado das trevas, desligar-se de vez de Hogwarts seria
quase uma confisso de culpa. Branco e furioso, saiu arrastando a
mulher, que ficou olhando para Draco, com lgrimas nos olhos. Foi s
quando o grande carro mgico negro dos Malfoy saiu dos portes da escola
e aparatou noas arredores de Londres que Lcio lembrou-se que no tinha
feito nada para manter a trouxa irritante longe de Draco. Agora era
tarde.


        No salo, o professor Dumbledore olhava para Draco que estava de cabea
baixa.


. Draco... Eu no quero que voc pense que no  benvindo na
escola. Seu pai no se comportou bem com voc, voc tem muito talento,
no pense o contrrio.

        . Professor, eu no quero sair de Hogwarts.

. No se preocupe, Draco, eu tenho meios de deixar que voc
fique por aqui, voc no vai para Durmstrang.  o professor disse isso e
saiu. Ele ficou sozinho no meio do salo, ento, Sue veio em sua
direo, correndo, ele ainda no a vira e sentiu o impacto da viso da
menina no vestido de baile cor de pssego, ela estava linda.

. Draco... desculpe, eu no quis me aproximar de voc enquanto
voc estava com seus pais.  Draco a olhou e sem dizer uma palavra,
arrastou-a para um lugar sossegado, prximo ao jardim. Ento, abraou-a
e ficou longos instantes assim. Ela passava a mo pelos compridos
cabelos dele, pegou seu rosto entre as mos e perguntou:

        . O que houve, Draco?

. Meu pai, ele me tratou mal, me humilhou... Eu no sei porque
no quebrei a cara dele, estou forte a ponto de surr-lo. Mas eu no
tive coragem

. E isso no  necessrio, Draco, voc no precisa se igualar a
ele, no precisa ser tambm um monstro que humilha quem  menos forte
que voc...  Draco olhou-a nos olhos:

. Sue... eu enfrentaria meu pai e sua mania de puro sangue se
voc me desse um motivo, um s motivo para isso... Sue, voc quer ficar
comigo? No importa a distncia, fique comigo, vamos ficar juntos, no
ano que vem eu me formo em Hogwarts...

. Draco, eu vou voltar para a Amrica.  o brilho nos olhos dele
se apagou, ele baixou a cabea, triste.

. Ento  verdade, voc realmente no me ama, s se divertiu
comigo.

. No, eu te amo. Eu te amo como nunca amei ningum, mas eu
tenho que voltar para a Amrica, eu preciso estudar, me formar, estou
matriculada em uma universidade, vou passar os prximos seis anos
estudando para ser mdica, faz parte dos atributos de uma Van Helsing,
mas isso no impede que voc fique comigo.

        . E o que voc quer que eu faa? Passe anos esperando voc?

. Venha para a Amrica quando acabar Hogwarts...  ele olhou-a
impressionado

        . Voc quer que eu v para a Amrica?

. D para ser um bruxo na Amrica, no d? Existem muitos em
Nova Iorque... alis, voc j foi a Nova Iorque?

        . Nunca. Meu pai diz que l  a metrpole dos bruxos decadentes.

. Pois dane-se seu pai, d um jeito, minta, passe as frias em
Nova Iorque comigo.

. Voc est falando serio?  Draco olhava a menina nos olhos,
ela sorria para ele.

. Eu vou esperar voc em Nova Iorque a partir de treze de
Julho... fuja. Me encontre neste endereo  deu a ele um carto com o
emblema da irmandade. Ele a olhou mais uma vez e sorriu:

. Eu darei um jeito  disse, baixando o rosto para beijar-lhe a
boca, quando estavam quase se beijando ele parou  e aquela histria de
que eu estava ridculo?

.  a mais pura verdade, lindo deste jeito  ridculo que voc
esteja longe de mim  ela pendurou-se em seu pescoo, beijando-o com
paixo.




------

        Harry perdera-se de Willy no momento que fora encontrar-se com Rony,
estava agora procurando-a pelo salo. Repentinamente, Silvia Spring
pulou em sua frente, falando rpida e atabalhoadamente numa voz
esganiada, demorou quase um minuto para ele entender o que ela dizia:


. A sua madrinha, Harry, o beb vai nascer, Sirius a levou para
a ala hospitalar!


        Harry disparou junto com ela na direo da ala hospitalar, quando
chegou na porta, deu de cara com Sirius, Lupin e Willy que esperavam do
lado de fora, Sirius parecia muito mal humorado:


        . No posso ver meu prprio filho nascer! 

. Nessas horas homem s atrapalha, Sirius!  Silvia olhou-o com
censura e Lupin fez sinal para que deixasse para l.

. Os trouxas assistem o parto dos filhos que eu sei! John Van
Helsing me contou que estava l quando todos os seus oito filhos
nasceram. Essas bruxas so muito antiquadas! Neste ponto at os trouxas
esto mais avanados  neste momento Sheeba deu um grande grito do lado
de dentro e ele empalideceu, Silvia o consolou:

. Calma, Sirius,  assim mesmo... se voc estivesse l dentro
ela j estaria xingando voc a essa hora...

        . Porqu?

. Porque vocs fizeram o filho juntos e voc no est sentindo
nada...  a bruxa disse bem humorada  fique calmo, ainda vai demorar um
tempo... partos demoram...

        . Mas comeou na hora da pea!

. Eu sei disso, estava do seu lado lembra? Quer ficar calmo,
Sirius?  Agora Lupin o interrompia. Enquanto Lupin tentava distra-lo
com uma conversa banal sobre qualquer assunto, tarefa dificultada pelos
eventuais gritos de Sheeba, Harry puxou Willy para um canto, atrs de um
mvel e perguntou:

        . Ento, Willy? A pea j acabou.

. Harry... se eu no quisesse te perdoar, no deixaria que voc
pussesse a pulseira no meu brao, mas eu no vou te beijar agora... no
no corredor da ala hospitalar.

. Est bem, - Harry disse conformado. E eles sentaram-se
novamente, Willy apoiou a cabea no ombro dele e disse:

        . Porque voc se arrependeu?

. Porque fui um idiota. Porque no instante seguinte ao que voc
me deu o fora eu me senti to sozinho quanto me sinto na casa dos
Dursleys... porque sei l... tem um milho de motivos.

. Que bom, eu pensei que voc tivesse se arrependido porque eu
fiquei mais bonita...

        . No, voc no ficou mais bonita... 

        . No?

. No, est to linda como sempre foi, a diferena  que nos
ltimos dois meses resolveu esfregar isso na minha cara...

. Kakaka! Harry, voc no tem jeito mesmo.  Neste momento um
choro de criana fez todos se levantarem, Sirius comeou a andar de um
lado para o outro na frente da porta, Silvia batia palminhas sem som,
sorrindo com uma cara meio boba, Lupin parecia calmo como sempre. Depois
de cerca de meia hora, a porta se abriu e Madame Pomfrey saiu:

. Pode entrar, Sirius. V conhecer a sua filha.  Sirius entrou
rapidamente, sem ouvir o que ela dissera. Madame Pomfrey segurou todos
os outros do lado de fora.


        Sheeba tinha nos braos um beb mido e branco, com um tufo de cabelos
negros muito espesso sobre a cabea, ele olhou-a , com um cara
fascinada, depois para Sheeba, a quem disse:


. Espero que voc no tenha me xingado muito durante o parto,
Sr Black.

. S cada vez que doeu...  Sheeba deu um sorriso cansado.  com
quem ela parece, Sirius?

        . Ela?  uma menina?

        . Claro que , seu idiota. Madame Pomfrey lhe disse!

. Uma menina  ele sorriu bestificado.    uma menina!  Sheeba
sorriu novamente

. Sim, senhor Black, livre da sua maldio... porm, veja, olhe
entre os dedinhos dela...


        Sirius tomou-a entre os braos cheio de medo e olhou entre os dedos...
entre o polegar e o indicador da mo direita havia um pequeno sinal em
forma de foice. Ele olhou Sheeba de volta, que tinha um sorriso triste
nos lbios.


        . A sua marca, Sheeba... a marca do Prometeu

. Sim, luvas refletoras, medo e desconfiana por onde passar
para o resto da vida.  

. E a mesma fora, sabedoria e talento da me. Como vamos
cham-la?

        . Hope.  Sheeba sorriu

. Sim, Hope.  um lindo nome.  disse ele devolvendo o beb a
Sheeba e dando-lhe um beijo carinhoso no alto da cabea  Agora h duas
pitonisas para eu amar.


        Neste momento todos os outros entraram e ficaram admirando Sheeba e o
beb, at que foram expulsos por Madame Pomfrey, que novamente deixou
apenas Sirius do lado de dentro:


. Vo para o baile... aqui no  lugar de festa, h um beb
tentando dormir.




        Harry conduziu Willy de volta para a festa, notou com um certo incmodo
que agora alm de Snape, Silvia Spring tambm parecia de olho nele. Para
aborrec-lo ainda mais, Colin Creevey quis tirar uma foto dele e de
Willy juntos, concordou ligeiramente aborrecido, Colin no perdia esta
mania de fotos. Levou Willy para o jardim, na tentativa de namorar em
paz e viu que entre os casais que estavam por ali havia conhecidos
demais. Deu de ombros e pegou Willy nos braos, afinal, agora Snape no
podia persegu-los, era dia de festa. Estavam se beijando quando tudo
aconteceu.



CAPTULO 16  O CORDO FAERIE



        Harry ouviu um zumbido no ouvido e de repente sentiu que estava preso
ao cho, arregalou os olhos e Willy sentiu alguma coisa, pois afastou-se
dele assustada. Ela levou as mos  boca, como a conter um grito. Harry
estava preso ao cho por um grosso cordo dourado, que se enroscava por
seu corpo, seus braos estavam livres, mas em seus pulsos surgiram
grilhes grossos e dourados, e dois cordes idnticos que se prenderam
ao cho. Quando estava totalmente preso, quatro fadas surgiram ao seu
redor. Os casais que estavam namorando olhavam espantados, Rony
aproximou-se, na tentativa de soltar o amigo, mas foi impedido de
toc-lo por Silvia Spring que disse:


. No toque o cordo faerie ou voc vai ser arremessado longe.
No se assuste com a aparncia do cordo, ele  para proteger seu amigo.

. Mas proteger de qu?  Harry disse apavorado, a sensao de
estar preso era terrvel, ele sentia uma nsia de sair correndo, que o
cordo aumentava  Me soltem daqui!

. Voc no est preso  Silvia continuou  isso  um cordo
faerie, para te manter no mundo real... se elas  - mostrou as fadas 
fizeram isso  porque tiveram um motivo... eu tenho capacidade de v-las
e sei que elas esto aqui j algum tempo, conjurando este cordo, o que
s poderia ser feito sem o seu conhecimento... deixe que elas te
expliquem...  a fada Assobio olhou-o de frente assentindo com a cabea.
Neste momento, Alvo Dumbledore chegou ao jardim, pedindo a todos que o
deixassem s com Silvia, Harry e as fadas. Atlantis apareceu na porta e
chamou Willy, que no queria sair de perto de Harry. O velho bruxo ento
comeou:

. Harry, h alguns meses atrs estas fadas chegaram a Hogwarts
escondidas, eu no demorei muito para descobri-las, e se dei a
autorizao a elas para que o prendessem com este cordo faerie  porque
h realmente um motivo muito srio. O mundo das fadas existe
paralelamente ao nosso, mas l o tempo passa de forma diferente.

        . Eu sei  disse Harry  isso j foi explicado para mim.

. Voc sabe que podemos passar deste mundo para o mundo das
fadas, mas no  fcil, praticamente ningum que vai ao mundo das fadas
volta, voc est diante de uma das poucas bruxas que voltou para contar.

. Eu conheo a histria dela, mas gostaria de entender porque
estou preso dessa forma!

. Para entrar no mundo das fadas  preciso abrir um portal, mas
voc pode imaginar que isso no  fcil.

. Mesmo eu  Silvia interrompeu  que posso abrir portais
sozinha s o consigo nos momentos e lugares certos.

. Normalmente, as fadas no tm nenhum interesse em nosso mundo,
a no ser que tenham alguma misso a cumprir. Essas quatro fadinhas
assumiram uma misso para te ajudar. Elas pertencem  corte das fadas
boas de Seelie, que zelam pela harmonia entre os dois mundos, mas
existem outras cortes, entre elas a corte das fadasombras, Umberdeen. As
fadas deste reino no vm ao nosso mundo h mais de duzentos anos. Esto
presas l.. A nica forma de abrir um portal para a corte de Umberdeen 
usando um artefato que estava desaparecido h mais de trinta anos. A
garra da sombra.

. Ainda no entendo o que eu tenho a ver com isso  Harry
interrompeu, impaciente. Um pensamento invadiu a sua cabea, era
Assobio. Dumbledore e Silvia permaneceram calados enquanto a fadinha se
explicava.

. Desculpe, Harry. Ns no queramos deix-lo zangado... mas a
nossa rainha, a Grande Fada, pediu que vissemos proteg-lo, porque
algum abriu um portal para Umberdeen... foi a mesma bruxa que sumiu h
trinta anos... ela entrou no nosso mundo por Unseelie e saiu por um
outro reino, na mesma noite. Ningum soube porque na poca, depois nos
foi dito que ela estava fugindo... fugindo de um bruxo das trevas que
fora seu mestre... Agora soubemos que ela voltou e negociou com a corte
de Umberdeen... ela queria abrir um portal para tirar de Hogwarts um
estudante.. Nossos mensageiros no confirmaram, mas como ela tinha este
artefato precioso e estava disposta a troc-lo com as fadas de Umberdeen
por um estudante... bem, sabemos quem  o estudante que mais interessa
ao mestre das trevas... com este cordo faerie, ningum poder tir-lo
de Hogwarts. Mesmo com a garra da sombra, abrir um portal para Hogwarts
 muito difcil, o que vai se abrir aqui hoje  meia noite s vai ficar
aberto durante oito minutos.  Estivemos durante quinze dias preparando
este cordo, para que ele ficasse bastante forte e resistente.

. Eu senti! Eram vocs ento que estavam murmurando palavras
numa lngua estranha!

. Estvamos aqui desde antes do Natal.  que de nosso mundo 
muito difcil saber em que momento do tempo vocs esto.

        . Ento como vocs sabem que o portal vai ser aberto esta noite?

. A bruxa voltou ao seu mundo. Ela vai atravessar Umberdeen esta
noite para abrir o portal no nico momento em que vai ser possvel.
Depois da meia noite de hoje, s em cem anos ser possvel abrir um
portal para Hogwarts a partir de Umberdeen.

        . E falta muito para a meia noite?

        . Doze minutos  Disse Dumbledore.

. No se preocupe  Completou Silvia  com este cordo voc
estar seguro.


Mas Harry estava irremediavelmente preocupado e no conseguia se sentir
nem um pouco seguro. De longe via as poucas pessoas que ainda estavam no
salo, entre elas, Willy, que estava ao lado do pai, apertando as mos
contra o rosto nervosa, enquanto respirava como um bichinho, acelerada.
Rony e Hermione estavam ao lado deles, Hermione procurava acalm-la. Bem
prximo  porta, Snape observava tudo calado. Ele no sentia-se seguro,
mesmo preso pelo grosso cordo faerie, que s vezes apertava uma parte
de seu corpo. Repentinamente ele perguntou:


        . Porque eu no podia saber do cordo Faerie?

. Porque sua vontade no nos deixaria tec-lo  ele ouviu
Assobio dizer ao seu pensamento  Se voc soubesse com antecedncia o
que fazamos, seu instinto natural de liberdade no permitiria que
conjurssemos o cordo. Nenhum ser humano quer ser preso.


Harry se deu por satisfeito e resolveu continuar esperando o desenrolar
dos acontecimentos. Os minutos se arrastaram at que finalmente a meia
noite chegou.

Ouviu-se um som de tecido sendo rasgado. Pouco alm da roseira adiante,
Harry pde ver que o ar parecia cortado, como se fora um grande tecido,
por algo que parecia uma garra dupla. Duas mos enfiaram-se por entre os
sulcos e uma mulher surgiu no vo, ela apontou para a frente e disse
algo incompreensvel para algum fora do campo de viso. Era estranho
olhar para a frente, era como ver uma gravura rasgada de um livro, e
atravs do rasgo ver a gravura que estava por baixo. O pedao de
Umberdeen que estava visvel era iluminado por uma luz avermelhada que
no escapava para a realidade de Hogwarts. Parecia um lugar escuro e
desolado. Ento o portal se alargou sem aviso, ficando com quase quatro
metros de dimetro, e a coisa que a bruxa aulara apareceu.

Ningum, precisou dizer a Harry que era uma Fadasombra. Ele simplesmente
soube, como se fosse a coisa mais bvia do mundo, e era bem evidente que
ela no era uma criatura boa. Era um ser de mais de trs metros de
altura, quando passou pelo portal, abriu asas de morcego com quatro
metros de envergardura, era transparente como um fantasma, mas em vez da
translucidez prateada dos fantasmas, o espectro da fada era entre negro
e cinzento como uma sombra, ela tinha o corpo exato de uma mulher de
ombros largos e, braos longos, musculosos e mos em forma de garras.
Mas o que dava realmente medo era seu rosto: ela tinha a cabea de uma
pantera , sem cabelos e com orelhas arredondadas, olhos arregalados e
vermelhos. Quando saltou e levantou vo abriu a boca em um grito agnico
e enregelante.

Harry instintivamente encolheu-se. As fadinhas reuniram-se em torno
dele, de modo a proteg-lo.

Mas a fadasombra simplesmente passou por sobre eles. Harry levantou-se e
seguiu o monstro com os olhos, quando ela entrou no salo, as pessoas
correram em pnico, as fadinhas agitaram-se e a seguiram, ento, a
fadasombra ergueu-se no ar para dar o bote em seu objetivo: Harry viu
horrorizado quando ela arrebatou Willy do cho, Atlantis ainda tentou
segurar a filha, mas a fada gigantesca o repeliu, lanando-o muitos
metros  frente, Harry gritava para que as fadas o soltassem, no podia
permitir que aquela fera pegasse Willy, mas foi Silvia que veio em seu
socorro.

Enquanto isso, Snape tentava lutar com a fada sem ferir Willy, que esta
trazia segura junto ao peito, apavorada, gritando de medo. Dumbledore
juntou-se a ele, mas a fada era muito rpida, nenhum feitio a atingia.
Silvia  conseguiu soltar um brao de Harry. As fadinhas enquanto isso
arremetiam sobre a fadasombra com uma bravura que seu pequeno tamanho
no sugeria, Harry olhou em direo ao portal quando a bruxa que o
abrira gritou para que a fada corresse. Neste momento Silvia c conseguiu
soltar-lhe o outro brao. Arremessando Fogacho  uma distncia
assombrosa, a fada retornou, passando por Harry e entregando Willy 
bruxa. Silvia conseguiu afrouxar o cordo nos ps de Harry, e este
correu portal adentro, tentando alcanar Willy.

Ao entrar na dimenso de Umberdeen, Harry sentiu que seus ps saam do
cho, estava sendo sugado pelo portal oposto, por onde a Bruxa tentava
sair com Willy, ele viu que o outro portal dava para uma paisagem
estranha e totalmente desconhecida para ele, a paisagem desolada de um
deserto. Neste momento, Willy conseguiu desvencilhar-se da bruxa e veio
correndo em sua direo, ainda sentiu os dedos dela tocarem os seus
antes que a bruxa lanasse um feitio e puxasse Willy de volta, o portal
oposto comeava a se fechar, a mesma coisa acontecia com o de Hogwarts,
Harry sentiu que o cordo faerie se esticava. Se o portal fechasse,
provavelmente o cordo se arrebentaria e ele ficaria preso ali.

Quando a bruxa passou pelo portal e Willy sumiu de vista, Harry viu que
ela atirou algo na direo da fadasombra. Lembrando-se da histria do
artefato e de como ele era perigoso, Harry reuniu suas ltimas foras e
saltou um pouco mais longe, conseguindo pegar no ar a garra, antes da
fada. No momento em que o monstro tentou atac-lo, o cordo faerie o
puxou, arremessando-o de costas de volta ao jardim de Hogwarts. Ele caiu
no cho e viu a cara feia da fadasombra desaparecer no portal que
acabava de se fechar. Olhou a garra da sombra em sua mo direita e
subitamente se deu conta que Willy se fora. Ele a perdera.



CAPTULO 17  A GARRA DA SOMBRA



        Harry foi levado para a ala hospitalar mudo, sem reflexos, em estado de
choque. Trazia ainda segura na mo direita a garra da sombra,
simplesmente porque ningum a tirara dali. Ele no conseguia sentir a
dor do ferimento que fizera na cabea quando cara ao solo no jardim,
nem a dor da costela que se partira quando fizera fora para soltar-se
do cordo faerie. Ele s conseguia ver diante de si o rosto amedrontado
de Willy, quando a bruxa a levou pelo portal alm de Umberdeen.

        Dumbledore ia ao seu lado, apoiando-o, mais atrs, vinham Silvia
Spring, Lupin e Atlantis, com o rosto grave, no transparecendo
desespero que seria natural depois da forma como Willy desaparecera.
Quando entraram na enfermaria, Sheeba, que estava deitada com sua filha
nos braos e Sirius, que estava ao seu lado, levantaram-se perguntando o
que acontecera. Madame Pomfrey veio ao encontro do grupo, com o rosto
preocupado ao ver um pouco de sangue no corte atrs da cabea de Harry.

        Quando Harry foi deitado na cama, ainda mudo, Snape chegou com as
outras fadas. Tinha Fogacho desfalecida na palma da mo. Parecia uma
grande liblula morta, no emitia a pequena luminosidade caracterstica
de uma fada. Snape tinha o rosto muito preocupado, como se sentisse
diretamente responsvel pela pequena fada. Madame Pomfrey olhou a
fadinha e disse:


. Ela parece muito mal e eu nunca cuidei de fadas... no seria
possvel abrir um portal e lev-la para o mundo das fadas?  As trs
outras fadinhas  comearam a falar ao mesmo tempo e como falavam de
forma muito enrolada, madame Pomfrey no entendia nada do que diziam.
Ento Silvia Spring interrompeu-as dizendo:

. Elas no vo conseguir abrir o portal sem fogacho. Precisamos
tentar salv-la aqui, do contrrio estas trs ficaro presas em Hogwarts
at que outro portal possa ser aberto a partir de Seelie. A menos 
tremeu ligeiramente ao dizer isso, olhando para Lupin  que eu abra o
portal e entre com elas.  Lupin encarou-a de forma significativa e ela
desviou o olhar.


        Snape olhava atento para Flauta, que parecia transmitir-lhe instrues
sobre o que fazer, entregando a fada para Silvia, correu rapidamente
para fora da enfermaria, as outras fadas olharam-se apreensivas.
Finalmente, Harry pareceu sair de seu torpor e perguntou, como
procurando uma explicao:


. Porque ela? Porque em vez de mim, ele quis levar Willy?  as
palavras morreram no ar. Dumbledore estava com a mo no ombro dele,
apoiando-o . Foi Atlantis que, tomando coragem, comeou a falar sobre o
assunto:

. A bruxa que levou Willy no era uma Death Eater.   todos os
olhares convergiram para ele. Ele encarou diretamente Dumbledore, que
franziu o cenho olhando-o nos olhos, como a pedir explicaes. Atlantis
prosseguiu:

. Eu conheo aquela bruxa muito bem, ela no  uma bruxa das
trevas h mais de trinta anos, ela abandonou estas prticas quando eu
nasci...  minha me. Por isso ela quis levar Willy.

. Mas para qu, Atlantis?  Harry olhava Atlantis srio. No
conseguia entender como ele, sendo pai de Willy podia estar to calmo. O
bruxo ento comeou:

. No conheci meu pai. Minha me me disse que quando nasci, ele
j havia morrido, mas eu tenho sria desconfiana de que ela no estava
falando-me a verdade. Por causa de muitas coisas que aconteceram, eu
tenho a impresso que na verdade meu pai era Aristteles Hemerinos. O
nome de minha me  Igraine Fischer, e ela era uma bruxa solitria e
independente. Tudo que aprendi sobre ela foi o que me contaram na
fundao, pois a ltima vez que a vi, eu tinha apenas seis anos de
idade. Ela no era muito jovem quando eu nasci, devia estar pelos trinta
anos.

. Ela fez parte de um grupo das trevas. Pelo que sei, Voldemort
tambm fazia parte deste grupo, mas no era um lder. Na verdade,
Voldemort vinha de um outro grupo, originado por discpulos de
Gridewald, o bruxo das trevas que Dumbedore derrotara em 1945, quando
Voldemort era apenas um jovem sado de Hogwarts com o nome de Tom
Riddle. Quando minha me juntou-se ao grupo, tinha vinte e dois anos, e
era a nica mulher entre eles. Foi ela que descobriu onde estava
enterrada a garra da Sombra, mas manteve isso em sigilo, pois sabia que
os outros membros poderiam mat-la para obter o artefato.

. Ento, quando ela j era bem antiga no grupo, algo aconteceu,
e ningum sabe o que foi. Minha me simplesmente abandonou o grupo. Me
disseram que Voldemort descobriu que ela tinha a garra e a reivindicou,
mas isto  apenas uma hiptese. Provavelmente foi nesta poca ela
conheceu meu pai e engravidou, fugindo do grupo. O primeiro lugar onde
ela foi buscar abrigo foi a fundao, ela sabia que Hemerinos lhe daria
abrigo, e a fundao era um dos poucos lugares onde Voldemort no
entraria.

. Mas havia a garra da sombra. Quando eu nasci, Hemerinos pediu
a ela que entregasse a garra para a fundao, que teria muito mais
condio de proteger o objeto dos seguidores das trevas. Minha me tinha
um sentimento de posse daquele objeto, e fugiu comigo quando eu ainda
era um beb. Todas as lembranas da minha primeira infncia so fugas:
Voldemort havia decidido matar seus companheiros, acreditava que assim
teria o poder deles em suas mos. Minha me fora a ltima sobrevivente

. Voldemort nos alcanou quando eu tinha seis anos. Eu me lembro
perfeitamente do dia em que ele chegou. A porta da nossa casa abriu sem
aviso, minha me ps-me atrs dela, tentando me proteger. Voldemort
disse a ela: "Deixe-me levar o que quero e eu lhe deixarei em paz." Ele
queria a garra, minha me disse apenas: "Nunca!" e sacando a garra
cortou com ela o ar, abrindo um portal sem saber onde ele daria. Ela
tentou me jogar l dentro primeiro, mas eu fui expelido... at hoje eu
no sei porque isso aconteceu, minha me caiu l e eu fiquei do lado de
fora, a ltima viso que tive dela, foi agitando a garra no ar, tentando
desesperadamente manter o portal aberto para me recuperar. Nunca mais
tive notcias dela.

. Eu fiquei sozinho com Voldemort, eu era apenas um menino, eu
me lembro que ele me virou de frente para ele e disse: "Assustado,
Atlantis?" ele sabia meu nome... No era Voldemort como ficou conhecido
depois: era um homem ainda relativamente jovem, de cabelos negros e
olhos cinzentos, no tinha ainda o rosto parecido com o de uma cobra, e
estava sorrindo para mim, amigvel. Eu no sabia quem ele era, achei que
ele queria me ajudar, quase dei a minha mo de criana para ele.  Foi
quando Hemerinos aparatou atrs dele, dizendo: "Deixe este menino em
paz, Riddle, ele  meu filho." Por algum motivo, Voldemort no quis
enfrentar Hemerinos e desaparatou.

. Fui levado para a fundao. Dois anos depois, Silvia voltou de
Seelie, e eu perguntei pela minha me. Ela me disse apenas que ela tinha
entrado por Unseelie e desaparecido na mesma noite. Ento, achei que era
uma questo de tempo para ela voltar... mas ela nunca voltou. At hoje.
Minha me no era nenhuma pitonisa, mas se queria entregar a garra para
as fadasombra em troca de Willy,  porque sabia que algo muito grave
est sendo planejado para Hogwarts. E de alguma forma sabe que Willy
estaria em perigo aqui.

. Mas porque ela no lhe procurou, Atlantis? Porque fazer isso?
 Harry disse, inconformado.

. Eu creio que ela teve medo da minha reao. Eu nunca achei que
ela havia me abandonado, logo depois que ela desapareceu, Voldemort
desapareceu tambm, por um longo perodo. Eu creio que ela no quis se
aproximar de mim pois achava que estaria mais seguro na fundao. Tendo
crescido l, vocs podem imaginar o juzo que fazia das artes das
trevas. Um dia, perguntei a Hemerinos se ele era meu pai e ele disse que
no, que meu pai havia morrido e ele s dissera aquilo para de alguma
forma tentar afastar Voldemort de mim... na poca Hemerinos era muito
mais forte que Voldemort. E como nunca disse quem era meu pai, acho que
na verdade estava escondendo-se de mim com vergonha, afinal era pelo
menos trinta anos mais velho que minha me. E minha me deixou-me com
ele pois acreditava que seria o melhor para mim.

. Creio que ela quis proteger Willy do seu jeito, mas temos que
encontr-la para saber o motivo.


        Neste momento, Snape entrou com um caldeiro fumegante, onde haviam
pequenas labaredas vermelhas. Olhou para Assobio e perguntou, em voz
alta:


. Tem certeza?  a fadinha anuiu com a cabea, e , olhando com
ternura para o corpo inerte de Fogacho, Snape jogou-a dentro do
caldeiro. O corpo da fada desapareceu, parecia ter se queimado. Ento,
uma nuvem pequena de vapor comeou a evolar de dentro do caldeiro,
formado um espectro de fada mais ou menos de uns quinze centmetros,
repentinamente, o espectro abriu os olhos grandes e sorriu, era fogacho
novamente, apenas com quase metade do tamanho original. Ela voou
rapidamente em torno de Snape e depositou um beijo no rosto do bruxo,
que sorriu de volta. Ela pousou no seu ombro e deu com o rosto desolado
de Harry, olhou para as irms que se aproximaram, tristes:

.  Perdoe-nos, Harry Potter  disse Flauta em pensamento a Harry
 nossa rainha nunca havia se enganado antes.  Harry encarou as fadas
srio por um instante e disse:

. Vocs no tem culpa, nem sua rainha... ningum ia imaginar que
eu no seria o visado desta vez, parece que as coisas acontecem tanto
comigo que j  natural... eu que tive Willy quase nas mos e no
consegui recuper-la  isso trouxe aos seus olhos a imagem de Willy de
frente para ele, tentando alcanar sua mo e sendo arremessada pela
bruxa para fora do portal, ele sentiu que seus olhos se enchiam de
lgrimas no mesmo instante, e virou o rosto, tentando escond-las.
Atlantis aproximou-se dele e obrigou-o a encar-lo:

. Harry, ela  minha filha. Eu estou sentindo o mesmo que voc.
Talvez at mais, depois de tanto que eu sofri para me aproximar dela,
no  justo que ela seja tirada de mim. Eu vou sair daqui esta noite
para procur-la, e no sossegarei enquanto no a encontrar e a trouxer
de volta, eu lhe dou a minha palavra  Harry o encarou de volta, srio,
segurando as lgrimas.  Ela vai ser esperada em Hogwarts. Sua matrcula
no ser cancelada, pois ela vai voltar.

. H um precedente para tanto  Disse Dumbledore, olhando para
Harry e depois para Silvia Spring.




        Muito distante dali, numa casa pequena numa estrada  beira de um
deserto onde o sol se punha preguiosamente atrs de montanhas muito
distantes no horizonte, Willy chorava de tristeza, medo e saudade. A
bruxa a deixara sozinha por uns instantes e sara do quarto. Ela no
conseguia conciliar os pensamentos, repetia apenas o nome de Harry e
chamava por seu pai. Ento a porta do quarto se abriu, e a bruxa entrou.
Era uma senhora alta e morena, seu rosto guardava alguma semelhana com
o de  Atlantis, cabelos grisalhos caam pelos seus ombros e ela usava
uma veste castanha longa, com cabelos caindo pelos ombros. Willy
levantou-se para dizer alguma coisa, mas antes que pudesse abrir a boca.
A bruxa disse:


. Obliviate!   num instante Willy esqueceu porque estava
chorando. Harry Potter foi varrido  de seu pensamento como que por um
tufo, ela esqueceu-se tambm de Hogwarts, embora em sua mente tenham
ficado todos os feitios que havia aprendido l. Ela ficou muda alguns
minutos e sua av disse:

.  melhor que voc esquea, criana... para seu bem. Eu no
faria isso tudo se no soubesse que  para o seu bem. Venha com a vov,
Wilhemina.  Ela abriu os braos e a menina deixou-se abraar, sentia-se
cansada, tristonha. Chorava e queria chorar mais, sem saber o porque. 
Chore, minha netinha, que chorar te far bem.


        Lgrimas grandes e grossas vieram aos olhos da menina, e ela sem saber
porque associou isso  imagem de um lago enorme  sombra de montanhas
negras, onde uma lua muito branca e clara se refletia. Sentiu mais
vontade de chorar. Durante as noites que se seguiram e muitas noites
tempos depois, ela acordaria sentindo a saudade de algo que no lembrava
mais o que era. s vezes lembrava de um rapaz que depois acreditou s
existir em seus sonhos. Um rapaz de olhos muito verdes e cabelos muito
negros.

        No dia seguinte, sua av disse que a levaria a uma escola. Depois de um
pequeno teste e muito poucas perguntas, uma jovem chamada Mina Moore foi
matriculada numa escola de bruxaria distante meio mundo de Hogwarts.

        - Mina?  a av chamou-a, ela estava sentada numa mesa, esperando do
lado de fora da sala da diretoria, levantou a cabea e olhou para a av,
que disse  Voc comea Segunda feira. Vai entrar no quinto ano.

        Ela sorriu. Estivera desenhando o tempo em que a av ficara do lado de
dentro, usando a pena de escrever e o pergaminho de rascunho do teste,
que agora estava coberto com vrias repeties da mesma figura. A figura
fina e inconfundvel de um raio.



CAPTULO 18  DE DOR E DE SAUDADE



        Na mesma noite que tudo aconteceu, Atlantis Fischer partiu de Hogwarts
montado em sua vassoura e disposto a descobrir de qualquer forma onde
fora parar Willy. Por algum motivo, a figura do bruxo sumindo no cu e o
fato da cama de Willy e seu malo serem mantidos esperando por ela em
seu dormitrio na Sonserina trouxeram algum consolo ao corao de Harry.
Muito mais que as fadinhas levitando ao seu redor o tempo todo, tentando
incutir em sua cabea pensamentos felizes, sem querer, ele se viu
desejando ardentemente que elas fossem logo embora para seu mundo. O
mesmo ocorreu com a garra. Harry entregou-a a Dumbledore pensando em no
v-la nunca mais.

        No dia seguinte, Rony e Hermione vieram v-lo e ao beb de Sheeba,
ficando quietos ao lado dele, que cismava em pensamentos mudos.
Repentinamente disse:


        . John Van Helsing foi embora?

        . No  disse Rony  vai embora hoje  tarde.

. Traga-o aqui, quero falar com ele.   Rony saiu pelo corredor
e Hermione olhou-o compadecida:

. Eu sinto muito, Harry... justamente agora que vocs estavam se
acertando.

        . Eu espero que ela volte logo. 

        . Quem sabe ela no lhe manda uma coruja?

. Se eu conheo Willy, assim que puder ela vai fugir... espero
que Atlantis a encontre.  Nesse instante, Sheeba levantou-se da cama e
veio at a cabeceira de Harry:

        . Harry, o que voc fez com aquele gelo de confuso?

        . Guardei. Estou vendo o tempo que ele demora para derreter.

. Pois jogue-o no lago de Hogwarts essa noite  Sheeba disse
enquanto embalava Hope nos braos  eu quero ver seu futuro. Eu quero te
ajudar a encontr-la  Harry assentiu com a cabea. E olhou para o nada
novamente. Neste instante, John Van Helsing apareceu a porta, dizendo:

        . Algum quer falar comigo?  Harry pediu que entrasse.

. John  comeou  quando  meia noite em Hogwarts, em que
deserto do mundo o sol est se pondo?

        .  uma charada?

. No, fuso horrio  coisa de trouxas... bruxos no sabem muito
disso.

. Bem Harry, eu acredito que quando  meia noite em Hogwarts,
normalmente, nesta poca do ano, o sol est se pondo na Amrica, porque?

        . Porque se  assim Willy est num deserto na Amrica.

. Talvez no, afinal se eu entendo um pouquinho da cabea de
vocs, essa paisagem pode no ser a real. Mas se isso te serve de
consolo, vou procurar Willy na Amrica  John sorriu  Tudo para ver um
cara legal sorrir  Harry deu um sorriso conformado.


        A cabea de Sue apareceu na porta, ela parecia estar querendo arrastar
algum, ela sorria meio amarelo:


. Oi! Viemos ver o beb de Sheeba e dar uma forcinha para o
Harry...

. Como assim, viemos?  Perguntou Rony, j imaginando quem Sue
tentava arrastar para o quarto  fora. Ela deu um tranco arrastando
para dentro da enfermaria a figura cabeluda e musculosa de Draco Malfoy,
que vinha de cara amarrada. Ele aproximou-se de Sheeba e disse:

. Belo beb. Melhoras, Potter... podemos ir?  Sue olhou-o de
cara feia, e ele ficou quieto, olhando para o cho.

. Na verdade, sua visita alegra tanto a voc quanto a mim 
disse Harry contrariado, para quem a ltima pessoa no mundo para se
partilhar um momento como aquele era Malfoy. Rony olhava para Draco
aborrecido, Hermione nem isso.  Ento Sue disse:

. Na verdade, eu queria dizer Harry, que sinto muito pelo que
aconteceu com Willy. Ela  muito legal, depois que a conheci passei a
gostar muito dela. Eu acho que voc e Draco deviam se conhecer melhor e
veriam que no so to horrveis quanto a imagem que um faz do outro. _
Harry e Draco deram-se um mtuo olhar de incredulidade.   E eu queria
agradecer a voc, Rony, porque se no fosse a sua coruja, Draco e eu no
poderamos estar juntos  Draco e Rony coraram e ficaram embaraados na
mesma intensidade. Harry olhou o amigo, como quem cobra uma explicao.

. Eu fiz isso apenas para que ele tivesse uma atuao decente na
pea e porque no sou Sirius que pode quebrar o queixo do velho Malfoy 
Sheeba sorriu discretamente e Draco baixou a cabea.   E porque Sue e
uma garota muito legal, apesar de seu gosto duvidoso para namorados 
Hermione deu um safano nele.

. Bem  comeou Draco, na sua velha voz entediada  Na verdade
eu no quero mais implicar com voc, Potter... faz parte de meu projeto
de me tornar uma pessoa melhor e..


        Draco no conseguiu dizer mais nada, porque, tirando Sue, todos
gargalhavam. Mesmo num momento como aquele, uma tentativa de ser melhor
partindo de Draco Malfoy parecia no mnimo piada.



----

        Naquela noite, Harry se aproximou do lago escuro de Hogwarts e atirou
nele o gelo de confuso. Sheeba lhe explicara que a gua do lago de
Hogwarts tinha a propriedade de desfazer instantaneamente um gelo de
confuso. Harry atirou-o muito longe, mas percebeu que a gua borbulhou
ligeiramente e uma pequena nuvem de vapor saiu das bolhas. Ele estava
livre para saber o futuro.

        Hagrid o levou a casa de Sheeba. O meio gigante tambm ficara arrasado
com o desaparecimento de Willy.  Agora andava com o seburrlho da
menina, de quem estava cuidando desde o Natal, para todo lado. Sirius os
recebeu com o dedo atravessado na boca, pedindo silncio pois Hope
estava dormindo. Sheeba estava sentada no sof tornando cor-de-rosa uma
montanha de casaquinhos e sapatos azuis. Era apenas a metade do que
fizera, achava que como adorava azul, sua filha podia vestir-se bastante
nesta cor.         Levantou-se e levou Harry para a sala de estudos. Queria
falar com ele  ss. Ps as mos em torno do rosto de Harry, que
lembrou-se da primeira vez que ele fizera isso, h apenas um ano atrs,
mas que parecia ter se passado a sculos. Ele fechou os olhos e
aguardou, comeou a ouvir a voz suave de Sheeba:


. Ano que vem vai ser o mais importante de nossas vidas,
Harry... uma grande batalha se aproxima. Eles vo voltar, todos eles...
livres todos de uma vez  Harry sentiu sua espinha gelar  eles vo
libertar uma grande fora maligna e vo marchar para Hogwarts, mas
Dumbledore j sabe disso. E est totalmente preparado. Novamente voc 
uma das chaves, mas no estar sozinho... cinco notveis estaro com
voc, e um deles perder a vida. H um renegado que ir nos ajudar. Ele
vai dar a mo a voc para derrubar o mestre das trevas... Todos que
procurarem Willy passaro perto dela, mas no a encontraro. Esse  seu
destino, encontr-la apenas depois de derrotar o mestre das trevas. 
Harry abriu os olhos. Sheeba o encarava suavemente.

        .  tudo?

        . No.  apenas o que voc est preparado para saber.

        . Vai demorar para eu encontr-la?

. Mais que voc gostaria e menos, muito menos que eu esperei por
Sirius.  Ela sorriu  Pacincia, Harry. Transforme essa dor em saudade
e viva com ela.  difcil viver com dor, mas  suportvel sentir
saudade.  Harry engoliu em seco. Teria que retomar sua vida. No
poderia parar para esperar Willy... s mantendo sua vida no curso normal
teria a chance de encontr-la.


        Mais tarde, quando Harry e Hagrid foram embora, Sirius perguntou a
Sheeba:


        . O que voc viu?

. Que devemos nos preparar para a batalha... e que ainda falta
muito tempo para Harry encontrar Willy.  Sheeba sentiu um ligeiro
tremor sacudir seu corpo e abraou-se ao marido.

        . O que foi, Sr Black? O que voc esta me escondendo?

. Nada, meu amor... apenas senti medo do que est por vir...
nada ser igual depois do ano que vem.  ele a envolveu nos braos e
disse, olhando nos seus olhos e sorrindo:

. Se o ano passar e eu sobreviver, vamos ter outro filho.  Ela
sorriu e o abraou

. Isso se eu tambm sobreviver  murmurou tristemente, para que
ele no ouvisse.




-----

        No dia seguinte, num lago atrs de uma colina em Hogsmeade, um lago que
Silvia Spring conhecia muito bem, pois cara nele h muito tempo atrs,
ela e Lupin estavam junto s fadas arrepiadas, que se despediam. Ela
abriria o portal para elas, que haviam enfraquecido muito tentando
enfrentar a fadasombra. Silvia retirou a flor grande de um sicmoro e a
tornou prateada. Ento, jogou-a na superfcie do lago que se agitou
serenamente. Onde caa a flor a gua se abriu, deixando ver uma paisagem
de colorido forte e brilhante. A paisagem do reino de Seelie. As fadas
disseram a Silvia:


. Venha, Silvia, venha!  Silvia sentiu-se tentada. H alguns
anos no visitava Seelie. Ela olhou para Lupin que a encarou seriamente:

        . Escolha  ele disse  ou voc vai, ou voc fica.

        . Porque no vamos juntos? L o seu problema no existiria...

. Meu lugar  aqui, Silvia. Com ou sem meu problema.  Ele
baixou os olhos  com ou sem voc.


        Ela parou por um instante e lembrou-se de um dia, distante muitos anos
no tempo deste mundo, mas para ela h apenas treze anos, em que ela, sem
direito de escolha, fora separada de um grande amor. No, agora no era
um grande amor, mas era um amor seguro e tranqilo... algum em quem
podia confiar. Ela olhou-o e sorriu:


. Eu vou ficar por aqui... por enquanto  - sorriu para as fadas
dando adeus e recolheu a flor, pondo-a nos cabelos.

        . Por enquanto?  Lupin franziu o cenho

. ... por enquanto aqui est muito mais interessante que l,
ela disse, abraando-o e oferecendo os lbios para que ele beijasse.




        Mais tarde, Harry acharia que passou o resto do semestre sob alguma
espcie de anestesia. Tentou compartilhar com Rony de seu entusiasmo
pelo filme que faria no vero, uma fico baseada na vida de um
importante bruxo do sculo XV, mas no conseguia propriamente
entusiasmar-se com nada. Ganharam a taa de quadribol em cima da
Lufa-Lufa simplesmente porque ele achou logo o pomo para ficar livre do
jogo. Daria tudo para enfrentar Willy e perder, se pudesse t-la de
volta. Aplicou-se nos estudos por no ter nada melhor para fazer, e
quando chegaram os resultados dos exames, surpreendeu-se ao ver que
aquele fora seu melhor desempenho desde que entrara em Hogwarts.

        Draco Malfoy, que deixara de ser forte e cabeludo no fim da primavera,
parecia uma espcie de contraponto de Harry, tambm muito concentrado em
si mesmo. Rompera relaes com Crabble e Goyle depois que eles haviam
lhe negado suas corujas, e andava agora sozinho pelos corredores da
Sonserina.  No dia que comearam os exames, entregou a Rony a sua
coruja, dizendo que Sue voltaria para a Amrica e no ano seguinte ele
daria um jeito de contrabandear uma coruja para Hogwarts. Fez isso dando
um tapinha nas costas de Rony, que logo depois pediu a Harry que batesse
bastante no lugar para tirar aquela "essncia de Draco Malfoy".

        O namoro da Rony e Hermione seguia tranqilo, assim como o de Neville
com Gina. Estranhamente, o professor Snape havia parado de implicar com
casais de namorados, e at melhorara um pouco em relao a Neville
Longbotton. Mas continuava protegendo os alunos da Sonserina, seno no
seria o velho Snape.

        Alguns dias antes de ir para a casa dos Dursleys, Harry decidiu
conversar com o professor Dumbledore sobre uma coisa que o encucava h
anos:

        - Professor... este  o ltimo ano. O senhor poderia me explicar afinal
de contas porque eu tenho que voltar para a casa dos Dursleys tendo
Sirius e Sheeba aqui to perto?


        . No  por voc, Harry.  por sua tia.

        . Por minha tia?

. Exatamente... sua me no foi a nica de sua famlia a receber
uma carta de Hogwarts... sua tia Petnia tambm recebeu uma.

        . O QU?

. Isso que voc ouviu. Mas ela no quis vir. Sua me e ela
haviam sido criada no mundo dos trouxas e sua tia tinha medo dos seus
poderes, ela gostava de ser trouxa, no tinha entusiasmo nenhum pela
magia. Mas isso se revelou um incmodo com o tempo. E ela assumiu com a
irm uma dvida.

        . Uma dvida?

. Exatamente...quando se apaixonou por um jovem trouxa muito
trouxa, Petnia teve medo que seus poderes ligeiramente descontrolados,
pois no estudara e vivia lutando contra eles, a denunciassem para o
rapaz que tinha horror a pessoas "no normais"

        . Tio Vlter!  Disse Harry. Dumbledore assentiu.

. Ento ela pediu ajuda para a irm para fazer um feitio que
acaba de vez com os poderes de bruxa. Um feitio complicado, parecido
com o feitio fidelius. E sua me foi escolhida para ser a portadora dos
poderes perdidos de sua tia. Quando ela morreu, voc herdou o
compromisso. Ela deveria cuidar de voc pela dvida com sua me, para
poder manter estes poderes longe, caso contrrio, eles retornariam todos
para ela e muito mais descontrolados.

. E quanto tempo ela tem que "cuidar" de mim?  Harry disse
preocupado em ter que ficar at depois de Hogwarts com os tios

. Bem, este feitio dura 21 anos, depois os poderes se vo para
sempre. Sua me o conjurou quatro anos antes de voc nascer, quando
estava no quinto ano aqui em Hogwarts, portanto, este  o ltimo ano.

        . Depois estou livre?

        . E ela tambm  sorriu Dumbledore.


        Foi a melhor notcia que Harry recebeu no fim do semestre.



 

 

        Harry estaria mentindo se dissesse que no se divertiu com a festa do
fim do semestre em Hogwarts. Apesar de Willy estar desaparecida, ele era
jovem e estava vivo, aos poucos foi sentindo que se libertava da dor
imobilizante e foi sentindo a esperana nas palavras de Sheeba o
confortarem, se um dia ele iria encontr-la, cada dia vivido era menos
um dia sem ela. No adiantava mais chorar. Perscrutando seu corao,
veria que a dor ainda estava l, bem no fundinho, mas agora se tornava
uma grande saudade, saudade dos momentos que passara com Willy, que
afinal de contas estava viva e em algum lugar, sentindo tambm saudade
dele. Na vspera de partir de Hogwarts para suas ltimas frias com os
trouxas, Harry escondeu-se na capa de invisibilidade e foi sozinho para
a sala de transformao, olhar para a lua crescente refletida no lago
escuro de Hogwarts. Percebeu que finalmente perdera a capacidade de
chorar por Willy. A dor se fora, mas seu corao estava cheio de
saudade, que afinal era a mesma coisa que sentia por seus pais.

        Ainda conseguiu sorrir e brincar no expresso de Hogwarts,
principalmente com Rony, que estava indignado com Hermione por ter
querido passar pelo menos parte da viagem no vago dos monitores:


. Quando finalmente Percy resolve marcar o seu casamento e eu
penso que vou me livrar dele, arranjo uma namorada Percy... a vida no 
fcil...


        Olhou a plataforma 9  lembrando-se que aquela era uma das ltimas
vezes que desembarcaria do expresso de Hogwarts, e mesmo tendo mais um
ano pela frente, sentiu saudades da escola e de tudo que vivera l. 

        Ao chegar na casa dos trouxas, correu para seu quarto e ps na mesa de
cabeceira um porta retrato com uma foto: a foto que Colin Creevey tirara
na noite em que Willy desaparecera. Ela estava linda lhe acenava. Era
engraado ver a si prprio acenando timidamente tambm. Acariciou o
rosto dela na foto pensando: "Onde voc est, Willy?"



        Distante, muito distante dali, Mina Moore levantou os olhos de seu
dever de frias da escola comunal de magia Desert Witch. Olhou pela
janela o sol da tarde que comeava, sentindo uma nostalgia que no sabia
de onde vinha. Ficou uns minutos assim at que sacudiu a cabea e
resolveu retornar ao dever. Olhou exasperada para o pergaminho ao notar
que novamente, sem querer estragara o dever desenhando sobre ele um
raio.



-----

Porque ela fez isso? Porque separou Harry de seu grande amor? Ela no
deve gostar da gente mesmo, n?

Calma, gente, no fiquem zangados... um dia eles vo se encontrar... um
dia

Mas antes, ele vai reencontrar os errantes.

E s mais uma coisinha... quem sero os cinco notveis?



fim



 

 

 

 

 

 

 
